Trump e Xi Jinping encerram cúpula marcada por pompa, mas com poucos avanços

Principais pontos

• Líderes encerraram nesta sexta-feira, 25, a primeira visita de Xi Jinping a Washington em mais de uma década, marcada por cerimônias e poucos resultados concretos.

• Estados Unidos e China prorrogaram até 10 de janeiro de 2027 a trégua tarifária, enquanto divergências sobre Taiwan, inteligência artificial e comércio permanecem.

• Xi pediu mudança na posição norte-americana sobre Taiwan, e Trump discutiu com o líder chinês a guerra no Irã e uma eventual ajuda de Pequim a Teerã.

Donald Trump e Xi Jinping em Washington.
A mensagem da cúpula é que os encontros entre Trump e Xi Jinping ajudaram a reduzir tensões entre as duas superpotências.
Source: Reprodução/ YouTube - White House

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levou o líder chinês Xi Jinping nesta sexta-feira, 25, para conhecer os documentos fundadores da democracia americana, encerrando uma visita de Estado repleta de pompa e cerimônias, mas sem grandes avanços.

Trump afirmou que discutiu com Xi a guerra no Irã, que está em um impasse, e os dois líderes confirmaram que se reunirão pela terceira e pela quarta vez neste ano, durante cúpulas internacionais na China e nos Estados Unidos.

Mas, ao mostrar a Xi os Arquivos Nacionais, em Washington — onde estão guardados a Declaração de Independência e a Constituição dos Estados Unidos —, Trump reforçou a impressão de que a cúpula teve mais espetáculo do que resultados concretos.

O encontro não produziu grandes anúncios sobre temas sensíveis, como inteligência artificial, Taiwan ou comércio, além da prorrogação por dois meses, até 10 de janeiro de 2027, de uma trégua tarifária entre as duas maiores economias do mundo.

RECOMMENDED FOR YOU

Encontro com Trump ocorre após representantes da OpenAI e da Anthropic relatarem falhas graves de segurança em seus modelos de IA.

Trump reúne executivos de IA na Casa Branca

A única outra novidade anunciada foi que dois pandas chineses chegarão em breve ao zoológico de Atlanta.

A mensagem transmitida pelos governos norte-americano e chinês, no entanto, foi de que a cúpula ajudou a reduzir as tensões entre as duas superpotências rivais em uma série de questões.

Trump afirmou que a reunião foi “de amizade, força e sucesso, tanto para a China quanto para os Estados Unidos”.

“Fizemos grandes avanços, muito positivos para os dois países”, disse Trump a jornalistas enquanto tomava chá com Xi na Casa Branca nesta sexta-feira, antes da visita aos Arquivos Nacionais.

“Estabilidade estratégica”

Trump estendeu o tapete vermelho durante toda a visita, iniciada na quarta-feira, 23, oferecendo a Xi um jantar de estado com a presença de grandes nomes da tecnologia norte-americana, além de desfiles militares, uma apresentação aérea e até uma visita ao novo heliponto e ao salão de festas da Casa Branca.

Xi, por sua vez, afirmou que sua viagem a Washington acrescentou “novo conteúdo” à cúpula realizada com Trump em Pequim, em maio.

O líder chinês acrescentou que os dois concordaram em buscar “estabilidade estratégica com base no respeito, na justiça e na reciprocidade”.

O anúncio de que os dois líderes darão continuidade ao diálogo foi talvez o principal resultado concreto do encontro para ambos os lados.

RECOMMENDED FOR YOU

O trabalho de resgate prossegue no Nepal. País pede ajuda internacional.

Total de desaparecidos no Nepal dobra; reconstrução custará US$ 5 bi

Trump e Xi confirmaram que voltarão a se reunir na cúpula da Apec, em Shenzhen, na China, em novembro, e no fórum do G20, no resort de Trump em Doral, Miami, em dezembro.

No último dia da viagem do líder chinês, Trump e sua mulher, Melania, levaram Xi e sua mulher, Peng Liyuan, ao imponente prédio dos Arquivos Nacionais.

Ali, eles observaram a Declaração de Independência, que completa 250 anos neste ano e estabeleceu o caminho para a independência norte-americana do rei britânico, descrito no documento como um “tirano”.

Nos Arquivos Nacionais, Trump também mostrou a Xi a Constituição dos Estados Unidos, documento que estabeleceu os princípios do governo democrático do país há dois séculos e meio.

“Estamos apenas comparando: isto aqui tem 250 anos, o deles tem seis mil anos”, disse Trump a jornalistas, referindo-se às antigas raízes da China, enquanto estava ao lado de Xi, presidente do Partido Comunista Chinês, que governa o país desde 1949.

Conversas sobre o Irã

Trump confirmou, durante a visita aos Arquivos Nacionais, que os dois líderes discutiram a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que se aproxima de completar sete meses.

O republicano tem enfrentado pressão de democratas e de integrantes de seu próprio partido para confrontar Xi diante de relatos de que Pequim teria fornecido a Teerã informações de inteligência para ataques contra tropas norte-americanas.

“Sim, discutimos, discutimos”, respondeu Trump nos Arquivos Nacionais ao ser questionado se havia conversado com Xi sobre o Irã.

