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OMS reage e defende vacinação após Trump reduzir imunização infantil nos EUA

Principais pontos

  • Governo norte-americano reduziu de 17 para 11 o número de doenças contra as quais a vacinação é recomendada de forma ampla para crianças.
  • OMS afirma que calendários de imunização devem considerar evidências científicas, riscos de cada doença e características dos sistemas de saúde
  • Mudança recebeu críticas de especialistas e entidades médicas, que alertam para maior vulnerabilidade a enfermidades evitáveis.
Donald Trump assinou uma ordem executiva que alterou as recomendações de vacinação infantil nos EUA.
Donald Trump assinou uma ordem executiva que alterou as recomendações de vacinação infantil nos EUA.
Source: Reprodução/ Casa Branca
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) defendeu nesta terça-feira, 11, que os calendários de vacinação infantil sejam definidos com base em evidências científicas, após o governo de Donald Trump reduzir o número de imunizações recomendadas de forma ampla para crianças nos Estados Unidos. A nova orientação americana abrange 11 doenças, ante 17 anteriormente.

Na segunda-feira, 10, Trump assinou uma ordem executiva que alterou as recomendações de vacinação infantil nos Estados Unidos.

A mudança não significa que as crianças norte-americanas passarão a tomar apenas 11 injeções. O número se refere às doenças para as quais o governo recomenda vacinação de rotina a todas as crianças. Algumas vacinas exigem mais de uma dose ao longo da infância.

Trump afirmou que a reformulação oferecerá às crianças uma proteção de “padrão-ouro” e aproximará o calendário americano do adotado por outros países desenvolvidos, alguns dos quais recomendam menos imunizações de forma universal. Especialistas ouvidos pela Reuters, no entanto, ressaltam que calendários nacionais não são diretamente comparáveis, porque os países enfrentam riscos diferentes de doenças e possuem sistemas de saúde distintos.

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O que diz a OMS

Em entrevista coletiva em Genebra, nesta terça, o porta-voz da OMS, Tarik Jašarević, afirmou que as recomendações de vacinação da organização são fundamentadas em mais de 60 anos de pesquisas, além de análises de autoridades nacionais e de grupos independentes de especialistas.

Segundo ele, o momento adequado para a aplicação de cada vacina é definido a partir de estudos sobre a idade em que as pessoas ficam mais vulneráveis a determinadas doenças e sobre o desenvolvimento do sistema imunológico.

A OMS também destacou o papel dos grupos técnicos consultivos nacionais de imunização. Formados por especialistas de diferentes áreas, eles fornecem recomendações aos governos e aos responsáveis pelos programas de vacinação. Esses grupos levam em consideração, entre outras referências, as orientações do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (Sage), da OMS.

“O que a OMS apresenta tem base científica”, afirmou Jašarević. Ele acrescentou que a entidade espera que os países utilizem as melhores evidências científicas disponíveis ao estabelecer suas políticas de vacinação.

O que mudou nos Estados Unidos

A nova política mantém como recomendações centrais as vacinas contra sarampo, caxumba, rubéola, poliomielite, coqueluche, tétano, difteria, Haemophilus influenzae tipo B (Hib), doença pneumocócica, HPV e varicela.

Com a reformulação, vacinas contra outras doenças, entre elas hepatite B, covid-19 e influenza, deixaram de integrar o conjunto de imunizações recomendadas de forma ampla para todas as crianças, segundo a Reuters.

A decisão dá continuidade a uma revisão da política de vacinação iniciada pelo governo Trump. Em dezembro de 2025, o presidente havia determinado que as autoridades de saúde comparassem o calendário dos Estados Unidos com o de outros países desenvolvidos e avaliassem mudanças nas recomendações.

A nova ordem também recomenda separar a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, em três aplicações individuais. A MSD, fabricante de vacinas, afirmou que não há evidências científicas publicadas de benefício com a separação e alertou que a necessidade de aplicações distintas pode aumentar o risco de atrasos ou de doses não tomadas.

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Especialistas criticam redução

A mudança provocou críticas de associações médicas, especialistas em saúde pública e fabricantes de vacinas nos Estados Unidos. Segundo esses grupos, não foram apresentadas novas evidências científicas que justifiquem a redução do calendário e as recomendações anteriores refletiam décadas de pesquisas e as necessidades epidemiológicas específicas do país.

Médicos também alertam que a mudança pode aumentar a vulnerabilidade de crianças a doenças que podem ser prevenidas pela vacinação e provocar confusão entre pais e responsáveis sobre quais imunizantes devem ser administrados e em que momento.

A reformulação é defendida pelo secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., que há anos questiona políticas de vacinação e já promoveu alegações relacionando vacinas ao autismo. Grandes estudos científicos e autoridades de saúde pública não encontraram evidências de relação causal entre vacinação e autismo.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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