Segurança, soberania e defesa das mulheres marcam primeiros discursos de candidatos à Presidência

Na estreia oficial da campanha neste domingo (16), os cinco candidatos à Presidência que aparecem entre os primeiros colocados nas principais pesquisas escolheram diferentes regiões do país para seus primeiros atos e deram pistas sobre os temas que pretendem levar para a disputa. Segurança pública esteve entre os assuntos mais presentes, mas os discursos também passaram por soberania nacional, políticas para mulheres, combate à corrupção, economia e redução de gastos.
- Flávio Bolsonaro faz defesa de soberania ligada à segurança pública
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As prioridades, porém, variaram de acordo com a estratégia de cada candidatura. Lula combinou soberania e defesa dos resultados de seu governo com propostas para segurança e acenos ao eleitorado feminino. Flávio Bolsonaro concentrou-se no crime organizado, na defesa de Jair Bolsonaro e em críticas ao PT. Renan Santos adotou um discurso mais radical contra as facções e associou segurança ao fortalecimento do Estado, enquanto Zema juntou o combate ao crime à redução de gastos e à corrupção. Caiado, por sua vez, usou a experiência em Goiás para defender sua política de segurança e se apresentar como alternativa ao lulismo e ao bolsonarismo.
Neste texto, o GSW Brasil reúne os principais trechos dos discursos de lançamento e mostra como Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Zema e Caiado escolheram abordar esses temas no primeiro dia oficial de campanha.
Lula aposta em soberania e legado petista
Lula escolheu o Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), para abrir oficialmente a campanha à reeleição. A escolha do local, símbolo das greves do ABC que ajudaram a projetar o presidente nacionalmente no fim dos anos 1970, permitiu ao petista recuperar a própria trajetória política diante de uma militância que o acompanha há décadas. No discurso, o petista também procurou apresentar a eleição como uma disputa sobre os resultados de seu governo e o modelo de país que pretende levar para um eventual novo mandato.
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A soberania nacional ocupou um espaço importante no discurso, assim como na convenção petista realizada em São Paulo no início de agosto. O presidente falou sobre a exploração de minerais estratégicos e defendeu que o Brasil desenvolva capacidade própria para transformar suas riquezas naturais em produtos de maior valor agregado. “Nós é que vamos explorar em benefício do povo brasileiro”, afirmou.

A fala acontece em um momento de tensão nas relações entre Brasília e Washington e reforça a estratégia petista de se contrapor ao alinhamento de Flávio Bolsonaro com o governo de Donald Trump.
Sobre segurança pública, Lula não defendeu endurecimento penal, como seus adversários, mas defendeu que o Estado precisa recuperar o controle de territórios dominados pelo crime organizado.
Ao falar sobre a criação de um Ministério da Segurança Pública, o presidente disse que a medida dependeria de uma mudança na Constituição e defendeu que o governo federal amplie sua participação no combate às facções.
“A gente precisa prender quem se acha dono de favela, quem se acha dono de bairro pobre, quem se acha dono de comunidade”, afirmou. Segundo Lula, a proposta é atingir os grupos que exercem controle territorial e, nas palavras dele, “libertar o povo” que vive nessas regiões.
Flávio mira facções e reforça bolsonarismo
Em Copacabana, Flávio Bolsonaro transformou a segurança pública no principal eixo de sua estreia e procurou associar o avanço das organizações criminosas à perda de autoridade do Estado, apresentando o problema também como uma questão de soberania nacional.
“Quem tem soberania aqui no Complexo do Alemão? O governo ou o Comando Vermelho?”, perguntou, em uma frase que estampa a estratégia do senador de colocar o combate ao crime organizado no centro da disputa eleitoral.

Flávio defendeu que organizações como PCC e Comando Vermelho sejam classificadas como terroristas e apresentou uma agenda de endurecimento penal.
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O candidato também associou a segurança à defesa de mulheres vítimas de violência e prometeu medidas mais rígidas para crimes sexuais, enquanto ampliou o discurso para propostas econômicas, como cortes de impostos e redução de gastos e cargos públicos.
A defesa do pai, Jair Bolsonaro, completou a estratégia. O ex-presidente, que está em prisão domiciliar e não participou presencialmente do ato, apareceu por meio de um áudio exibido no evento, enquanto Flávio procurou transformar a própria candidatura na continuidade do bolsonarismo e, ao mesmo tempo, na principal alternativa à permanência do PT no poder. O senador chegou a dizer que “o resto do Brasil olha para Brasília com nojo”, ao criticar o governo e as instituições políticas.
Renan endurece discurso contra crime organizado
Renan Santos voltou ao Largo de São Francisco, onde estudou Direito na USP – sem completar o curso –, para iniciar a campanha usando um colete à prova de balas, depois de relatar ter recebido ameaças antes do ato. O candidato do Missão atacou Lula e Flávio Bolsonaro e fez do discurso uma defesa de medidas duras contra as organizações criminosas. Diante de uma plateia majoritariamente jovem, a reação mais entusiasmada veio quando Renan falou sobre as facções.
Para Renan, o problema brasileiro não se resume à violência nas ruas. “O Brasil é uma nação derrotada, uma nação sem esperança e sem futuro”, afirmou, ao defender uma mudança na atuação do Estado e uma postura mais dura contra aqueles que considera inimigos do país.

