EUA e Austrália fecham embaixadas no Brasil às vésperas da eleição em meio a tensão sobre possível interferência
Principais pontos
- EUA suspenderam serviços consulares na embaixada e consulados no Brasil nesta sexta-feira, 2, alegando preocupações de segurança, sem informar qual seria a ameaça.
- Austrália também fechou a embaixada em Brasília e orientou seus cidadãos a evitar instalações diplomáticas americanas; governo australiano mencionou risco de terrorismo.
- Decisão ocorre em meio a alertas sobre uma possível interferência dos EUA na eleição brasileira, enquanto Donald Trump disse que acompanha o pleito “muito de perto”.

As embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália suspenderam as atividades presenciais no Brasil nesta sexta-feira, 2, dois dias antes do primeiro turno das eleições de 2026.
A diplomacia americana justificou o fechamento da embaixada em Brasília e dos consulados em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre por “questões de segurança”, mas não informou qual seria a ameaça nem estabeleceu uma data para a retomada dos serviços.
O Departamento de Estado americano também orientou cidadãos dos EUA que precisem de assistência emergencial a não comparecer às instalações diplomáticas durante o período de suspensão.
Segundo a agência de notícias Reuters, a Casa Branca afirmou que trabalha em conjunto com autoridades brasileiras para lidar com as preocupações de segurança, mas não relacionou oficialmente o alerta ao primeiro turno da eleição, marcado para domingo, 4.
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A decisão americana foi seguida pela Austrália. A embaixada australiana em Brasília permaneceu fechada nesta sexta-feira, citando preocupações de segurança e o alerta emitido pelos EUA. O governo australiano recomendou ainda que seus cidadãos evitassem as embaixadas e consulados americanos no Brasil. Em seu aviso, a Austrália mencionou a possibilidade de ataques terroristas em locais públicos e orientou estrangeiros a permanecerem atentos.
A nação mantém, assim como os EUA, participação no Five Eyes, aliança de compartilhamento de inteligência que conta ainda com Reino Unido, Canadá e Nova Zelândia. Apesar do alerta, a classificação australiana de risco para viagens ao Brasil permanece no nível 2, que recomenda “exercer um alto grau de cautela”.
Fechamento se dá em momento de tensão política
A coincidência entre o fechamento das representações diplomáticas e a reta final da eleição acrescentou um novo elemento à crise nas relações entre Brasília e Washington. Nos últimos meses, o governo de Donald Trump adotou sanções comerciais e diplomáticas contra o Brasil, enquanto integrantes da oposição brasileira estreitaram contatos com autoridades americanas.
Na segunda-feira, 28, três senadores democratas dos EUA — Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch — enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, questionando a atuação do governo Trump na eleição brasileira. Os parlamentares questionaram, entre outros pontos, se Washington se comprometeria a reconhecer o resultado certificado das urnas e a manter relações diplomáticas normais com o candidato escolhido pelos brasileiros.
Os senadores mencionaram como pontos de preocupação o tarifaço imposto ao Brasil, medidas adotadas durante o processo contra Jair Bolsonaro (PL), o encontro de Trump com o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) na Casa Branca e a atuação de Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado para assuntos brasileiros.
As manifestações de parlamentares americanos, porém, não equivalem a uma confirmação de que o governo Trump esteja promovendo uma interferência eleitoral. O próprio Departamento de Estado rejeitou acusações de ingerência, segundo a Reuters. A suspensão dos serviços consulares também não foi oficialmente apresentada pelos EUA como uma medida relacionada à eleição.
Trump diz acompanhar eleição 'muito de perto'
O episódio ocorreu um dia depois do mandatário americano afirmar que acompanha “muito de perto” a eleição presidencial brasileira. Questionado por jornalistas na quinta-feira, 1º,Trump afirmou que o Brasil e seu pleito são “muito importantes”, mas não declarou apoio explícito a nenhum candidato naquela ocasião.
Acontece que o republicano tem proximidade política reconhecida com Flávio Bolsonaro e o objetivo declarado de contribuir para a eleição de mais chefes de Estado alinhados a seus objetivos na América do Sul, como mostrou o GSW Brasil.
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Ao mesmo tempo, Washington afirmou anteriormente que respeitaria o resultado das urnas brasileiras. Uma fonte do governo Trump disse à CNN Brasil que os EUA reconhecerão a escolha dos brasileiros.
Em análise publicada nesta sexta-feira, o correspondente internacional Jamil Chade relacionou o fechamento dos postos americanos ao ambiente de tensão eleitoral. Segundo a apuração do jornalista, integrantes do alto escalão do governo brasileiro interpretaram a medida como mais um sinal de possível ingerência americana.
Chade destacou, porém, um ponto relevante: os EUA não elevaram a classificação de risco para turistas que viajam ao Brasil, apesar do fechamento dos postos. Na avaliação dele, a sinalização pública de que Washington teme violência pode contribuir para a construção de uma percepção internacional de instabilidade em torno da eleição.
Outros analistas da área, como Lourival Sant'Anna, da CNN Brasil, avaliam que a postura intervencionista pode provocar efeito contrário ao pretendido: segundo ele, sinais de interferência podem provocar reação negativa entre eleitores e levar impopularidade a candidatos alinhados a Trump. Essa percepção pode contribuir para demover os interesses do republicano.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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