RECOMMENDED FOR YOU

Curso gratuito para empreendedoras está com inscrições abertas.

Capacitação gratuita em IA oferece 5 mil vagas para empreendedoras

Perguntado se acreditava que haveria avanços para a reabertura do Estreito de Ormuz, crucial para o fluxo de petróleo, Trump respondeu: “Acho que vamos nos sair muito bem”.

O embaixador norte-americano na China, David Perdue, disse à CNBC que Washington deixou claro a Pequim que considera inaceitável qualquer ajuda ao Irã, direta ou indireta, incluindo o fornecimento de informações de inteligência ou assistência militar.

A exibição dos símbolos da democracia americana por Trump nos Arquivos Nacionais ocorre uma semana depois de ele ter proibido três grandes veículos de comunicação dos Estados Unidos de entrar na Casa Branca. Os veículos voltaram a ter acesso na quinta-feira, 24, por determinação de um juiz.

A Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos protege a liberdade de imprensa.

Organizações de defesa dos direitos humanos criticam a China pela falta de liberdade de imprensa e de liberdade de expressão.

Trump também zombou publicamente de seu antecessor, Joe Biden, na quinta-feira, ao levar Xi para conhecer a Casa Branca. Ele mostrou ao líder chinês a imagem de uma “autopen” — máquina usada para reproduzir automaticamente uma assinatura — que colocou em uma galeria de presidentes americanos no lugar do retrato de Biden.

Taiwan, inteligência artificial e comércio

Embora não tenham resultado em grandes anúncios, Taiwan, inteligência artificial e comércio estiveram entre os assuntos discutidos durante a visita.

No caso de Taiwan, Xi pediu que os Estados Unidos se oponham à independência da ilha, segundo o relato divulgado pela agência oficial chinesa Xinhua. Washington tradicionalmente afirma que “não apoia” a independência de Taiwan, sem dizer que se opõe a ela. Até o encerramento da visita, Trump não havia indicado publicamente ter concordado com a mudança de posição defendida por Pequim.

RECOMMENDED FOR YOU

Donald Trump faz discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU.

Trump ameaça na ONU usar ‘poderio militar’ na América Latina

A China considera Taiwan parte de seu território e não descarta o uso da força para assumir o controle da ilha, que tem governo próprio. Pequim também pressiona Washington a interromper a venda de armas a Taipé. Depois do encontro em maio entre Trump e Xi em Pequim, o governo norte-americano deixou em suspenso um pacote de venda de armamentos a Taiwan estimado em US$ 14 bilhões. Trump chegou a descrever a operação como uma “muito boa ferramenta de negociação” com a China.

A inteligência artificial também entrou nas conversas. Antes de receber Xi na quinta-feira, Trump escreveu em sua rede Truth Social que a “superinteligência”, expressão que vem usando ao falar de IA, seria um dos grandes temas do encontro, mas defendeu que a tecnologia fosse deixada “exatamente como está”.

Xi declarou que China e Estados Unidos têm capacidade e responsabilidade de desenvolver e administrar a inteligência artificial de maneira eficaz e defendeu que seu desenvolvimento permaneça sob controle humano e beneficie a população. A cúpula terminou sem o anúncio de um acordo mais amplo sobre IA.

No comércio, a prorrogação da trégua tarifária até 10 de janeiro evitou, por enquanto, uma nova escalada da disputa. Um dos pontos de pressão na relação são as terras raras, grupo de elementos minerais essenciais para produtos de alta tecnologia e também utilizados pela indústria de defesa. A China recorreu a restrições às exportações desses materiais em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos.

O presidente chinês também voltou a mencionar a “Armadilha de Tucídides”, conceito usado para descrever o risco de conflito quando uma potência em ascensão desafia outra já estabelecida. Ele afirmou que esse risco pode ser superado e defendeu a cooperação entre os dois países.

Gigantes da tecnologia no jantar de Estado

O peso econômico e tecnológico da relação entre Estados Unidos e China também apareceu na lista de convidados para o jantar oferecido por Trump a Xi na quinta-feira, 24.

Estiveram presentes alguns dos líderes das big techs, entre eles Jensen Huang, da Nvidia; Tim Cook, da Apple; Mark Zuckerberg, da Meta; Sam Altman e Greg Brockman, da OpenAI; Satya Nadella, da Microsoft; Sundar Pichai, do Google; Jeff Bezos, da Amazon; Elon Musk, da SpaceX; Lisa Su, da AMD; e Michael Dell, da Dell Technologies.

A presença dos executivos chamou atenção em uma visita na qual inteligência artificial, semicondutores e a competição tecnológica entre as duas potências estavam entre os temas de interesse.

RECOMMENDED FOR YOU

Metrô da capital paulista: passagem unitária sai por R$ 5,40.

Quanto custa se locomover em 15 capitais brasileiras

O jantar reuniu ainda dirigentes de grandes empresas de outros setores, como Jamie Dimon, do JPMorgan Chase; Mary Barra, da General Motors; Darren Woods, da ExxonMobil; e Bernard Arnault, do grupo de luxo LVMH.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

Se está acontecendo no Sul Global, está no nosso canal do WhatsApp.

Nós contamos as notícias que você precisa saber.

Inscreva-se agora
Ícone do banner do WhatsApp