Símbolo do Brasil, o vira-lata caramelo atrai atenção para animais nas ruas
Principais pontos
- Popular nas redes sociais, o caramelo é considerado um ícone brasileiro e representa uma mistura de origens, o que caracteriza a população do país. Ele também é representante de uma causa, a dos animais sem raça definida.
- O Dia Nacional do Vira-Lata, celebrado em 31 de julho, busca incentivar a adoção responsável de cães e gatos e chamar atenção para o abandono desses bichos no Brasil.
- O Brasil tem cerca de 30 milhões de animais vivendo nas ruas. Yohanna Perlman, diretora executiva do Instituto Caramelo, pontua que adotar um desses animais é a principal forma de abrir espaço para novos salvamentos.

Os vira-latas são os animais mais presentes nos lares brasileiros. É o que demonstra o histórico de uma pesquisa organizada pela Petlove que indica os bichos mais encontrados nas casas. Desde 2016, cães e gatos sem raça definida (SRD) aparecem em primeiro lugar no ranking. No ano passado, o PetCenso (nome do levantamento) mostrou que os vira-latas representaram 26% dos cachorros. Entre gatos, o índice vai às alturas: 86%.
Depois, em segundo e terceiro lugares, estão shih tzu (17%) e yorkshire terrier (6%), entre os cães; e siamês (5%) e persa (2%), entre os gatos.
Nesta sexta-feira, 31, os SRDs, em todos seus tipos, são homenageados. O Dia do Vira-lata foi instituído no país para chamar atenção para esses animais e para conscientizar as pessoas sobre a importância de adotar de forma responsável cachorros e gatos SRDs.
Entre os vira-latas, há um tipo específico que ficou famoso, o caramelo. Ele chegou a ser sugerido como animal a ser estampado na nota de R$ 200, com direito a abaixo-assinado online. Porém quem assumiu esse lugar foi o lobo-guará.
O simpático cachorro ganhou as redes sociais, virou meme e personagem central de um filme da Netflix, “Caramelo” (2025). Uma marca do setor de ração animal, a Pedigree, lançou uma campanha e um projeto para reconhecer a raça caramelo e estimular a adoção responsável. Para ajudar nessa causa e promover “matches” entre possíveis tutores e animais resgatados nas ruas e protegidos em abrigos, até o Tinder se engajou.
Quem conta essa história é Yohanna Perlman, diretora executiva do Instituto Caramelo, uma das entidades mais reconhecidas na atuação pela proteção de bichos. A entidade trabalha com uma estimativa do IBGE para falar de um problema que preocupa: o Brasil contabiliza cerca de 30 milhões de animais que estão nas ruas, sem ter uma família. O número pode variar porque faltam dados claros.
Nesta entrevista, Yohanna fala dos desafios da causa animal, diz como cada um pode ajudar entidades e protetores e comenta a recente “disputa” pelo caramelo entre mexicanos e brasileiros. Em abril, o México o reconheceu como uma raça.
A Procuradoria de Proteção Ambiental do Estado do México (Propaem) incluiu o caramelo na lista das raças nacionais, junto com chihuahua, calupoh e xoloitzcuintli. A medida visa promover a adoção e combater preconceitos em relação a animais sem pedigree.
O motivo é, sem dúvida, valoroso, mas Yohanna crava: “O caramelo é um cachorro muito brasileiro”.
O México hoje reconhece o caramelo como uma raça do país. Como viu essa história?
Os mexicanos resolveram se apropriar do caramelo como patrimônio nacional, mas a gente já vem construindo esse patrimônio no Brasil. Acredito que aqui exista uma conexão muito forte com o caramelo, porque ele representa a mistura de raças que o brasileiro é. A gente costuma dizer que somos todos um pouco vira-latas, um pouco caramelos, por conta das nossas ascendências. O Brasil já se apropriou disso. O caramelo é um cachorro muito brasileiro. Ele pode ter o papel dele lá no México, mas, com certeza, não é tão forte quanto aqui. Isso porque, no Brasil, ele representa exatamente o que o brasileiro é: uma mistura de raças. Existem vários tipos de brasileiros: negros, brancos, pardos, japoneses. As comunidades migraram para o Brasil, se misturaram e deram origem a esse Brasil caramelo. Existe até essa expressão de que "o Brasil é caramelo". Então, acredito que ele seja, sim, um patrimônio nacional brasileiro. Se a gente tiver de entrar numa guerra de narrativas com o México, dá para brigar.
Como está a situação dos caramelos no Brasil e dos demais cães sem raça definida?
