Reeleição de Lula dá uma freada na onda azul na América Latina
Principais pontos
- Líderes de direita da América Latina parabenizaram Lula pela reeleição, apesar das divergências políticas.
- Entre a esquerda, um dos mais simbólicos apoios partiu da presidente do México, Claudia Sheinbaum. Junto ao Brasil, o país representa uma forte resistência de esquerda às interferências de Donald Trump na região.
- Trump e aliados próximos mantiveram silêncio, enquanto progressistas dos EUA também congratularam Lula.

Enquanto muito se fala da interferência dos Estados Unidos nas lideranças da América Latina, com vários países aderindo à direita ou à extrema direita, o fato é que praticamente todos parabenizaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela reeleição para presidente do Brasil, no domingo (25).
Alguns se manifestaram de maneira mais protocolar, enquanto outros foram mais efusivos, apesar das diferenças políticas e das tentativas de Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado, de alegar irregularidades no pleito.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, disse que telefonou para Lula e escreveu em seu perfil no X que "o Chile e o Brasil têm um grande futuro em comum”.
Na mesma linha, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, também fez post no X, parabenizando Lula pela reeleição. Além disso, ele declarou: “Saúdo o povo brasileiro por esta grande jornada democrática. O Paraguai e o Brasil compartilham uma agenda comum de integração e desenvolvimento. Continuaremos trabalhando juntos pelo bem-estar do nosso povo".
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Até o fechamento deste texto, apenas Javier Milei (Argentina), Nayib Bukele (El Salvador) e Nasry "Tito" Asfura (Honduras) se mantinham em silêncio ou haviam questionado a legitimidade pleito (como fez Milei no X).
México e Brasil: os calos de Trump
Por outro lado, importantes aliados do campo da esquerda manifestaram seu apoio a Lula. E um dos mais importantes foi o da presidente do México, Claudia Sheinbaum.
Isso porque o Brasil e o México, as duas maiores economias da América Latina, seguem lideradas por governos progressistas, desafiando a influência de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, na região.
Claudia postou uma foto no X em que dá um abraço em Lula, com a seguinte mensagem: “Viva a democracia, o povo brasileiro venceu. Parabéns, Presidente Lula!”.
Além disso, ela chegou a fazer o "L" de Lula com a mão, em entrevista a jornalistas, quando descreveu a vitória do presidente como uma lufada de ar fresco para a América Latina e o Caribe.
Ego ferido?
Com relação a Trump, primeiro ele silenciou. Depois, chegou a questionar o processo eleitoral brasileiro (alinhado ao candidato derrotado Flávio Bolsonaro, do PL) e, por fim, disse que não governa o Brasil e que tem boa relação com Lula.
Analistas ouvidos pela BBC News Brasil associaram a postura inicial de Trump a um sentimento de derrota política para um aliado.
Não é à toa. A vitória de Lula dá uma bela de uma freada no avanço dos Estados Unidos sobre a América Latina desde a reeleição de Trump, com a eleição de uma série de presidentes de direita e alinhados aos EUA.
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Por outro lado, Lula vem se consolidando como uma resistência global a Trump. E segue mantendo uma postura não-beligerante, mas bem firme, com relação às investidas do presidente dos Estados Unidos sobre a soberania do Brasil.
Inversamente à birra de Trump, políticos progressistas dos Estados Unidos não demoraram a manifestar apoio a Lula. Entre eles está o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, o senador Bernie Sanders e o governador da Califórnia, Gavin Newsom.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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