Lula lança campanha à reeleição no estádio que marcou início de sua trajetória política

Principais pontos

  • Lula lançou neste domingo (16), no Estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo, sua campanha à reeleição à Presidência, resgatando a trajetória como metalúrgico e líder sindical no ABC.
  • Durante o discurso, relembrou a mãe, os períodos em que esteve preso, criticou o ministro Dias Toffoli e defendeu a soberania brasileira em meio às tensões com os Estados Unidos.
  • A primeira-dama Janja também participou do ato e homenageou Marisa Letícia, destacando a participação de mulheres na construção do PT.
Lula durante lançamento da campanha em São Bernardo do Campo
Lula durante lançamento da campanha em São Bernardo do Campo
Source: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou oficialmente neste domingo (16) sua campanha à reeleição à Presidência da República em um dos lugares mais simbólicos de sua trajetória política. No Estádio Municipal Primeiro de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, o petista discursou por cerca de 30 minutos para um público que ocupou boa parte do campo e das arquibancadas.

Com o lema “O Brasil pronto para mais”, acompanhado da frase “Onde tudo começou”, o ato recuperou episódios da trajetória de Lula desde os anos em que era metalúrgico e líder sindical até as duas passagens pela prisão. A escolha do estádio, conhecido historicamente como Vila Euclides, reforçou a estratégia de associar a campanha às origens políticas do presidente.

Logo no início da fala, Lula explicou o uso do chapéu que tem aparecido em suas aparições públicas. O presidente contou que passou por sessões de radioterapia para tratar um câncer de pele e, por orientação, precisa evitar a exposição da cabeça ao sol. Em seguida, disse que, apesar do acessório, iria “tirar o chapéu” para o público presente.Durante o discurso, Lula relembrou a história da mãe, Eurídice Ferreira de Melo, a dona Lindu, falou sobre a carreira política e mencionou os períodos em que esteve preso. Ao defender a busca por um quarto mandato, afirmou que pretende impedir que a direita volte a governar o país.

A lembrança de Vavá e a crítica a Toffoli

Ao relembrar os períodos em que esteve preso, Lula também fez uma crítica ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao comparar duas situações ocorridas em momentos políticos distintos.

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O presidente lembrou que, durante a ditadura militar, quando ainda era líder sindical, um delegado permitiu que ele deixasse a prisão para acompanhar o velório de sua mãe. Em seguida, fez referência à prisão de 2019, quando estava detido em Curitiba e foi impedido de acompanhar o velório e o enterro do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá.

Na ocasião, Toffoli autorizou que Lula se encontrasse com familiares em uma unidade militar, mas a decisão foi divulgada quando o sepultamento já estava em andamento, inviabilizando a participação do ex-presidente na cerimônia.

Soberania em meio à tensão com os EUA

Outro eixo do discurso foi a defesa da soberania nacional. Lula afirmou que o Brasil não deve se submeter aos interesses de nenhuma potência estrangeira e citou tanto os Estados Unidos quanto a China ao defender a autonomia do país nas relações internacionais.

A fala ocorre em um momento de forte tensão diplomática e comercial entre Brasília e Washington. O governo Donald Trump impôs novas tarifas sobre produtos brasileiros, com alíquotas que podem chegar a 37,5% em determinados casos. Em resposta, o Brasil acionou a Lei da Reciprocidade Econômica e também levou a disputa à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Ao incorporar o tema à largada da campanha, Lula tenta apresentar a soberania como uma das marcas de sua candidatura e reforça a ideia de que o Brasil deve manter relações comerciais e diplomáticas sem ficar subordinado a Estados Unidos, China ou qualquer outra potência.

Janja homenageia Marisa Letícia

A primeira-dama Janja da Silva também participou do ato e fez uma homenagem que chamou a atenção do público ao lembrar Marisa Letícia, ex-mulher de Lula, que morreu em 3 de fevereiro de 2017.

Janja destacou a participação de Marisa na construção do Partido dos Trabalhadores e lembrou que ela ajudou a costurar a primeira bandeira da legenda. A homenagem também recuperou o papel de mulheres que participaram dos primeiros anos do movimento sindical e da formação do PT.

“Essas mulheres foram de uma força importante e, sem a presença delas, essa história poderia ser diferente”, afirmou Janja durante o discurso.

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A menção a Marisa ganhou peso justamente em um evento marcado pela recuperação da memória da origem política de Lula. Antes de chegar à Presidência, o petista construiu sua liderança no movimento sindical do ABC ao lado de trabalhadores e de militantes que participaram das greves que desafiaram a ditadura militar no fim dos anos 1970.

O estádio Primeiro de Maio, antigo Vila Euclides, foi o principal palco dessa história. Foi ali que Lula liderou assembleias que reuniram dezenas de milhares de metalúrgicos durante as greves do ABC. Décadas depois, o mesmo espaço voltou a receber o presidente para o primeiro ato público de sua campanha em busca de um quarto mandato.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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