Banco Central reduz Selic a 14% ao ano no quarto corte de juros consecutivo em 2026

Principais pontos

  • O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 05, cortar em 0,25 ponto percentual a Selic, levando a taxa básica de juros da economia de 14,25% para 14% ao ano.
  • No comunicado sobre a decisão, o Copom destaca o ambiente externo, dizendo que permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio.
  • O BC destaca ainda que cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
Imagem mostra pilha de moedas e relógio ao fundo
Imagem mostra pilha de moedas e relógio ao fundo
Source: Pixabay

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 05, cortar em 0,25 ponto percentual a Selic, levando a taxa básica de juros da economia de 14,25% para 14% ao ano. Esse é o quarto corte seguido definido pelo Copom neste ano. A Selic estava em 15% ao ano até fevereiro. Em março, a taxa foi para 14,75% ao ano; 14,50% (abril); 14,25% (junho). 

No comunicado sobre a decisão, o Copom destaca de forma inicial o ambiente externo, dizendo que permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities. 

Para o cenário interno, o comunicado diz que o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião sugere uma moderação gradual da atividade econômica no cenário doméstico, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores e mercado de trabalho. 

O Copom diz que a decisão de reduzir a taxa básica de juros para 14% a.a. é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego. 

Sobre a inflação, o comunicado destaca que as divulgações mais recentes mostram que a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta.  

O comunicado destaca ainda que a projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, situa-se em 3,2% no cenário de referência. 

Cenário de riscos

No cenário de riscos para a inflação traçado pelo Copom, tanto de alta quanto de baixa, o texto destaca que os riscos permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista.  

O documento destaca a desancoragem das expectativas de inflação por um período mais prolongado, com potencial incorporação de choques de oferta relacionados ao petróleo e seus derivados.  

O comunicado cita também os efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia, além de maior resiliência da inflação de serviços do que a projetada. Ainda no cenário de riscos, o texto menciona a persistente taxa de câmbio mais depreciada. 

Entre os riscos de baixa para a inflação, o Copom destaca uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários. 

O Copom informou que segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza.  

Os indicadores correntes de atividade mantêm-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. O Comitê monitora com atenção a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação. 

Ranking mundial de juros reais 

Nesse patamar, o Brasil se mantém na primeira colocação no ranking mundial de juros reais, acima de Rússia, Colômbia e Indonésia, de acordo com a consultoria sobre economia, mercado financeiro e investimentos MoneYou, em parceria com a Lev Intelligence. 

 A taxa real é uma combinação de inflação projetada para os próximos 12 meses, via coleta do relatório Focus do BACEN de 4,12% e a taxa de juros DI a mercado dos aproximados próximos 12 meses no vencimento mais líquido (Ago 27).   

Gatilho para a decisão

O que o Copom considera em suas decisões: inflação, contas públicas, atividade econômica e cenário externo. O último dado de inflação surpreendeu por vir abaixo das projeções de bancos e casas de investimentos e pode ter sido o gatilho que abriu espaço para a decisão de redução dos juros de hoje. 

Em junho, o IPCA registrou alta de 0,16%, contra maio (0,58%), variação inferior projetada pelo Banco Central no relatório Focus, de 0,32%. No ano, o IPCA acumula alta de 3,36%. Nos 12 meses até junho, a variação é de 4,64%.  

Como a Selic afeta os investimentos 

A taxa de juros Selic é referência para os demais juros da economia, por se tratar da taxa média cobrada em negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional.  

Uma vez definida, o Banco Central passa a atuar diariamente por meio de operações de mercado aberto, comprando e vendendo títulos públicos federais, para manter a taxa de juros próxima ao valor definido na reunião.  

Por isso, a variação da Selic influencia na rentabilidade dos títulos públicos, como por exemplo as aplicações de renda fixa pós-fixadas como Tesouro Selic ou CDBs atrelados ao CDI (que segue a Selic). A variação da Selic afeta inclusive o rendimento da poupança.  

Quanto aos títulos privados, que são emitidos por empresas ou instituições financeiras, a variação da taxa básica afeta a rentabilidade dos papeis pós-fixados e atrelados ao CDI, por exemplo, CDBs, LCIs, LCAs, LCs, LFs, CRIs, CRAs, debêntures, entre outros. 

Empréstimos e financiamentos 

Quando a Selic sobe, os juros cobrados em empréstimos pessoais, financiamentos imobiliários e de veículos aumentam também. 

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.