Rubio encerra viagem pela América Latina com ofensiva contra narcotráfico e influência da China
Principais pontos
- Rubio encerra no Peru giro pela América Latina marcado pela aproximação com governos de direita e pelo combate ao narcotráfico.
- Na viagem, EUA ampliam cooperação de segurança com Colômbia e Equador e incluem o Peru no Escudo das Américas.
- Agenda também mira a crescente influência da China na região, em meio à disputa de Washington por espaço político e econômico.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, encerra nesta quinta-feira, 10, no Peru, uma viagem de três dias pela América Larina marcada pela ofensiva contra o narcotráfico e o crime organizado. Antes do Peru, Rubio esteve na Colômbia e no Equador.
A agenda também expôs o objetivo da administração de Donald Trump de conter a crescente influência da China na região.
Hoje Rubio se reúne em Lima com a presidente peruana, Keiko Fujimori, em sua primeira visita oficial ao país como chefe da diplomacia americana. O Peru é o mais recente integrante do Escudo das Américas, coalizão liderada pelos Estados Unidos para combater organizações criminosas transnacionais. A Colômbia também anunciou sua entrada durante a passagem do secretário por Bogotá.
A viagem ocorre em um momento de aproximação política entre Washington e governos conservadores que chegaram recentemente ao poder na América do Sul. Rubio se encontrou com o colombiano Abelardo de la Espriella, que assumiu a Presidência em agosto, com o equatoriano Daniel Noboa e, agora, com Keiko Fujimori, empossada no fim de julho. Os três governos adotam posições mais próximas às defendidas por Trump em temas como segurança, imigração e combate ao narcotráfico.
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Frente contra o narcotráfico
A segurança foi o principal ponto de convergência da viagem. Na Colômbia, Rubio anunciou o reforço da cooperação com o governo de De la Espriella, que pediu apoio americano para modernizar equipamentos usados no combate ao narcotráfico, incluindo drones, radares e aeronaves.
O presidente colombiano também defendeu um novo programa inspirado no Plano Colômbia, iniciativa lançada no fim dos anos 1990 que recebeu bilhões de dólares em apoio dos Estados Unidos.
No Equador, Rubio anunciou que pedirá ao Congresso americano US$ 45 milhões em recursos adicionais para a segurança do país e confirmou o envio de uma embarcação da Guarda Costeira e cinco barcos interceptadores para a Marinha equatoriana. Washington também pretende destinar US$ 10 milhões para ações contra mineração ilegal, recrutamento por organizações criminosas e operações de financiamento ilícito.
Durante a visita a Quito, Rubio classificou o grupo criminoso Los Tiguerones como organização terrorista estrangeira.
A medida restringe o acesso da organização ao sistema financeiro americano e amplia as possibilidades de ação dos Estados Unidos contra seus integrantes. Segundo o governo americano, o grupo está envolvido com narcotráfico e outras atividades criminosas e ficou conhecido internacionalmente após a invasão de uma emissora de televisão equatoriana durante uma transmissão ao vivo, em 2024.
Rubio também defendeu a estratégia militar americana contra o tráfico de drogas na região. A campanha dos Estados Unidos contra embarcações suspeitas de transportar drogas já matou mais de 220 pessoas em operações realizadas ao longo do último ano, segundo a Reuters. Em Quito, o secretário afirmou que Washington passou a privilegiar operações conjuntas com governos aliados, mas manteve a possibilidade de ataques militares contra embarcações consideradas ameaças.
O secretário americano aproveitou ainda a passagem pelo Equador para fazer críticas à esquerda latino-americana. Questionado sobre o risco de uma reação política às ações de Washington, Rubio afirmou que governos de esquerda "destruíram" países da região e associou esses grupos a organizações ligadas ao narcotráfico.
"Podemos enfrentar essa ameaça em parceria com outros presidentes e outros líderes desta região que pensam da mesma forma", disse Rubio, em uma referência à aproximação dos Estados Unidos com governos que compartilham sua visão sobre segurança.
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Disputa por influência
Por trás da agenda de segurança, a viagem também serviu para reforçar a disputa de Washington com Pequim pela influência política e econômica na América Latina. Na Colômbia, Rubio tratou de acordos envolvendo minerais críticos e cooperação nuclear civil, enquanto os Estados Unidos pressionam o novo governo a reduzir a dependência de investimentos chineses em setores considerados estratégicos.
No Peru, a questão é ainda mais sensível, já que a China é o principal parceiro comercial do país e possui forte presença em setores como infraestrutura e mineração. Antes de chegar a Lima, Rubio criticou investimentos chineses no país e afirmou que projetos apoiados por Pequim poderiam representar riscos à transparência e à segurança de dados.
A própria escolha dos países visitados reforça esse componente da estratégia americana. Colômbia, Equador e Peru mantêm relações comerciais importantes com a China e, ao mesmo tempo, passaram recentemente a ser governados por líderes de direita mais próximos de Trump. Para Washington, a aproximação em áreas como defesa, energia, tecnologia e infraestrutura também pode funcionar como instrumento para reduzir o espaço ocupado por Pequim na região.
A embaixada chinesa no Peru reagiu à movimentação de Rubio antes da chegada do secretário a Lima. "O hemisfério ocidental não é o 'quintal' de ninguém", afirmou a representação diplomática em uma publicação nas redes sociais.
*Com informações da AFP
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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