O retrato do Senado: mais feminino e mais à direita

Principais pontos

  • Eleição de 12 senadoras estabelece recorde e leva a uma projeção de 18 mulheres em 2027; número poderá variar após o segundo turno.
  • Distrito Federal terá 100% das cadeiras ocupadas por mulheres, situação inédita entre todas as unidades da Federação.
  • Partidos de direita e centro-direita devem passar de 36 senadores no início da atual legislatura para 50 em 2027; PL terá a maior bancada, com 28 integrantes.
Foram eleitas no primeiro turno 12 senadoras, um recorde na história da chamada Casa Alta.
Foram eleitas no primeiro turno 12 senadoras, um recorde na história da chamada Casa Alta.
Source: Montagem feita por IA com reprodução de fotos das candidatas no TSE

O Senado que começará a trabalhar em fevereiro de 2027 terá uma configuração bastante diferente da atual: será mais feminino e terá uma presença maior de partidos de direita e centro-direita. Das 81 cadeiras, 54 foram renovadas neste domingo, 4. Outras 27 pertencem a senadores eleitos em 2022, com mandato até 2031.

A mudança inédita está na presença das mulheres. Foram eleitas 12 senadoras, um recorde na história do Congresso Nacional. Até então, a maior marca havia sido registrada em 2002, quando oito candidatas se elegeram senadoras. Em 2018, último pleito em que também foram definidos dois terços do Senado, sete foram eleitas. Neste ano, 69 mulheres concorreram ao Senado, o equivalente a 22% das 314 candidaturas ao cargo. A proporção contrasta com a composição do eleitorado brasileiro: segundo o TSE, as mulheres são 52,81% do eleitorado (representando 83,8 milhões de votantes).

Somadas às mulheres que ocupam cadeiras com mandato até 2031, a bancada feminina deve chegar a 18 integrantes em 2027, ou 22,2% dos 81 senadores. Atualmente são 15. Essa projeção considera a ocupação atual das cadeiras que têm mandato até 2031 e poderá mudar até fevereiro.

Ao longo de 2026, a Casa chegou a ter 16 senadoras simultaneamente em exercício, o equivalente a 19,8% das cadeiras.

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Além disso, pela primeira vez no Brasil, as três cadeiras no Senado de uma unidade da federação serão ocupadas exclusivamente por mulheres. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, foram eleitas pelo Distrito Federal e se juntarão a Damares Alves (Republicanos), que tem mandato até 2031.

Quem são as 12 senadoras eleitas

A posse das novas senadoras acontece em fevereiro de 2027. Elas cumprirão um mandato de oito anos, até 2035. São elas:

  • Mara Rocha (Republicanos-AC)
  • Marina JHC (PSDB-AL)
  • Rayssa Furlan (Podemos-AP)
  • Luizianne Lins (Rede-CE)
  • Michelle Bolsonaro (PL-DF)
  • Bia Kicis (PL-DF)
  • Gracinha Caiado (União-GO)
  • Marília Campos (PT-MG)
  • Marília Arraes (PDT-PE)
  • Samanda de Lula (PT-RN)
  • Teresa Surita (MDB-RR)
  • Carol de Toni (PL-SC)

Entre elas, Marília Campos (PT-MG) foi a mulher mais votada para o Senado no país, com 3.990.342 votos.

Quem ocupa cadeiras com mandato até 2031

Seis mulheres ocupam atualmente cadeiras cujo mandato vai até 2031:

  • Damares Alves (Republicanos-DF)
  • Professora Dorinha Seabra (União-TO)
  • Teresa Leitão (PT-PE)
  • Tereza Cristina (PP-MS)
  • Jussara Lima (PSD-PI)
  • Lourdinha Pereira (PSB-MA)

É preciso ressaltar que há a possibilidade de esse quadro mudar. Damares Alves, Professora Dorinha, Teresa Leitão e Tereza Cristina foram eleitas titulares em 2022.

Jussara Lima é suplente de Wellington Dias (PT-PI) e exerce o mandato enquanto ele ocupa o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. Se ele deixar o governo e reassumir o mandato no Senado, Jussara deixará a Casa e, mantidas as demais condições, a bancada feminina projetada para 2027 cairá de 18 para 17 integrantes.

No Maranhão, Lourdinha Pereira também é suplente. Ela ocupa temporariamente a vaga de Ana Paula Lobato (PSB), licenciada até novembro. Ana Paula é a titular da cadeira, com mandato até 2031. A eventual volta dela não altera a presença feminina nem a composição partidária, já que ambas são mulheres e filiadas ao PSB.

Professora Dorinha disputa o segundo turno para o governo do Tocantins. Caso seja eleita em 25 de outubro e deixe o Senado, sua primeira suplente é Professora Lu (União-TO). Assim, essa eventual substituição também não reduziria a presença feminina nem mudaria a classificação da cadeira, já que ambas são do União Brasil.

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O número de mulheres poderá, inclusive, aumentar depois do segundo turno. Omar Aziz (PSD-AM), que tem mandato no Senado até 2031, disputa o governo do Amazonas. Se for eleito e deixar a Casa, sua primeira suplente, Cheila Moreira (PT-AM), assumirá a cadeira. Nesse cenário, a bancada feminina poderá passar das 18 integrantes atualmente projetadas para 19. A substituição também mudaria a distribuição política da Casa: sairia uma cadeira do PSD, classificado aqui como de centro, e entraria uma do PT, de esquerda.

Quem deixa o Senado

Parte das atuais senadoras tentou renovar o mandato e foi derrotada. Outras disputaram cargos diferentes, concorreram como suplentes ou não participaram das eleições.

