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Governo reúne 20 reservas na Serra dos Pireneus, no Cerrado, para proteger nascentes

Principais pontos

  • Reconhecimento federal cria uma estrutura de gestão integrada para 20 reservas particulares na região de Pirenópolis, em Goiás.
  • A Serra dos Pireneus é um divisor de águas entre as bacias dos rios Paraná e Tocantins e concentra nascentes que abastecem municípios da região.
  • Iniciativa começou em 2019 e reúne proprietários de reservas e organizações que já atuavam em conservação, pesquisa e prevenção de incêndios.
A Serra dos Pireneus funciona como divisor de águas entre duas grandes bacias hidrográficas: de um lado, as águas seguem para a bacia do Tocantins; do outro, para a do Paraná.
A Serra dos Pireneus funciona como divisor de águas entre duas grandes bacias hidrográficas: de um lado, as águas seguem para a bacia do Tocantins; do outro, para a do Paraná.
Source: Reprodução/ Instagram - Ecovilla Caraivas
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Uma região do Cerrado onde nascem rios e córregos que abastecem cidades de Goiás ganhou um reforço para sua preservação. O governo federal reconheceu oficialmente nesta quarta-feira, 7, o Mosaico da Serra dos Pireneus, rede formada por 20 reservas particulares e criada para permitir que a proteção dessas áreas seja planejada de forma integrada.

A Serra dos Pireneus fica no centro de Goiás, na região de Pirenópolis, a cerca de 130 quilômetros de Goiânia e 150 quilômetros de Brasília. Estende-se também pelos municípios de Cocalzinho de Goiás e Corumbá de Goiás e abriga o Pico dos Pireneus, segundo ponto mais alto do estado, com cerca de 1.380 metros de altitude.

Mais importante para a conservação é o que acontece a partir dessas áreas elevadas. A serra funciona como divisor de águas entre duas das grandes bacias hidrográficas brasileiras: de um lado, as águas seguem para a bacia do Tocantins; do outro, para a do Paraná. Ali estão nascentes do rio das Almas e do rio Corumbá, além de córregos e ribeirões que abastecem comunidades e municípios da região.

É nesse território que estão as 20 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) agora reunidas no mosaico reconhecido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A medida foi publicada no Diário Oficial da União.

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Vale explicar que o reconhecimento não cria 20 novas áreas protegidas. As reservas já existiam e continuam sendo propriedades privadas. O que muda é que elas passam a integrar um mesmo instrumento de gestão, permitindo coordenar ações que vão além das fronteiras de cada propriedade, como proteção de nascentes, prevenção de incêndios, conservação da fauna e da vegetação e impactos de obras ou outras atividades na região.

Uma serra onde as águas se dividem

A importância hídrica da Serra dos Pireneus é reconhecida no plano de manejo da Área de Proteção Ambiental dos Pireneus, do governo de Goiás. O documento define a região como área de recarga de mananciais, com veredas e nascentes que dão origem aos principais rios e córregos locais.

As águas que correm para oeste alimentam a bacia do Tocantins. A leste, seguem para a bacia do Paraná. As matas de galeria que acompanham os cursos d'água também funcionam como corredores ecológicos, conectando ambientes e permitindo o deslocamento da fauna.

Uma dessas redes de nascentes tem relação direta com a vida de quem mora em Pirenópolis. O Córrego Barriguda está entre os mananciais protegidos pelas reservas. Documentos de manejo das RPPNs indicam que sua rede de drenagem responde por 71% do abastecimento de água do município.

A serra também guarda diferentes paisagens do Cerrado, como campos, cerrado rupestre, matas secas e matas de galeria. Parte dessa riqueza já está protegida pelo Parque Estadual dos Pireneus, criado em 1987 e com 2.834 hectares. O parque, porém, não integra o novo mosaico.

Levantamentos usados nos planos de manejo das reservas ajudam a dimensionar a biodiversidade da região. Um estudo realizado em um fragmento de Cerrado próximo ao conjunto de RPPNs registrou 32 espécies de mamíferos. Entre elas estão lobo-guará, tamanduá-bandeira, tatu-canastra, anta, onça parda e onça pintada. Oito das espécies registradas eram consideradas ameaçadas na lista brasileira utilizada pelo estudo.

Proteção começou antes do reconhecimento

A criação dessa rede de proteção começou anos antes da portaria federal. Em 2019, o Instituto Cerrados, organização da sociedade civil dedicada à conservação do bioma, iniciou com a Associação do Córrego Barriguda e Cabeceira do Rio das Almas um projeto para estimular a criação e fortalecer a gestão de RPPNs na Serra dos Pireneus.

Na primeira etapa foram apoiadas sete reservas privadas. O projeto continuou nos anos seguintes, com a criação de novas RPPNs, elaboração de planos de manejo e ações de conservação.

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Em uma das fases, o trabalho recebeu apoio do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), organização privada sem fins lucrativos que mobiliza e administra recursos destinados à conservação ambiental. Segundo o Instituto Cerrados, o pedido encaminhado ao Ministério do Meio Ambiente para o reconhecimento formal do mosaico teve adesão de 20 RPPNs e apoio de dez instituições locais e nacionais.

Os proprietários das reservas já desenvolviam ações conjuntas relacionadas à conservação, pesquisa científica, turismo sustentável e manejo do fogo. Projetos realizados na região também incluíram monitoramento de queimadas e capacitação para prevenção e combate a incêndios.

As RPPNs têm uma característica que torna essa participação dos proprietários relevante: são unidades de conservação criadas voluntariamente em terras privadas e destinadas permanentemente à proteção da natureza. Mesmo que a propriedade seja vendida, a área reconhecida como reserva continua protegida.

Integram o Mosaico da Serra dos Pireneus as seguintes RPPNs: Fazenda Vagafogo Boa Vista, Segredo da Serra dos Pireneus, Pau Terra, Lavrinhas, Magia do Cerrado, Caraívas Chácara Vale da Dhyana, Cantinho do Rio, Simplicidade, Mimosa, Mata da Borboleta Azul, Pau Terra II, Segredos do Cerrado, Terra de Maria, Caraívas Comunidade Vale da Dhyana, Caraívas Ecovilla, Vale das Copaíbas, Bem Viver, Associação Amigos da Serra dos Pirineus, Canto da Mata e Reserva Ecológica do Barriguda.

O que muda agora

Com o reconhecimento federal, essa articulação passa a ter uma estrutura formal de gestão. O Mosaico da Serra dos Pireneus terá um Conselho Consultivo formado pelos gestores das 20 reservas, representantes do poder público, instituições de ensino e organizações da sociedade civil.

O conselho poderá propor projetos de conservação e desenvolvimento sustentável, buscar recursos, articular ações entre governo e sociedade e se manifestar sobre obras ou atividades com potencial impacto social e ambiental sobre o território.

Também poderá criar câmaras técnicas para discutir políticas e estudos relacionados à conservação. A presidência ficará a cargo de um dos gestores das reservas, escolhido pelos integrantes do conselho, com mandato de dois anos e sem recondução para o período seguinte.

Na prática, o reconhecimento permite olhar para as 20 reservas não como ilhas de vegetação protegida, mas como partes de um mesmo território. Na Serra dos Pireneus, essa conexão tem um objetivo particularmente concreto: manter o Cerrado em pé também ajuda a conservar as nascentes e os cursos d'água que descem da serra e abastecem quem vive ao redor dela.

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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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