Espriella anuncia fechamento de embaixadas e reforça 'cordão de Trump' na América do Sul
Principais pontos
- Presidente eleito da Colômbia rompe relações com Cuba e Nicarágua e decide encerrar atividades de 15 consulados e 14 embaixadas.
- 'El Tigre' deu justificativa orçamentária à medida, mas há convergência com avaliação de internacionalistas ouvidos pelo GSW Brasil de que mandatário se alinharia a 'cordão de Trump' na América do Sul.

Recém-eleito presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella anunciou que pretende romper as relações diplomáticas com os governos "tiranos" de Cuba e Nicarágua e que 15 consulados e 14 embaixadas em vários países terão suas atividades encerradas.
A lista de embaixadas fechadas inclui as de Argélia, Haiti, Barbados, Hungria, Senegal, Etiópia e Áfica do Sul. Espriella, que tomará posse em 7 de agosto, ainda unificará os escritórios colombianos na França e na Itália.
"No meu governo não haverá vínculo algum com tiranias", afirmou Espriella em relação a Cuba e Nicarágua -- cujo mandatário, Daniel Ortega, anunciou na última semana o cancelamento de eleições futuras para que a oposição não chegue ao poder.
"Com o restante dos países e organismos, a Colômbia manterá suas relações internacionais e garantirá o atendimento de seus cidadãos por meio de outras embaixadas", anunciou o presidente eleito, conhecido como 'El Tigre', nas redes sociais.
Espriella também pretende reabrir a representação colombiana em Jerusalém e suspender a instalação de uma embaixada na Palestina. A iniciativa havia sido determinação de Gustavo Petro, atual mandatário, que tem posição ideológica antagônica ao direitista recém-eleito.
A justificativa oficial é que o fechamento das embaixadas permitirá economizar dinheiro e reinvesti-lo em políticas de segurança. Os planos do político incluem a abertura de uma embaixada na Nigéria que "permitirá reorganizar e tornar mais eficiente" a presença colombiana no continente africano.
Fortes sinais
As iniciativas do presidente eleito reforçam a avaliação de que um "cordão de direita" ganha forma na América do Sul, liderado por um grupo de presidentes alinhado ao governo de Donald Trump.
Opositor do multilateralismo, o presidente dos Estados Unidos adota uma diplomacia agressiva contra governos politicamente antagônicos ao seu -- cartilha agora colocada em prática por Espriella, antes mesmo da posse.
'El Tigre' chegou ao poder com um roteiro similar aos que levaram, nos últimos anos, Javier Milei e José Antonio Kast a imporem derrotas à esquerda, respectivamente, na Argentina e no Chile.
“Trata-se de uma vertente de líderes radicais, de matriz midiática e populista. Uma direita que não se confunde com o conservadorismo de presidentes anteriores”, avaliou Regiane Bressan, professora de relações internacionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em entrevista ao Global South World Brasil.
Com a posse do colombiano, em agosto, o continente terá sete governos de direita, isolando os mandatários de Brasil, Uruguai e Venezuela no espectro oposto.

A minoria progressista é vista com bons olhos por Trump, que chamou de “grande vitória” a eleição de Espriella e compartilhou, nas redes sociais, um artigo que aponta oito vitórias "suas" na América Latina.
Para Tomaz Paoliello, vice-coordenador do mestrado em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), a consolidação da maioria direitista marca um ponto na “reaproximação da região com os EUA” e reforça a perspectiva de influência americana no continente — incluindo o Brasil.
“O efeito geopolítico mais imediato é a criação de um corredor estratégico de alinhamento a Washington na América do Sul, isolando a diplomacia do governo Lula — baseada no multilateralismo — na região”, acrescentou Regiane Bressan.
Com informações de AFP
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