Copom interrompe cortes de juros e mantém Selic em 13,75% ao ano

Principais pontos

  • Comitê de Política Monetária interrompe sequência de cinco reduções da taxa básica de juros, iniciada em abril deste ano.
  • Banco Central projeta inflação de 5,6% neste ano, acima do teto da meta de 4,5%, e alerta para os efeitos da guerra no Oriente Médio.
  • Manutenção dos juros prolonga o cenário de crédito caro para famílias e empresas, mas favorece a rentabilidade de aplicações de renda fixa.
Edifício do Banco Central.
Edifício do Banco Central.
Source: Agência Brasil/ Antonio Cruz

Banco Central aponta riscos de inflação, alta do petróleo e instabilidade cambial para justificar decisão unânime

O Banco Central interrompeu nesta quarta-feira (4) a sequência de cinco cortes na taxa básica de juros e manteve a Selic em 13,75% ao ano. A decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom) ocorre em meio à turbulência financeira desencadeada pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à piora das expectativas de inflação e aos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo.

A manutenção dos juros já era esperada pela maioria dos economistas consultados pelo mercado financeiro. Como mostrou o GSW Brasil, a Bolsa acumulou seis quedas consecutivas após o segundo turno, enquanto o dólar chegou a ultrapassar R$ 5,50 na terça-feira (3). A desvalorização do real e as preocupações com as contas públicas aumentaram os riscos para a inflação e dificultaram a continuidade da redução dos juros.

No primeiro pregão após a eleição, em 26 de outubro, o Ibovespa despencou 13,88%, provocando a suspensão temporária das negociações, enquanto o dólar saltou para R$ 5,40. A reação refletiu a desconfiança de investidores sobre os rumos da política fiscal e o desfazimento de posições financeiras que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro.

No comunicado divulgado após a reunião, o Copom destacou a possibilidade de uma desvalorização persistente do real, os efeitos da política fiscal e o encarecimento do petróleo entre os fatores que exigem cautela na condução da política monetária.

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Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, seu maior patamar em quase duas décadas. Os cortes começaram em abril, em um cenário de desaceleração da inflação, mas o agravamento dos conflitos internacionais, o fenômeno climático El Niño e a recente instabilidade cambial dificultaram sua continuidade.

O Banco Central também apontou que a economia brasileira apresenta sinais mais acentuados de desaceleração, principalmente nos setores mais sensíveis às oscilações da atividade econômica. O mercado de trabalho continua mostrando resistência, mas os indicadores mais recentes já revelam sinais de perda de ritmo.

Apesar do enfraquecimento da economia, a autoridade monetária considera necessário manter os juros elevados para conter a pressão sobre os preços.

Inflação deve superar o teto da meta em 2026

O Copom elevou para 5,6% sua projeção de inflação em 2026, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Para 2027, a estimativa é de 4,7%. Os dois resultados superam o teto de 4,5% estabelecido pelo sistema de metas de inflação.

A meta central perseguida pelo Banco Central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

As expectativas do mercado financeiro também pioraram. Segundo a pesquisa Focus, realizada semanalmente pelo Banco Central com instituições financeiras, a inflação deve terminar 2026 em aproximadamente 5,2% e 2027 em 4,8%. Antes do início da guerra no Oriente Médio, a previsão para este ano estava em 3,95%.

O Copom também elevou para 3,5% sua projeção de inflação para o segundo trimestre de 2028, período atualmente utilizado como referência para as decisões sobre os juros.

A autoridade monetária demonstrou preocupação com a possibilidade de que as expectativas de inflação elevada influenciem a formação dos preços nos próximos anos, tornando mais difícil e custoso o retorno à meta.

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Em outubro, o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, ficou em 0,32%, beneficiado pela redução das contas de energia elétrica. No acumulado de 12 meses, entretanto, o indicador avançou de 4,5% para 4,62%, ultrapassando o limite de tolerância.

Como a manutenção da Selic afeta o bolso dos brasileiros?

A Selic é a principal ferramenta utilizada pelo Banco Central para controlar a inflação e serve de referência para as demais taxas de juros da economia.

Quando os juros permanecem elevados, empréstimos, financiamentos e operações de crédito tendem a continuar caros. Isso afeta tanto as famílias que precisam financiar compras ou renegociar dívidas quanto as empresas que dependem de recursos para investir, produzir e ampliar suas atividades.

A manutenção da taxa também pode desestimular o consumo e os investimentos, contribuindo para a desaceleração da economia.

Por outro lado, os juros elevados favorecem aplicações financeiras de renda fixa vinculadas à Selic ou ao CDI, como o Tesouro Selic e determinados certificados de depósito bancário (CDBs). A rentabilidade efetiva varia conforme as condições de cada investimento, os impostos e as taxas cobradas.

A perspectiva de crescimento econômico também perdeu força. No último Relatório de Política Monetária, divulgado em setembro, o Banco Central reduziu para 1,8% a previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. O mercado financeiro estima crescimento de 1,76%, abaixo dos 1,85% projetados quatro semanas antes.

Mesmo diante da desaceleração, o Copom avalia que a manutenção dos juros é necessária para assegurar a convergência da inflação à meta. O comitê afirmou que continuará acompanhando os indicadores econômicos e os efeitos da política fiscal, sem antecipar quando poderá retomar os cortes.

A decisão foi tomada pelos sete integrantes que participaram da reunião, presidida por Gabriel Galípolo. O colegiado está com duas vagas abertas desde o fim de 2025, após o encerramento dos mandatos dos diretores Renato Gomes e Diego Guillen.

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Com informações da Agência Brasil

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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