Em resposta ao TSE, Meta nega privilégio a Flávio, cita auditoria e pede fim de multas

Principais pontos

  • A Meta pediu ao TSE o cancelamento de multas e negou favorecer Flávio Bolsonaro, apresentando dados sobre moderação de IA e revisão humana de anúncios.
  • O relator Marco Aurélio Bellizze cobrou provas de tratamento igualitário às campanhas, sob ameaça de elevar a multa diária para R$ 1 milhão.
  • Campanhas apontam falhas de moderação na plataforma, enquanto a equipe do petista pede a cassação da chapa do adversário no TSE.
Meta excluiu o Brasil dos testes de seu novo modelo de checagem
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Source: Pixabay

A Meta enviou uma petição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para negar que tenha favorecido a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No documento encaminhado ao relator, ministro Marco Aurélio Bellizze, a empresa pediu o cancelamento de multas e apresentou dados sobre a moderação de conteúdos e o uso de inteligência artificial nas redes.

Segundo a empresa, uma auditoria analisou 1.204 publicações sinalizadas pelo uso de inteligência artificial durante o período eleitoral, das quais 720 foram suspensas ou tiveram os rótulos ajustados. A plataforma também informou ter criado um fluxo de revisão humana, com tempo de resposta de até duas horas, para avaliar bloqueios automáticos em contas de anúncios presidenciais.

A manifestação ocorreu após o ministro Bellizze dar prazo de 24 horas para a Meta comprovar tratamento igualitário às duas campanhas, sob pena de a multa diária subir de R$ 500 mil para R$ 1 milhão. O relator havia considerado insuficientes as explicações anteriores, afirmando que a empresa fixou prazos por conta própria e enviou documentos sem contexto. O TSE ainda não confirmou a homologação das medidas nem o cancelamento das multas.

Os nós da disputa no TSE

A disputa no tribunal começou após a campanha de Lula acusar a empresa de restringir o alcance de suas publicações e favorecer recomendações a Flávio Bolsonaro. Mensagens internas da Meta obtidas pela Folha mostraram que a conta do presidente ficou impedida de impulsionar postagens no Instagram por quase 24 horas no dia 9 de outubro. A equipe de Lula estima que 1,3 milhão de pessoas deixaram de ver os anúncios. A Meta alegou falha técnica.

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A apuração também indicou diferenças no funcionamento das ferramentas:

  • O perfil de Flávio aparecia em recomendações da plataforma, enquanto a conta de Lula nem sempre surgia em buscas diretas pelo seu nome.
  • A ferramenta da Meta aceitava criar imagens relacionadas à campanha de Flávio, mas recusava pedidos sobre Lula. A empresa informou ter corrigido o sistema para bloquear buscas por ambos os candidatos, mas testes feitos por usuários relatam o contrário.

Em 16 de outubro, a campanha de Flávio Bolsonaro também acionou o TSE. A equipe do senador acusou a Meta de permitir anúncios pejorativos contra sua candidatura e pediu para entrar na ação como terceira interessada. A Meta respondeu que atua de forma neutra e que as acusações das duas campanhas não têm fundamento. Folha de S.Paulo

Limitações técnicas e pedido de cassação

Na petição entregue ao TSE, a Meta citou limitações operacionais e declarou que não consegue separar a recomendação algorítmica de publicações feitas no formato colaborativo (Collabs) entre um candidato e um coautor.

Na visão de especialistas, os algoritmos das redes são configurados para priorizar conteúdos com alto engajamento, o que favorece postagens de apelo emocional.

“Esses sistemas dependem de inúmeras variáveis relacionadas à capacidade de manter a característica 'social' desses serviços, somada às adaptações constantes dos modelos de negócio”, afirmou ao UOL Tatiana Dourado, pesquisadora da PUC-Rio e diretora do Instituto Democracia em Xeque.

Também ao UOL, Bruno Mattos, coordenador de projetos do NetLab da UFRJ, afirmou que a ausência de acesso a dados detalhados impede determinar se as variações de alcance foram provocadas por falhas técnicas ou pelo funcionamento padrão dos algoritmos.

Além do processo sobre a distribuição de conteúdo, a campanha de Lula entrou com uma ação eleitoral pedindo a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro por suposto abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. O pedido aguarda análise do plenário do TSE.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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