BC cria indicador para mostrar se reajustes salariais superam a inflação
Principais pontos
- Banco Central passa a divulgar mensalmente dados sobre os reajustes definidos em convenções coletivas do setor privado formal.
- Indicadores mostram quanto os salários subiram e qual a proporção de negociações com ganho real, ou seja, acima da inflação.
- Estudo do BC aponta que reajustes acima da inflação são mais frequentes quando o desemprego está baixo e o mercado de trabalho, mais aquecido.

O Banco Central (BC) passa a divulgar mensalmente um novo conjunto de indicadores que permite acompanhar os reajustes salariais negociados em convenções coletivas de trabalho no setor privado formal. Na prática, os dados ajudam a mostrar não apenas quanto os salários aumentaram, mas se os trabalhadores conseguiram ganhos acima da inflação.
As informações são extraídas do Sistema de Negociações Coletivas de Trabalho (Mediador), do Ministério do Trabalho e Emprego, e abrangem convenções de todas as regiões do país e de setores como agropecuária, indústria, construção, comércio e serviços.
Os indicadores mostram os reajustes nominais — o percentual de aumento acertado entre trabalhadores e empregadores — e os reajustes reais, que descontam a inflação. Também mostram a parcela das convenções que ficou acima, abaixo ou no mesmo nível da inflação.
Um reajuste de 6%, por exemplo, não significa necessariamente que o trabalhador ganhou poder de compra. Se a inflação considerada no período tiver sido de 5%, houve ganho real. Se tiver sido de 7%, o salário subiu, mas perdeu poder de compra.
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Desemprego baixo favorece ganho real
Um estudo divulgado pelo BC junto com os novos indicadores mostra uma relação entre a situação do mercado de trabalho e o resultado das negociações salariais. Quando a taxa de desemprego está relativamente baixa, os reajustes acima da inflação tendem a se tornar mais frequentes.
Isso ocorreu entre 2012 e 2014 e voltou a ser observado a partir de 2023, segundo o Banco Central. Em um mercado de trabalho mais aquecido, no qual há menos pessoas disponíveis para ocupar vagas, trabalhadores tendem a ter maior poder de negociação, enquanto empresas podem enfrentar mais dificuldade para contratar ou reter funcionários.
O BC também identificou uma forte relação entre os reajustes negociados e a inflação passada, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O índice é calculado pelo IBGE e acompanha a variação dos preços para famílias com renda de um a cinco salários mínimos.
Não existe obrigação legal de que as negociações coletivas reponham integralmente a inflação. Mesmo assim, a alta acumulada dos preços funciona como uma das principais referências nas discussões entre trabalhadores e empregadores.
Por que o Banco Central acompanha os salários
A evolução dos salários é uma das informações usadas pelo BC para avaliar o comportamento da inflação. Ganhos salariais reais podem aumentar o poder de compra das famílias e sustentar o consumo. Ao mesmo tempo, aumentos persistentes dos custos com mão de obra podem ser repassados pelas empresas aos preços, dependendo das condições de cada setor e da economia.
Por isso, acompanhar os reajustes negociados ajuda a autoridade monetária a avaliar se as pressões salariais são compatíveis com a trajetória esperada para a inflação.
Os novos indicadores serão atualizados mensalmente e ficarão disponíveis no Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do Banco Central.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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