Senado aprova redução de tributos sobre combustíveis com possível impacto na renda dos brasileiros
Principais pontos
- Projeto permite usar receitas extraordinárias do petróleo para reduzir tributos sobre diesel, gasolina, etanol, biodiesel e querosene de aviação.
- Tentativa é de compensar os efeitos da alta internacional do petróleo.

A aprovação, pelo Senado, do projeto que permite ao governo federal usar receitas extraordinárias obtidas com o petróleo para reduzir tributos sobre combustíveis abre uma discussão que vai além das contas públicas: quanto uma eventual queda nos preços da gasolina, do diesel, do etanol e do querosene de aviação pode representar para a renda dos brasileiros.
A proposta foi aprovada na quarta-feira, 12, por 61 votos a 2 e, como já havia passado pela Câmara dos Deputados, segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O mecanismo previsto no texto permite que o governo utilize receitas adicionais associadas ao setor de petróleo — como royalties, participações especiais, impostos e dividendos de estatais — para compensar a redução de tributos federais incidentes sobre combustíveis.
Menos gasto na bomba
O principal efeito esperado para os consumidores é direto: se a redução tributária for efetivamente repassada aos preços, parte do dinheiro que atualmente é destinada ao abastecimento poderá permanecer no orçamento das famílias.
RECOMMENDED FOR YOU

Lula e Trump conversam sobre tarifaço e acertam retomada de negociações
O impacto, porém, não se limita aos motoristas. O diesel é um dos principais custos do transporte rodoviário de cargas e influencia a precificação de produtos distribuídos pelo país. Uma redução no preço na bomba pode, portanto, reduzir custos de transporte e ajudar a conter pressões sobre os preços de alimentos e outras mercadorias.
Na prática, isso significa que uma eventual queda dos combustíveis pode produzir dois efeitos sobre o poder de compra: reduzir a despesa direta de quem abastece veículos e, indiretamente, aliviar custos incorporados aos preços de outros produtos.
O projeto autoriza a redução de tributos federais sobre óleo diesel rodoviário, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação. O texto também determina que eventual benefício concedido à gasolina preserve a competitividade do etanol.
Influência na renda depende de repasses
A aprovação da medida, entretanto, não significa automaticamente que todo o benefício fiscal chegará ao bolso do consumidor.
Os preços dos combustíveis continuam sujeitos às condições do mercado, incluindo o preço internacional do petróleo, câmbio, custos de produção, margens de distribuição e revenda e tributos estaduais. Por isso, o efeito sobre a renda disponível dependerá tanto do tamanho da desoneração quanto do repasse efetivo para o preço final.
O próprio desenho da política busca justamente amortecer um problema provocado pela alta internacional do petróleo. Quando a cotação do petróleo sobe, o Brasil pode arrecadar mais com a exploração e exportação da commodity, mas consumidores e empresas também enfrentam combustíveis mais caros. O projeto procura utilizar parte dessa receita adicional para compensar o impacto sobre os preços domésticos.
Diesel tem efeito especialmente amplo
Entre os combustíveis contemplados, o diesel tem importância particular para a renda das famílias porque está diretamente ligado ao transporte de cargas e ao abastecimento das cidades.
A lógica é semelhante à de uma cadeia: combustível mais barato reduz um dos custos de transporte; transporte mais barato pode diminuir o custo de circulação das mercadorias; e preços menores preservam o poder de compra dos salários.
RECOMMENDED FOR YOU

Por que o Pix entrou na conta do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
Se está acontecendo no Sul Global, está no nosso canal do WhatsApp.
Nós contamos as notícias que você precisa saber.
Inscreva-se agora