Cancelamento de debate da Globo transforma noite de Lula e Flávio em guerra de audiência
Principais pontos
- Principal emissora do país cancela debate menos de uma hora antes do início previsto, e primeiro turno não terá embate entre candidatos que lideram pesquisas.
- Decisões judiciais alteraram regras do encontro, enquanto Flávio desistiu de participar após determinação do STF para incluir Renan Santos.
- Lula e principal opositor optaram por transmissões digitais: o presidente participou do Flow Podcast, enquanto o senador fez uma live no YouTube, sem confronto entre os dois.

O cancelamento do debate presidencial da TV Globo na noite de quinta-feira, 1º, anunciado menos de uma hora antes do início previsto, concretizou a ausência de um confronto direto entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos mais competitivos ao Palácio do Planalto, antes do primeiro turno da eleição.
O mundo político conviveu com expectativas distintas quanto ao evento. O petista emitia sinais de que abriria mão de comparecer, enquanto o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prometia a participação mesmo sem o oponente. Por fim, Lula marcou uma entrevista ao Flow Podcast e Flávio manteve a posição.
Judicialização interdita debate
O desfecho foi selado após uma sequência de decisões judiciais que interferiram nas regras previamente acordadas para o debate. Na tarde de quinta-feira, a ministra Estela Aranha, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), proibiu a TV Globo de exibir o púlpito do presidente vazio e os concorrentes de formularem perguntas a ele. A determinação atendeu a um pedido da campanha do PT, que havia endossado essa regra.
Pouco depois, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), atendeu a um pedido do partido Solidariedade e decidiu que Renan Santos (Missão) deveria ser convidado ao debate.
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A emissora havia convidado Lula, Flávio, Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD), que concorrem por siglas com a representação exigida no Congresso; por determinação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Romeu Zema (Novo) havia sido incluído na lista anteriormente.
A Globo atribuiu às intervenções judiciais a responsabilidade pelo cancelamento do encontro. Mas um fato importante antecedeu esse anúncio: após a decisão de Gilmar, Flávio voltou atrás em sua promessa e desistiu de debater.
O cenário sintetiza um processo eleitoral marcado pela judicialização. Para além da disputa de liminares e quebras de sigilo que alimenta as campanhas bolsonarista e petista em torno do escândalo do Banco Master, nos últimos dias STF e TSE interviram sobre a circulação de notícias falsas associando Flávio à possibilidade de retirar de Nossa Senhora de Aparecida o título de Padroeira do Brasil com decisões contraditórias que expuseram a capitalização eleitoral das cortes.
Candidatos e suas agendas
Habituado à postura de embates com o Judiciário, o candidato do PL chamou as intervenções no debate de "censura no seu mais alto grau, transparente e sem vergonha". Lula, que já não iria, disse que o formato é "infrutífero".
Ambas as declarações foram proferidas durante transmissões digitais em que os dois presidenciáveis que lideram as pesquisas de intenção de voto estiveram. O presidente, conforme previsto, concedeu entrevista ao Flow Podcast, enquanto Flávio abriu uma live de protesto em seu próprio canal de YouTube, a TV Celular.
No pico de audiência das transmissões, a entrevista do petista somava 1,64 milhão de aparelhos conectados no canal do Flow e outros 153 mil no canal de Lula. A live de Flávio alcançou cerca de 534 mil aparelhos sintonizados.
O alcance não é comparável ao que o debate projetava. Para se ter uma estimativa, o Jornal Nacional, principal telejornal da TV Globo, alcança diariamente cerca de 23 milhões de espectadores, conforme dados interpretados do PNT (Painel Nacional de Televisão). Mas os principais postulantes ao Planalto sinalizam preferir a comunicação direta com seu eleitorado, em canais próprios ou mais informais e sem possibilidade de serem confrontados por concorrentes.
A condição já havia sido estabelecida quando Lula e Flávio se ausentaram da TV Bandeirantes, que promove o debate inaugural da campanha, e no cancelamento do encontro que seria promovido por um pool de emissoras em razão da recusa de ambos ao convite. O embate não ocorrerá até o primeiro turno, mas isso não parece afetar o desempenho eleitoral dos dois favoritos ao pleito.
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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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