Leila Barros (PDT-DF), Eliziane Gama (PSD-MA), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Zenaide Maia (PSD-RN) disputaram a reeleição e foram derrotadas.

Mara Gabrilli (PSD-SP) não concorreu à reeleição para o Senado. Disputou uma vaga de deputada estadual em São Paulo e não foi eleita. Já Roberta Acioly (Republicanos-RR) concorreu a deputada federal e também não conseguiu se eleger.

Daniella Ribeiro (PP-PB) concorreu como primeira suplente na chapa de Nabor Wanderley ao Senado; a chapa não foi eleita. Dra. Eudócia (PSDB-AL) disputou como primeira suplente de Marina JHC, que foi eleita. Assim, Eudócia deixa a atual cadeira, mas será sua primeira suplente a partir de 2027.

E Ivete da Silveira (MDB-SC) não disputou outro mandato e deixa o Senado com o fim da atual legislatura.

Assim, das 15 mulheres atualmente em exercício, seis ocupam cadeiras com mandato até 2031 e nove deixam suas atuais posições. Com a chegada das 12 eleitas, a bancada feminina projetada passa para 18 integrantes.

Casa fica mais à direita

Outro movimento importante a partir dos resultados destas eleições é o crescimento dos partidos situados à direita e à centro-direita na Casa Alta.

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Os dois candidatos ao Senado com as maiores votações absolutas do país foram eleitos em São Paulo. Guilherme Derrite (PP) recebeu 13.273.880 votos e André do Prado (PL), 12.703.089. Foram, respectivamente, o primeiro e o segundo mais votados para o cargo no Brasil.

Para comparar o início da atual legislatura com a composição projetada para 2027, os partidos foram distribuídos em cinco campos. PL e Novo se identificam como de direita; PP, União Brasil, Republicanos e Podemos, de centro-direita. Na imprensa, MDB, PSD e PSDB são hoje costumeiramente posicionados como centro; PSB, PDT e Rede, de centro-esquerda; e PT, de esquerda. A divisão leva em conta o posicionamento adotado pelas próprias siglas e classificações utilizadas em levantamentos sobre o espectro partidário brasileiro, amparados em estudos.

Aplicando exatamente a mesma classificação aos dois períodos, o Senado que iniciou a atual legislatura, em fevereiro de 2023, tinha 12 senadores de direita, 24 de centro-direita, 28 de centro, oito de centro-esquerda e nove de esquerda. Somados, direita e centro-direita reuniam 36 das 81 cadeiras.

Naquele momento, a distribuição partidária era PSD 15, PL 12, MDB 10, PT 9, União Brasil 9, PP 6, Podemos 5, PSB 4, Republicanos 4, PDT 3, PSDB 3 e Rede 1. Romário (RJ), eleito pelo PL em 2022, integrava os 12 senadores do partido e, portanto, foi contabilizado entre os de direita.

Para 2027, a composição partidária projetada após as eleições aponta 31 senadores de direita, 19 de centro-direita, 15 de centro, seis de centro-esquerda e nove de esquerda. Romário, atualmente sem partido, não foi incluído em nenhum dos cinco campos, já que a classificação considera a filiação partidária, e não o posicionamento individual dos senadores.

A distribuição fica assim:

  • Direita: 31 senadores — 38,3% das 81 cadeiras
  • Centro-direita: 19 senadores — 23,5%
  • Centro: 15 senadores — 18,5%
  • Centro-esquerda: 6 senadores — 7,4%
  • Esquerda: 9 senadores — 11,1%
  • Sem partido: 1 senador — 1,2%

Somados, direita e centro-direita passam de 36 cadeiras no início de 2023 para 50 na projeção para 2027, um aumento de 14 assentos. O centro cai de 28 para 15 cadeiras, enquanto centro-esquerda e esquerda, juntas, passam de 17 para 15.

Vale salientar que parte desse aumento de 14 cadeiras decorre da situação de Romário, interferindo na comparação entre os dois períodos. Como explicado anteriormente, ele entrou na conta da direita em 2023, quando era filiado ao PL, mas fica fora dos campos ideológicos na projeção de 2027 por estar sem partido.

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O crescimento da presença feminina acompanha esse deslocamento partidário. Das 18 mulheres projetadas para 2027, três são de partidos de direita, seis de centro-direita, três de centro, três de centro-esquerda e três de esquerda. Assim, direita e centro-direita reúnem nove das 18 senadoras projetadas. No início de 2023, entre as 15 mulheres em exercício, não havia senadoras de partidos aqui classificados como de direita; quatro eram de centro-direita, sete de centro, duas de centro-esquerda e duas de esquerda.

Expansão do PL

O principal fator para o crescimento do campo da direita é o desempenho do PL. O partido elegeu 19 dos 54 senadores escolhidos neste domingo e deverá começar 2027 com 28 integrantes, mais de um terço das cadeiras do Senado. Segundo levantamento da Agência Senado, se essa composição se confirmar na posse, será a maior bancada de um único partido no início de uma legislatura desde 1988.

O PL também conseguiu eleger os dois senadores em cinco unidades da Federação: Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.

A composição de fevereiro ainda poderá sofrer alterações. Dois senadores com mandato até 2031 foram eleitos governadores no primeiro turno: Cleitinho (Republicanos-MG) deixará a cadeira para Alex Diniz (PL-MG), e Sergio Moro (PL-PR) será substituído por Luís Felipe Cunha (União-PR). Essas mudanças já estão consideradas na projeção das bancadas.

Outros três senadores com mandato até 2031 disputam o segundo turno para governador: Alan Rick (Republicanos-AC), Omar Aziz (PSD-AM) e Professora Dorinha Seabra (União-TO). Caso sejam eleitos, serão substituídos pelos respectivos suplentes.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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