Apesar de a causa animal ter avançado muito, ainda convivemos com um número enorme de animais vivendo nas ruas, em crescimento constante. Estamos falando de animais errantes que vivem, em média, seis anos e podem ter várias ninhadas ao longo da vida. Quando você multiplica esse ciclo, percebe que a população cresce de forma praticamente infinita. Ao mesmo tempo, hoje existe um novo olhar da sociedade. Os animais estão dentro das casas e passaram a ser membros da família. Isso fez com que as pessoas deixassem de enxergar um animal em sofrimento ou em situação de rua como algo sem importância. E existe uma realidade muito presente no Brasil: a dos cães comunitários. Costumo falar muito do caso do cão Orelha. Algumas pessoas comentaram: "Se a comunidade gostava tanto dele, por que ninguém o colocou para dentro de casa?". Mas essa não é uma boa leitura. No Brasil inteiro existem cães comunitários. São animais que vivem nas ruas, mas recebem cuidados da comunidade. As pessoas alimentam esses cães, ajudam na saúde preventiva, respeitam o espaço deles, e eles convivem bem com aquela população. Essa é uma realidade em várias cidades brasileiras. Além disso, quando um desses animais é levado para dentro de casa, rapidamente outro ocupa aquele espaço. As matilhas também têm um papel importante nesse crescimento desenfreado. O que vejo hoje é que os caramelos e os cães sem raça definida ganharam muito mais visibilidade. As pessoas entendem que eles estão em uma condição que não escolheram e que nós temos a obrigação de olhar para essas vidas e cuidar delas. Mas ainda temos muito a evoluir, tanto em políticas públicas quanto em campanhas de conscientização. Precisamos falar cada vez mais sobre esterilização, castração e a importância de castrar tanto os animais comunitários quanto aqueles que vivem com famílias e circulam pelas ruas. É um trabalho que ainda tem um longo caminho pela frente. Ao mesmo tempo, o pet ganhou um peso enorme dentro das famílias brasileiras, inclusive econômico. É um mercado em plena ascensão. Hoje vemos muitas famílias híbridas. Aquela pessoa que sempre comprou um cão de determinada raça agora pensa: "Eu gosto muito de ter um pastor, mas também vou adotar um vira-lata". A adoção tem uma função social gigantesca. Ela não significa apenas oferecer um lar amoroso e os cuidados adequados para um animal. Também permite que uma ONG, que muitas vezes abriga 200, 300 ou 400 animais, consiga liberar espaço para resgatar outros. Nenhuma organização consegue oferecer um cuidado totalmente individualizado para centenas de animais. Ela precisa garantir o bem-estar dentro de determinados limites, mas o atendimento realmente individual acontece quando esse animal vai para a casa do adotante. Por isso, adotar é o maior ato de conscientização dentro da causa animal. Você oferece qualidade de vida para aquele animal, libera recursos e espaço da organização e permite que outro resgate aconteça. Existe uma demanda reprimida enorme. Você pode ligar para praticamente qualquer organização do Brasil. Todas têm pedidos de resgate que não puderam atender por falta de recursos ou de espaço. Muitas vezes existe dinheiro, mas simplesmente não existe onde colocar aquele animal. Além disso, a causa animal é formada por muitos protetores independentes. Existem organizações conhecidas, mas a maior parte do trabalho é feita por pessoas que começam colocando animais dentro da própria casa e acabam misturando a vida pessoal e os recursos da família com os custos dos resgates. Hoje, o Instituto Caramelo mantém um programa chamado Cuida Caramelo. Nele, cadastramos protetores, verificamos se seguem protocolos adequados de higiene, adoção e castração e, a partir daí, oferecemos castrações gratuitas e alimentação adequada para os animais. A alimentação também é muito importante, porque está diretamente ligada à saúde ao longo da vida. Estamos falando de animais que vivem, em média, de 15 a 18 anos quando são de pequeno porte e de 10 a 13 anos quando são de grande porte.
Qual é o universo de animais abandonados, vivendo nas ruas no Brasil? Com qual número lidam?
Um dos primeiros problemas da causa animal é justamente a falta de dados claros. Os números podem variar de uma organização para outra. Pela primeira vez, neste ano, o governo federal começou a se posicionar em relação a isso, criando o SinPatinhas [Sistema do Cadastro Nacional de Animais Domésticos, criado pelo governo federal para registrar gratuitamente cães e gatos em um banco de dados nacional] para que a gente possa, de fato, começar a enumerar quantos animais vivem nas ruas. Mas esse é um trabalho de longo prazo. Hoje, o número oficial utilizado é o do IBGE, que fala em cerca de 30 milhões de animais vivendo nas ruas do Brasil. É um número exorbitante e que cresce continuamente. Se hoje falamos em 30 milhões, amanhã provavelmente já será maior, porque estamos falando de um crescimento desenfreado. O Instituto Caramelo atua principalmente em São Paulo e na Grande São Paulo, mas também realiza ações em outras regiões do país quando entende que consegue contribuir. Foi assim em Canoas, Mariana e Brumadinho, por exemplo. Nessas grandes tragédias, quando toda a sociedade se mobiliza, nós procuramos olhar também para os animais. Mas, no fundo, ainda trabalhamos com um número que não pode ser considerado definitivo. O que precisamos fazer é fortalecer lideranças locais para conscientizar as comunidades. Sozinho, nenhum instituto consegue resolver esse problema, por maior que seja. Hoje, os animais em situação de rua continuam muito concentrados nas regiões mais vulneráveis das grandes cidades. Em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outros centros urbanos, eles normalmente não estão nas áreas mais centrais ou mais ricas. Permanecem invisíveis justamente nas regiões de maior vulnerabilidade social.

