Flávio se declara “presidente eleito” e alega fraude em carta repleta de mentiras para justificar sua fuga
Principais pontos
- Flávio afirma ser o “verdadeiro presidente eleito”, contrariando o resultado oficial do TSE.
- Senador atribui a derrota à extensão da votação, um discurso sem fundamento na realidade para se justificar junto a apoiadores e quase 60 milhões de eleitores.
- Apenas 34.393 votos foram registrados após as 17h, ante uma diferença final superior a 4,4 milhões.

Em carta divulgada após sua chegada aos Estados Unidos, senador contesta a vitória de Lula, promete liderar a oposição do exterior e agradece a Trump e Milei
O senador Flávio Bolsonaro (PL) declarou ser o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e voltou a alegar, sem apresentar provas, que a eleição presidencial vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi fraudada. A afirmação consta de uma carta divulgada nesta quarta-feira (28), horas depois de Flávio desembarcar com a família nos Estados Unidos. O senador fugiu do país se valendo de seu passaporte italiano, uma vez que o documento brasileiro foi cancelado ontem por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O texto foi divulgado em seu perfil no X e, inicialmente, no blog do apoiador Paulo Figueiredo, também radicado nos Estados Unidos e parceiro do irmão Eduardo Bolsonaro na campanha conduzida contra o Brasil junto ao governo Trump. Na primeira versão, a carta contava com um brasão nacional não usado desde março de 1967, em que consta a denominação de Estados Unidos do Brazil.
Há 59 anos, o nome oficial do país é República Federativa do Brasil (com S e não com Z). Depois de percebido o erro, o documento foi apagado do perfil e republicado com o brasão correto pelo perfil de Flávio na mesma rede. Outra correção realizada no documento foi a substituição do termo "presidente eleito" por "líder do Brasil".
Na carta, um amálgama de alegações mentirosas e fake news, Flávio agradece aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pela acolhida. Ele afirma ter deixado o Brasil por considerar que seria alvo de perseguição política e diz que passará a liderar a oposição brasileira do exterior.
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“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, afirma o senador. Em outro trecho, diz que apresentará nos próximos dias uma estratégia de mobilização da oposição “por todos os meios pacíficos e legítimos”.
Flávio também se compara a figuras políticas que atuaram no exílio, como Ruy Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, Juan Guaidó e Edmundo González. Ele chama o governo e o sistema judicial brasileiros de “regime de exceção” e acusa integrantes do STF de perseguição, sem apresentar elementos que comprovem as acusações.
O resultado oficial, porém, aponta Lula como vencedor do segundo turno, em 25 de outubro. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente foi reeleito com 64.256.232 votos, ou 51,79% dos votos válidos. Flávio recebeu 59.826.041 votos, equivalentes a 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos.
Alegação sobre a extensão da votação
O principal argumento apresentado por Flávio é a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que manteve a votação até às 19h nas seções que ainda não tinham sido encerradas às 17h. O senador afirma que eleitores foram submetidos a regras diferentes e que a medida teria permitido uma “impossibilidade matemática”.
Os dados oficiais não sustentam a alegação. O TSE contabilizou 34.393 votos registrados depois das 17h em todo o país, o equivalente a cerca de 0,03% dos votos, quantidade muito inferior à vantagem obtida por Lula.
A decisão de Zanin foi motivada por relatos de problemas no transporte público. Segundo o STF e o TSE, as duas candidaturas apresentaram reclamações relacionadas ao deslocamento de eleitores e a questões climáticas. A extensão valeu apenas para seções que permaneciam abertas às 17h; urnas já encerradas não foram reabertas.
Flávio também destaca que Lula ganhou mais de 10 milhões de votos entre os dois turnos e classifica o crescimento como matematicamente impossível. Os números são corretos, mas não demonstram irregularidade: no segundo turno, os votos dos demais candidatos ficam disponíveis para migração, e a abstenção também caiu. O TSE registrou 53.879.538 votos para Lula no primeiro turno e 64.256.232 no segundo.
O Partido Liberal, legenda de Flávio, reconheceu formalmente a vitória de Lula em nota assinada pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. O PL afirmou que pretende buscar esclarecimentos, mas não endossou a declaração de que Flávio teria vencido a eleição.
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A carta foi divulgada no mesmo dia em que o senador chegou a Miami, após deixar o Brasil apesar de uma ordem judicial que o proibia de viajar e determinava a entrega de seus passaportes. Até a publicação deste texto, não havia mandado de prisão contra ele.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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