Vitória de Lula repercute no mundo como freio à direita e revés para Trump
Principais pontos
- Jornais dos Estados Unidos e da Europa apontam que a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) interrompe uma sequência de vitórias da direita na América Latina.
- The New York Times, Financial Times, The Guardian e El País destacam a recuperação do presidente após a derrota no primeiro turno.
- Publicações da Alemanha, do México e da Argentina comentam a polarização brasileira e os desafios do quarto mandato.

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, neste domingo, 25, ganhou destaque nas manchetes de alguns dos principais veículos de comunicação do mundo. A virada eleitoral que garantiu ao petista um quarto mandato foi interpretada não apenas como um acontecimento histórico no Brasil, mas também como um revés para a direita latino-americana e para as ambições políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na região.
Derrotado por Flávio no primeiro turno, Lula reverteu a desvantagem e venceu com 51,7% dos votos válidos, contra 48,3% do adversário. Foi a primeira vez, desde a redemocratização, que um candidato à Presidência venceu o segundo turno depois de terminar a primeira votação em segundo lugar.
A imprensa estrangeira destacou especialmente três aspectos do resultado: a recuperação política de Lula, a derrota do herdeiro político de Jair Bolsonaro e a possibilidade de o Brasil representar um contraponto à ascensão de governos conservadores na América Latina.
EUA: Lula, o estadista mais influente da América Latina
O The New York Times classificou Lula como “o estadista mais influente da América Latina” e descreveu sua vitória como uma “reviravolta espetacular”. O jornal destacou que o presidente interrompeu uma sequência de sete vitórias eleitorais da direita na região, dando novo fôlego à esquerda latino-americana.
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Também ressaltou a resistência de Lula às pressões de Donald Trump, sua trajetória no combate à pobreza e à desigualdade e o papel do Brasil nas discussões internacionais sobre clima e proteção da Amazônia. O diário apontou, porém, que o quarto mandato será marcado pelo desafio de governar um país profundamente dividido e enfrentar um Congresso mais conservador.
O The Washington Post adotou perspectiva semelhante. Sua manchete afirmou que Lula venceu a reeleição, interrompendo a guinada à direita na América Latina. O periódico descreveu o resultado como uma recuperação surpreendente do presidente brasileiro.
Já o The Wall Street Journal mencionou a longevidade política de Lula, que, aos 80 anos – quase 81 –, conquistou mais um mandato. O jornal chamou atenção para as dificuldades de governar um país dividido e para os desafios econômicos do próximo governo.
Reino Unido: vitória contraria tendência regional
O britânico Financial Times interpretou o resultado como um golpe nas pretensões de Trump de ampliar a influência dos Estados Unidos sobre a América Latina. A disputa apertada entre os dois candidatos, como mostravam as pesquisas, e a extensão do horário de votação, decidida em meio a controvérsias sobre o transporte de eleitores, também foram destaques.
O The Guardian enfatizou a virada de Lula e a derrota de Flávio Bolsonaro, identificado como representante da extrema direita. A cobertura ressaltou o caráter excepcional da conquista de um quarto mandato.

Espanha e França: virada com significado internacional
O El País deu grande destaque à eleição brasileira, com diferentes reportagens e análises. Na manchete, o jornal ressaltou que a vitória de Lula freou o avanço da extrema direita no Brasil.
Em outra análise, o diário espanhol apresentou a trajetória do presidente como uma epopeia da esquerda mundial, mencionando sua perseverança e capacidade de articulação política. A vitória também foi descrita como um estímulo para as forças progressistas internacionais.
Na França, o Le Monde abordou a conquista do quarto mandato e a votação marcada por controvérsias. O jornal também relacionou a continuidade do governo Lula às políticas ambientais e aos compromissos internacionais do Brasil, especialmente em relação à Amazônia.
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O Le Figaro chamou atenção para a surpresa do resultado, salientando que Lula conquistou um quarto mandato contra as expectativas, mantendo o Brasil sob um governo de esquerda.
Alemanha: quarto mandato e disputa apertada
Na Alemanha, a revista Der Spiegel publicou, na madrugada desta segunda-feira, a vitória de Lula com destaque para seu quarto mandato, conquistado aos 80 anos, e em uma disputa apertada. Também abordou a decisão da Justiça Eleitoral de ampliar o horário de votação e os problemas de transporte público que provocaram controvérsias no dia da eleição.
México: vitória repercute nas relações com a América Latina
No México, a vitória de Lula ganhou destaque tanto pelo resultado eleitoral quanto pelas possíveis consequências para as relações entre as duas maiores economias latino-americanas.
O jornal La Jornada publicou a manchete "Lula da Silva derrota a Bolsonaro; Brasil não é quintal de ninguém". A reportagem mostrou a vantagem de mais de 4,4 milhões de votos conquistada pelo petista no segundo turno, ressaltando a virada inédita entre o primeiro e o segundo turno e a recusa de Flávio Bolsonaro em reconhecer o resultado.
Já o El Economista apresentou uma pergunta provocativa: "Lula vence no Brasil. O que o México ganha?". O jornal examinou as oportunidades de ampliar o comércio e a cooperação bilateral, mas ponderou que a proximidade política entre Lula e a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, não elimina as diferenças econômicas e comerciais entre os países.
Argentina: reviravolta impressionante
País que acompanha de perto os acontecimentos políticos brasileiros, a Argentina deu boa cobertura à vitória de Lula. O Clarín ressaltou a recuperação do presidente depois da derrota no primeiro turno e a vantagem superior a três pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro.
O La Nación apresentou o resultado como uma reviravolta impressionante e sem precedentes, após um segundo turno marcado por controvérsias. O jornal destacou a conquista do quarto mandato presidencial e a mudança de cenário em relação às expectativas anteriores à votação.
Ambas as publicações também abordaram a decisão de prorrogar o horário de votação e os questionamentos que acompanharam a reta final da disputa.
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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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