Tesouro Direto cresce 43% em um ano; entenda como investir
Principais pontos
- O valor total aplicado no Tesouro Direto chegou a R$ 279,3 bilhões em setembro, crescimento de 43% em relação ao mesmo mês de 2025, mostra balanço recentemente divulgado.
- O programa ganhou mais de 700 mil investidores ativos em 12 meses e já reúne 3,9 milhões de pessoas com dinheiro aplicado.
- Mais de 61% das operações de investimento realizadas em setembro foram de até R$ 1 mil, mostrando a participação dos pequenos aportes.

O Tesouro Direto, programa que permite a pessoas físicas investir em títulos da dívida pública federal, chegou a R$ 279,3 bilhões em setembro, alta de 43% sobre o mesmo mês de 2025 (R$ 195,3 bilhões). Os dados são de balanço divulgado pelo Tesouro Nacional em 29 de outubro. Os números refletem período anterior ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro.
O valor representa o estoque, que inclui o dinheiro aplicado e a valorização dos títulos. Em setembro, os investidores compraram R$ 8,77 bilhões em títulos e resgataram R$ 3,94 bilhões, incluindo os vencimentos. A entrada líquida de recursos foi de R$ 4,83 bilhões.
O programa encerrou setembro com 3,92 milhões de investidores ativos, aumento de 22,3% em 12 meses. Somente naquele mês, 92.224 pessoas passaram a integrar essa base. Já o número de cadastrados chegou a 36,7 milhões, mas nem todos mantêm dinheiro aplicado.
Os pequenos aportes tiveram participação expressiva: das 1,25 milhão de operações de investimento realizadas em setembro, 61,3% envolveram valores de até R$ 1 mil. O valor médio por operação, porém, foi de R$ 7.019,82, indicando o peso das aplicações maiores.
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Como funciona o Tesouro Direto?
Ao comprar um título público, o investidor empresta dinheiro ao governo federal e recebe uma remuneração conforme as condições estabelecidas para aquele papel. Existem diferentes modalidades, que atendem a objetivos e prazos distintos.
O Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros da economia e costuma ser utilizado por quem deseja formar uma reserva de emergência ou manter dinheiro disponível para necessidades de curto prazo.
O Tesouro Reserva, lançado em maio de 2026, também acompanha a Selic, mas tem características próprias: permite aplicações a partir de R$ 1, não sofre oscilações de preço provocadas pela marcação a mercado e oferece resgate imediato, inclusive nos fins de semana e feriados. Criado para facilitar a formação de reservas de emergência, está disponível inicialmente apenas para clientes do Banco do Brasil, pelo aplicativo Investimentos BB.
O Tesouro IPCA+ oferece uma remuneração composta pela inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mais uma taxa de juros definida na compra. É uma alternativa para objetivos de prazo mais longo, especialmente quando se pretende preservar o poder de compra.
No Tesouro Prefixado, o investidor conhece desde o início a taxa de juros contratada e pode calcular quanto receberá no vencimento, desde que mantenha o título até essa data.
O programa também oferece o Tesouro Educa+, voltado ao financiamento de despesas com educação, e o Tesouro RendA+, destinado à formação de uma renda complementar na aposentadoria. Os dois acompanham a inflação mais uma taxa de juros e, após o período de acumulação, oferecem pagamentos mensais por cinco e 20 anos, respectivamente.
Em setembro, os títulos vinculados à Selic responderam por 57,5% das compras. Os indexados à inflação representaram 24,9%, enquanto os prefixados ficaram com 17,7%.
Quanto é preciso para começar a investir?
Não é necessário comprar um título inteiro. O Tesouro Direto permite adquirir frações, respeitando os valores mínimos e os preços disponíveis no momento da operação. O investimento inicial varia conforme o título escolhido. No Tesouro Reserva, é possível começar com apenas R$ 1.
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Para participar, é necessário ter CPF e conta em uma instituição financeira habilitada a operar com o Tesouro Direto. As aplicações podem ser feitas pelos canais dessa instituição ou pela plataforma do programa, conforme as condições de acesso.
Antes de investir, é importante definir quando o dinheiro será utilizado. Quem pretende fazer uma reserva de emergência tem necessidades diferentes de quem está poupando para a aposentadoria ou a educação dos filhos.
Quais são os riscos?
Embora os títulos públicos federais sejam considerados de baixo risco de crédito, o investidor pode ter prejuízo se precisar vender antes do vencimento.
Os preços dos títulos variam conforme os juros de mercado. Quando as taxas sobem, os títulos prefixados e vinculados à inflação já comprados tendem a perder valor, especialmente os de prazo mais longo. Quem vende nessa situação pode receber menos do que investiu. Ao manter o título até o vencimento, recebe a remuneração prevista nas condições da compra.
O Tesouro Selic costuma apresentar oscilações menores, razão pela qual é utilizado em reservas de emergência. O Tesouro Reserva, por sua vez, não está sujeito às perdas decorrentes da marcação a mercado.
Também é preciso considerar os custos. Os rendimentos estão sujeitos ao Imposto de Renda, com alíquotas que diminuem conforme o prazo da aplicação. Resgates em menos de 30 dias podem ter IOF sobre os rendimentos. A B3, bolsa de valores brasileira, cobra uma taxa anual de 0,20% pela guarda e pelo registro dos títulos.
No Tesouro Selic e no Tesouro Reserva, os primeiros R$ 10 mil investidos são isentos; acima desse valor, a cobrança incide apenas sobre o excedente. Outros títulos têm regras específicas, e a instituição financeira também pode cobrar taxas.
Por isso, antes de investir, compare os títulos, confira os vencimentos e avalie se poderá precisar do dinheiro antes do prazo.
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Oscilações depois do resultado do segundo turno
Vale reforçar que o balanço de setembro não incorpora as oscilações do mercado financeiro após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). As taxas oferecidas pelos títulos públicos subiram depois da votação.
Na manhã desta terça-feira (3), o Tesouro Prefixado com vencimento em 2032 oferecia juros de 15,63% ao ano, conforme cotações do Tesouro Nacional.
O balanço de outubro, previsto para 24 de novembro, deverá mostrar como evoluíram as compras e os resgates no período da eleição e nos dias seguintes.
Crédito da foto - Depositphotos
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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