Já faz algum tempo que se fala do caramelo como a cara do Brasil. No ano passado, tivemos o filme da Netflix que fez sucesso. Recentemente, houve uma campanha da Pedigree que destacou o caramelo . Esses movimentos ajudaram a impulsionar a adoção? A popularidade foi convertida em mais adoções ou ainda estamos longe do ideal?
Antes de tudo, acho importante fazer uma distinção. Hoje, o caramelo não representa apenas aquele cachorro de pelagem caramelo. Ele virou quase um gênero. Quando falamos em caramelo, estamos falando também do fiapo de manga, dos vira-latas, dos cães sem raça definida. Hoje, em vez de falar "vira-lata" muita gente fala simplesmente "caramelo". Na campanha de lançamento do filme da Netflix, o Instituto Caramelo fez todo o trabalho de pós-campanha. Nós criamos site, validamos as organizações participantes e fizemos um trabalho de campo para identificar quem eram essas organizações em todo o Brasil. Acredito que grandes campanhas mudam o mundo. Então, só posso dizer que sim, elas ajudam. Independentemente dos resultados práticos, que eu não saberia quantificar exatamente hoje, elas colocam o tema em evidência. Em outra campanha que fizemos, junto com a Chevrolet, levamos a ação para os canis e medimos um aumento de mais de 500% na atenção ao assunto durante o período da campanha. A Pedigree também vem fazendo um trabalho consistente para fortalecer a imagem do caramelo. Eles lançaram agora até um produto chamado Caramelo. Grandes marcas ajudam a criar cultura. Elas fazem as pessoas olharem para o tema de uma maneira diferente, mais presente, mais leve, mais próxima do cotidiano. Por isso, não tenho dúvida de que essas campanhas mudam o jogo e fazem com que mais famílias se tornem famílias híbridas. Aquela pessoa que nunca pensou em adotar passa a adotar. Quanto mais essas campanhas saem da bolha pet, melhor. A Pedigree conversa com quem já gosta de animais. A Netflix levou esse debate para o entretenimento. Até o governo federal passou a utilizar o caramelo em campanhas sobre diferentes temas. Acredito que este seja um grande momento do caramelo e, sim, isso ajuda a aumentar a adoção.
Pela experiência de vocês, quais são os cães que mais demoram para ser adotados? O caramelo está em alta, o fiapo de manga virou um queridinho? Quais animais acabam sendo mais rejeitados?
Primeiro existe uma questão visual. Quanto menos "esteticamente atraente" um cachorro é percebido pelas pessoas, menores são as chances de adoção. Os campeões dessa lista [com menos chances] são os cães pretos, especialmente os de grande porte. Eles são os animais que mais recebemos em pedidos de resgate. São cães grandes, pretos, muitas vezes feridos, abandonados, com bicheiras ou em situações muito graves. Ao mesmo tempo, são os que menos conseguimos doar. Isso cria um problema para qualquer abrigo. Se esses animais não encontram uma família, a roda deixa de girar. O abrigo acaba virando um santuário, quando deveria ser um lugar de passagem. O abrigo precisa receber, cuidar e encaminhar os animais para adoção. Se eles permanecem por muito tempo, perdemos capacidade de resgatar outros. Por isso, hoje, quando surgem muitos pedidos de resgate, também precisamos pensar nesses fatores. O instituto procura priorizar os animais mais feridos, mas também aqueles que terão maiores possibilidades de adoção, justamente para manter esse ciclo funcionando de maneira saudável. Os caramelos também costumam permanecer bastante tempo esperando uma família, principalmente quando são cães de médio ou grande porte. O porte influencia muito. As pessoas gostam de cachorros pequenos. E os vira-latas normalmente são de médio para grande porte. Depois dos cães pretos e grandes, eu diria que também enfrentamos dificuldade com os idosos. Já o fiapo de manga está em alta. Ele costuma ser adotado rapidamente, talvez porque geralmente seja menor, mais magro, tenha um visual diferente. Mas aquele caramelo grandão, mais forte, costuma permanecer mais tempo esperando uma família. Então, hoje, os grupos que mais sofrem são os cães pretos, os grandes, os idosos e, logo depois, os caramelos de maior porte.
