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Violência contra mulher cresce quase 30% em dias de jogo

Principais pontos

  • Ocorrências de lesão corporal dolosa praticadas contra mulheres registram um salto de 28,9% na ocasião, enquanto os casos de ameaça crescem 27,4%.
  • Estudo mostra ainda estatísticas mais elevadas entre vítimas brancas do que entre negras.
Segundo o estudo, as ocorrências de lesão corporal dolosa praticadas contra mulheres registram um salto de 28,9%.
Segundo o estudo, as ocorrências de lesão corporal dolosa praticadas contra mulheres registram um salto de 28,9%.
Source: Depositphotos
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Em dias de partidas de futebol no Brasil, as ocorrências de lesão corporal dolosa praticadas contra mulheres registram um salto de 28,9%, enquanto os casos de ameaça crescem 27,4%.

Os dados são da segunda edição do estudo “Futebol e Violência contra a Mulher”, lançado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O estudo mostra ainda estatísticas mais elevadas entre vítimas brancas do que entre negras.

Nos boletins de ocorrência analisados, o crescimento das lesões corporais em dias de jogos alcança 36,2% entre mulheres brancas, enquanto entre mulheres negras o aumento é de 23,2%, uma diferença de 13 pontos percentuais.

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Nos casos de ameaça, as notificações sobem 30,9% entre vítimas brancas contra 14,6% entre negras, uma distância de 16,3 pontos percentuais.

Segundo especialistas do Fórum, a menor variação entre as mulheres negras não reflete uma rotina doméstica mais segura, mas sim os obstáculos que distanciam a população negra dos órgãos de segurança pública.

Para a coordenadora de Gênero e Raça do FBSP, Juliana Brandão, a combinação entre rotinas de trabalho informal ou jornadas estendidas que afastam essas mulheres de casa durante as partidas, somada à desconfiança em relação às forças policiais e à naturalização do conflito no cotidiano, faz com que episódios de violência em dias de futebol sejam subnotificados.

Jovens são as principais vítimas

A faixa etária das vítimas também é mensurada pelo estudo. As mulheres com idade entre 15 e 29 anos são as mais impactadas pelo fenômeno, registrando uma alta de 44,4% tanto nas ameaças quanto nas lesões corporais dolosas em dias de jogo.

Quando a análise se restringe às agressões cometidas estritamente no ambiente residencial, o aumento atinge 35,1% para lesões corporais e 26,8% para ameaças nesse grupo jovem.

O calendário semanal também influencia a distribuição dos episódios violentos. Os registros de agressão física concentram seus picos nos sábados e domingos, acompanhando os horários tradicionais das rodadas do Campeonato Brasileiro e de copas nacionais e continentais.

Já as ameaças atingem seus maiores níveis nos domingos, nas sextas-feiras e nas segundas-feiras, período que frequentemente sucede os resultados dos confrontos do fim de semana.

O levantamento analisou 219 mil ocorrências de ameaça e 88 mil casos de lesão corporal reportados à polícia entre 2023 e 2025 em cinco capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre. Os números atuais superam os apurados na primeira edição da pesquisa, que cobriu o período de 2015 a 2018 e indicava altas de 20,8% para lesões corporais e de 23,7% para ameaças.

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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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