Artigo | Como os projetos de Lula e Flávio se relacionam à imigração

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Source: JIM WATSON / AFP

A eleição presidencial brasileira de 2026 coloca em debate diferentes projetos de política externa e suas possíveis repercussões nas relações com os Estados Unidos. Para brasileiros que planejam trabalhar, empreender ou estabelecer residência no país, compreender esses cenários exige observar não apenas o discurso dos candidatos, mas também os movimentos diplomáticos, econômicos e migratórios em curso.

O presidente Lula (PT) prioriza o multilateralismo e o fortalecimento das relações com países do Sul Global. Já Flávio Bolsonaro (PL) defende uma aproximação mais estreita com Donald Trump e líderes alinhados a sua orientação política. Essas diferenças podem influenciar as prioridades diplomáticas e comerciais do Brasil, embora os efeitos concretos dependam das decisões adotadas pelos dois governos.

Sinais diplomáticos e econômicos merecem atenção

Em 2 de outubro, às vésperas do primeiro turno, EUA e Austrália suspenderam temporariamente os serviços consulares presenciais no Brasil alegando preocupações de segurança. O episódio chamou a atenção pelo contexto, mas não permite concluir que as medidas tiveram motivação ou representam alterações na política migratória.

O mercado financeiro também acompanha as expectativas em torno da eleição. Em 19 de outubro, o dólar registrou queda frente ao real, em movimento influenciado por fatores domésticos e internacionais.

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O câmbio é relevante para quem planeja uma mudança de país, pois afeta despesas com taxas, documentação e manutenção no exterior. Mas uma oscilação diária não comprova, isoladamente, confiança em determinado candidato nem antecipa mudanças nas regras migratórias.

Esses acontecimentos ajudam a contextualizar o momento, mas precisam ser analisados com cautela. São sinais do ambiente político e econômico, não evidências suficientes de uma alteração nas condições de entrada nos Estados Unidos.

EUA buscam talentos, mas elevam exigências

Um aspecto especialmente relevante para profissionais brasileiros é a orientação americana em relação à mão de obra estrangeira qualificada. A política anunciada pela Casa Branca para a categoria H-1B reforça a intenção de priorizar contratações consideradas necessárias para a economia americana, com foco em profissionais altamente qualificados.

Ao mesmo tempo, a medida prevê restrições e exigências financeiras significativas para determinadas contratações, incluindo um pagamento de US$ 100 mil nas situações abrangidas pela regra, sujeitas às exceções aplicáveis.

Esse cenário evidencia uma diferença importante: os EUA podem buscar talentos internacionais sem oferecer acesso facilitado a todos os profissionais estrangeiros. Qualificação, experiência e contribuição potencial para o mercado americano podem ser relevantes, mas não garantem a aprovação de um visto.

Categorias como H-1B, EB-2 e EB-3 possuem requisitos específicos, que variam conforme o perfil do candidato e a modalidade migratória. Por isso, a escolha da estratégia deve considerar a formação, a trajetória profissional, a existência de oportunidades de trabalho e as exigências legais vigentes.

O que pode mudar com a eleição brasileira?

Uma aproximação diplomática mais estreita entre Brasília e Washington poderá favorecer o diálogo econômico e abrir espaço para iniciativas de cooperação. Diferenças políticas, por sua vez, têm potencial para alterar prioridades e o tom das relações bilaterais. Mas não é possível afirmar que a vitória de um dos candidatos, por si só, facilitará ou dificultará a imigração de brasileiros.

A política migratória americana continua subordinada às decisões e à legislação dos EUA. Para profissionais, famílias e empresários, o mais prudente é acompanhar a evolução das relações entre os países sem adiar o planejamento ou basear decisões exclusivamente em expectativas eleitorais.

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O resultado das urnas poderá influenciar a orientação internacional do Brasil. Seus efeitos sobre a imigração dependerão, porém, de decisões concretas, das condições econômicas e das regras americanas. Neste cenário, informação qualificada e planejamento jurídico são fundamentais para identificar oportunidades e reduzir riscos.

*Vinícius Bicalho é advogado licenciado nos EUA, Brasil e Portugal. É mestre em Direito pela University of Southern California, membro da AILA (American Immigration Lawyers Association) e especialista em imigração internacional. 

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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