Vamos falar de adoção responsável. Apesar de todas essas campanhas, o brasileiro realmente sabe o que significa adotar? Ainda existe o problema da devolução dos animais?
Acho que fomos fechando essa cerca ao longo dos anos. Conforme a sociedade evoluiu, também fomos aperfeiçoando os processos de adoção. Hoje, nosso primeiro trabalho é mostrar ao adotante que ele não deve escolher um animal apenas pela aparência, mas principalmente pelo comportamento. Às vezes, a pessoa chega querendo um filhote pequeno, mas passa o dia inteiro fora de casa. Numa situação dessas, talvez ela saia do instituto levando um gato idoso, por exemplo, porque é o animal que realmente combina com o estilo de vida dela. Nosso papel é educar. É entender a rotina daquele adotante para encontrar o animal mais compatível com sua vida, e não obrigar a pessoa a mudar completamente sua rotina depois da adoção. Se alguém passa o dia inteiro fora de casa, não faz sentido levar um filhote para casa. Ele vai destruir móveis, objetos, vai sofrer sozinho e a chance de devolução aumenta muito. A devolução é um dos maiores prejuízos para um animal resgatado, porque ele normalmente volta pior do que chegou da primeira vez. Ele já enfrentou todas as dificuldades das ruas e ainda retorna com novos traumas. Além de explicar toda a responsabilidade que existe durante a vida inteira daquele animal, mostramos que existe uma responsabilidade financeira. O tutor precisa saber que terá gastos com alimentação, saúde e bem-estar. Posso dizer que cerca de 80% das pessoas que procuram o Instituto Caramelo já chegam conscientes das responsabilidades. Também procuramos mostrar que quem adota passa a fazer parte da transformação social. Na causa animal, dependemos muito dessa torcida. Uma ONG sozinha não consegue dar um final feliz para um animal. Ela precisa que alguém decida adotá-lo. Os adotantes são fundamentais para que esse trabalho aconteça. E, quando isso acontece, a pessoa recebe de volta um amor muito especial. Sempre digo que a gratidão no olhar de um vira-lata é diferente. Ao mesmo tempo, faço questão de deixar claro que nós não somos contra a criação responsável de cães. Também não defendemos castrar indiscriminadamente todos os animais, porque, se isso acontecesse durante décadas, deixaríamos de ter cães. O que defendemos é controlar a reprodução dos animais em situação de rua e incentivar criadores responsáveis, que priorizem o bem-estar animal e não apenas o lucro. Hoje fazemos esse trabalho por meio de campanhas, conversas e de um processo muito cuidadoso para encontrar o melhor encontro possível entre tutor e animal. O instituto, inclusive, desenvolveu uma parceria com o Tinder justamente usando esse conceito do "match perfeito". Procuramos entender a realidade da pessoa, não apenas aquilo que ela gostaria de ter. Estamos falando de uma vida, não de um objeto. Embora, infelizmente, os animais ainda sejam vistos como coisas em muitos aspectos da legislação brasileira, eles não são objetos. Hoje conseguimos manter uma taxa de sucesso de aproximadamente 90% nas adoções, com cerca de 10% de devoluções. É um índice que conseguimos sustentar ao longo dos últimos cinco anos.
Como as pessoas podem ajudar a causa animal?
Existem muitas formas. A primeira, e mais importante, é adotar. Abrir o coração, a casa e a vida para um animal que foi retirado das ruas, quase sempre em uma situação muito difícil, e oferecer a ele uma família. Essa relação entre humanos e animais é uma via de mão dupla. O tutor transforma a vida do animal e também tem a própria vida transformada. Outra forma é ser voluntário, tanto no abrigo quanto nos eventos de adoção. Doar tempo é algo extremamente valioso e ajuda muito o nosso trabalho. Também existe a possibilidade de contribuir financeiramente. Hoje, o Instituto Caramelo trabalha com um orçamento anual de quase R$ 10 milhões, porque mantemos um abrigo e um hospital veterinário que atendem tanto os animais resgatados quanto os da população [o atendimento é feito para famílias mais vulneráveis do ponto de vista social]. As pessoas podem fazer doações recorrentes, doações pontuais, apadrinhar um animal e acompanhar de perto a história dele. Também podem destinar os créditos da Nota Fiscal Paulista para o instituto. E existe uma quarta forma, que também tem um valor enorme: compartilhar as nossas histórias, os nossos conteúdos e os nossos eventos de adoção. Muitas vezes, o instituto não consegue alcançar todas as pessoas. Quando alguém compartilha uma campanha, ajuda a causa a chegar muito mais longe. Quanto mais pessoas conhecerem esse trabalho, maior será a conscientização e maiores serão as chances de mais animais encontrarem um lar.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.