Ao falar sobre PCC e Comando Vermelho, Renan projetou o que, segundo ele, aconteceria com os líderes das facções caso chegasse ao Planalto. “Já imaginaram o medo das lideranças do PCC e Comando Vermelho tentando fugir desesperadamente para Bolívia, Peru, para qualquer outra nação, sabendo que o destino deles é ser preso ou ser morto se ficarem no Brasil?”, afirmou.
O candidato também defendeu que o país utilize suas reservas de terras raras como instrumento de negociação tecnológica com outras potências, combinando a retórica de soberania econômica com a promessa de uma reação mais agressiva contra o crime organizado.
Zema une segurança e ajuste das contas
Romeu Zema abriu a campanha em Montes Claros, no Norte de Minas, e aproveitou o primeiro ato para apresentar as propostas que pretende levar para a disputa presidencial. O candidato do Novo defendeu a redução dos gastos públicos, prometeu um “choque ético e moral” contra a corrupção e falou em endurecer o combate às organizações criminosas, com medidas que incluem a construção de um presídio de segurança máxima para líderes de facções.
Na segurança pública, Zema criticou o que considera uma dificuldade do Estado em manter presos os criminosos capturados pelas forças policiais. “O problema do Brasil é que bandido fica solto. A nossa Polícia Militar prende e a Justiça solta”, afirmou durante o ato. O presidenciável também defendeu a redução da maioridade penal e a classificação de facções como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, além da construção de um presídio de segurança máxima em uma área isolada do país para receber chefes de grupos criminosos.
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A violência contra as mulheres também apareceu entre as propostas apresentadas no lançamento. Zema defendeu a ampliação das delegacias especializadas e o uso de tornozeleiras eletrônicas por homens acusados de violência doméstica, além de medidas para aumentar o controle sobre agressores.
O candidato também dedicou parte do discurso à economia e à administração pública. Zema afirmou que pretende reduzir despesas para abrir espaço para a queda dos juros e apresentou o combate à corrupção como uma segunda frente de seu programa, que chamou de “choque ético e moral”. A promessa é reduzir o tamanho da máquina pública e cortar gastos que considera desnecessários, mantendo como referência a gestão que fez em Minas Gerais.
Caiado explora legado de Goiás
Ronaldo Caiado começou a campanha em Goiás, estado que governou por dois mandatos, com uma agenda voltada principalmente à segurança pública. O candidato do PSD fez uma carreata pelo Entorno do Distrito Federal, passando por Águas Lindas de Goiás, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso e Cidade Ocidental, e aproveitou o percurso para destacar a redução dos índices de criminalidade que atribui à sua administração.
Ao explicar a escolha da região para o primeiro dia de campanha, Caiado destacou justamente a experiência acumulada no governo estadual. “Nós hoje fizemos um trajeto nas quatro cidades mais violentas na região mais violenta do país [...] para mostrar como hoje a população vive em paz e tranquila”, afirmou. A segurança é uma das principais bandeiras da candidatura e deve ser usada pelo ex-governador para mostrar que as medidas adotadas em Goiás podem ser levadas para o restante do país.

Durante a agenda, Caiado também falou sobre a violência como uma das principais preocupações dos brasileiros. “Violência hoje, sem dúvida nenhuma, angustia todas as pessoas”, disse. O candidato afirmou que pretende ampliar, no governo federal, medidas de combate ao crime e à corrupção e voltou a defender uma atuação mais dura contra as organizações criminosas.
A tentativa de se apresentar como uma alternativa ao lulismo e ao bolsonarismo também apareceu no primeiro dia de campanha. A ausência de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e candidato a vice na chapa, ganhou espaço depois de declarações do dirigente sobre uma possível aproximação do Centrão com Lula. Caiado reagiu e foi direto ao afirmar: “Em nenhuma hipótese, em nenhum cenário, em nenhum turno, eu estarei ao lado de Lula ou do PT”.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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