Fuga de Flávio para os EUA e autoproclamação de 'presidente' geram cobranças
Principais pontos
- Flávio Bolsonaro fugiu para os EUA sob restrições judiciais e se autoproclamou líder do país nas redes sociais.
- A manobra gerou forte repercussão na imprensa internacional e cobranças de congressistas democratas sobre os vistos.

A 'fuga' do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos foi criticada por grande parte da imprensa internacional e gerou reações de congressistas do Partido Democrata. A repercussão cresceu ainda mais depois que o parlamentar publicou uma carta nas redes sociais se declarando "presidente eleito" — texto que foi editado horas depois para apresentá-lo como "líder do Brasil", após a derrota no segundo turno para Lula (PT).
A primeira versão do documento, divulgada na quarta-feira, 28, dizia que Flávio era o “presidente eleito” e acusava o Judiciário e adversários de fraudarem a eleição, sem apresentar provas. Na atualização, o senador retirou a autodeclaração e disse que vai comandar a oposição a partir do território americano.
O recuo na narrativa foi acompanhado de perto pela imprensa internacional. Veículos como o britânico The Guardian e a agência Reuters destacaram a mudança do tom do senador e lembraram que o próprio PL já havia admitido o resultado das urnas. A manobra também virou destaque de capa no The New York Times, que apontou a acolhida do governo americano como um fator de direta colisão diplomática entre Washington e Brasília.
Além do acompanhamento em tempo real da BBC e da Associated Press, publicações de peso como o americano Wall Street Journal, o espanhol El País e o alemão Deutsche Welle detalharam a viagem a Miami em meio ao descumprimento das ordens do STF. Na América Latina, o argentino La Nación expôs os bastidores do trajeto pela fronteira e a suposta facilitação do governo Milei, enquanto o Clarín registrou as articulações de parlamentares brasileiros para acionar a Interpol.
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Ofensiva Democrata
A decisão de autorizar a entrada de Flávio e de sua família com vistos concedidos pelo governo americano provocou reação imediata na Câmara dos EUA. O deputado Joaquin Castro (Texas) afirmou que a derrota eleitoral não justifica asilo político e cobrou esclarecimentos do governo Trump sobre uma possível ajuda na saída do senador do país. Em postagem no X, Castro citou as investigações em curso contra Flávio e a ordem de retenção do passaporte.
O deputado Shri Thanedar (Michigan) também contestou a presença de Flávio nos EUA, declarando que o senador viajou para evitar apurações judiciais e sugeriu que o secretário de Estado, Marco Rubio, deveria barrar sua entrada por considerá-lo fugitivo. As críticas dos congressistas miraram a liberação dos vistos e a cobrança de explicações do governo americano.
A bancada democrata na Comissão de Relações Exteriores da Câmara comparou a facilidade concedida à família Bolsonaro com o rigor aplicado a refugiados que buscam proteção nos Estados Unidos vindo de países em conflito.
O pedido mais explícito de expulsão partiu de Isaiah Martin, comentarista político e candidato ao Congresso pelo Texas. Em post no X, Martin defendeu a deportação de Flávio logo no primeiro dia de um eventual governo democrata e questionou o uso de recursos públicos americanos na proteção e transporte da família.
A movimentação também repercutiu nas redes sociais entre apoiadores e opositores de Trump, gerando questionamentos sobre a acolhida ao parlamentar e a postura de autoridades americanas.
Até o momento, o governo americano não deu detalhes sobre o tipo de visto concedido nem confirmou se houve pedido de asilo.
O autoexílio
A saída do Brasil ocorre dias após a derrota no segundo turno e após Flávio Bolsonaro não entregar o passaporte às autoridades, descumprindo a ordem expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A travessia do derrotado até Miami envolveu uma passagem terrestre pela fronteira com a Argentina, onde a família apresentou documentos de identidade, para então embarcar em um voo privado rumo aos Estados Unidos.
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Já em solo americano, o senador publicou uma carta aberta nas redes sociais recheada de teses de fraude eleitoral e ataques ao Judiciário, além de agradecimentos ao acolhimento de Donald Trump e do presidente argentino Javier Milei. O documento provocou reação imediata pelo tom agressivo e, principalmente, por trazer o parlamentar autodeclarado como "presidente eleito" do Brasil.
Diante da repercussão negativa e do desgaste com a própria base aliada, a publicação foi alterada horas depois. Na versão editada, a reivindicação explícita da Presidência deu lugar ao título de "líder do Brasil", enquanto o parlamentar sustentou a tese de que passaria a comandar a oposição ao governo Lula a partir do exterior, tentando desenhar uma narrativa de exílio político.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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