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Ebola já matou mais de 2,6 mil pessoas na República Democrática do Congo e OMS corre contra o tempo
Principais pontos
- República Democrática do Congo já contabiliza mais de 2.600 mortes causadas pelo ebola. Metade delas ocorreram nos últimos 20 dias.
- Já foram confirmados 4.449 casos, em cinco províncias.
- Falta de vacina para a variante em circulação, diagnóstico tardio e instabilidade armada no território dificultam contenção do vírus.

Passa de 2,6 mil o número de mortes causadas pela atual epidemia de ebola na República Democrática do Congo. O contágio cresce aceleradamente, uma vez que não há vacina específica para a variante do vírus que está em circulação.
O avanço descontrolado da febre hemorrágica no país também é intensificado pelo diagnóstico tardio e pela instabilidade armada na região.
Diferente de crises sanitárias passadas, desta vez o surto é provocado pelo vírus Bundibugyo. E aí é que está o grande problema: ainda não existem imunizantes ou medicamentos com validação definitiva no mercado contra essa linhagem.
A velocidade com que a doença se espalha reflete a gravidade da tragédia. Os primeiros mil mortos foram registrados em nove semanas. Porém, esse número mais que duplicou nos últimos 20 dias.
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Registros indicam mais de 4,4 mil contaminações em cinco províncias do leste congolês, com destaque para a severidade dos focos em Ituri. Há cerca de 595 pacientes sob rigoroso isolamento ou hospitalização.
Diagnóstico tardio e confusão de sintomas
Um dos maiores desafios enfrentados na linha de frente é o atraso no socorro. Pela semelhança dos sintomas iniciais com os de enfermidades comuns na região — como malária, cólera e febre tifóide —, muitos doentes demoram a procurar os centros de isolamento.
Quando a caracterização clínica do ebola se manifesta por meio de hemorragias externas visíveis, o quadro já se encontra avançado. Como consequência, acaba resultando em mortes em ambiente doméstico, antes de qualquer intervenção especializada.
A taxa de letalidade do atual surto alcançou 45,9%, superando o percentual observado na grande epidemia da África Ocidental entre 2014 e 2016.
Em nota, lideranças da Organização Mundial da Saúde (OMS) e das Nações Unidas alertam que as equipes operacionais trabalham no limite para acompanhar o rastro da doença.
Paralelamente, esses times tentam conscientizar as comunidades locais sobre a necessidade de isolamento imediato ao sinal dos primeiros indícios de contágio.
Segundo a OMS, o rastreamento de contatos chegou a 83,4%. A meta é chegar a 85%, e a organização reforça a necessidade de intensificar ações de monitoramento, prevenção e mobilização comunitária.
Desafios estruturais e conflitos na região
A contenção da epidemia enfrenta barreiras que vão além da medicina. A precariedade das rotas de transporte terrestre inviabiliza o acesso rápido a vilarejos distantes, onde famílias numerosas coabitam em espaços reduzidos, favorecendo a proliferação do vírus.
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Além da geografia hostil, a crise é agravada por questões de segurança. A presença de agrupações rebeldes armadas bloqueia a circulação de agentes sanitários em áreas de risco.
Paralelamente, paralisações e greves promovidas por profissionais de saúde locais — motivadas pelo atraso no pagamento de vencimentos — paralisam frentes essenciais de atendimento.
O diretor regional da OMS para a África, Mohamed Janabi, expressou profunda preocupação com a gravidade da situação, classificando o surto na RD Congo como um desafio crítico de saúde pública.
Em entrevista coletiva para a imprensa, Janabi afirmou que as autoridades estão correndo contra o tempo, e que, por enquanto, o vírus está na frente.
Plano de emergência
A OMS está capacitando mais agentes comunitários e ampliando os leitos disponíveis para atender os pacientes afetados pelo Ebola.
Junto à organização The Africa Centres for Disease Control and Prevention (Africa CDC), a OMS elaborou um plano de resposta e prevenção estimado em US$ 518 milhões. Esse montante cobriria ações até dezembro deste ano.
A estratégia reúne governos, parceiros e comunidades sob uma abordagem unificada de “resposta única" (One Response) para fortalecer as medidas de resposta a surtos, incluindo coordenação de emergência, vigilância epidemiológica, testes laboratoriais, prevenção e controle de infecções, atendimento clínico, engajamento comunitário, pesquisa, logística e suporte a serviços essenciais de saúde.
Pelo lado positivo, cerca de 886 pacientes já se recuperam do ebola durante esta epidemia em andamento.
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Por fim, há duas novas vacinas contra essa cepa específica (Bundibugyo) sendo desenvolvidas, já na primeira fase de teste clínicos em humanos.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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