Que países das Américas apoiam Trump na classificação de 24 grupos como terroristas, entre eles PCC e CV
Principais pontos
• Coalizão Escudo das Américas, que assinou comunicado com os EUA, reúne governos de direita; Javier Milei (Argentina), José Antonio Kast (Chile), Daniel Noboa (Equador) e Keiko Fujimori (Peru) estavam entre os presidentes presentes.
• Declaração prevê congelamento de bens, restrições de entrada e vistos e punições a quem prestar apoio material ou logístico aos grupos.
• Lista organizada pela administração Trump inclui as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho, além de cartéis mexicanos e organizações como o Sendero Luminoso.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou na terça-feira, 22, com governos de 14 países da América Latina e do Caribe sua estratégia de combate a 24 organizações que Washington classifica como terroristas. Entre elas estão as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), cartéis mexicanos, como Sinaloa e Jalisco Nueva Generación, o venezuelano Tren de Aragua, gangues do Haiti e do Equador e grupos armados como o ELN, da Colômbia, e o Sendero Luminoso, do Peru.
A decisão foi anunciada durante a segunda reunião do Escudo das Américas, iniciativa criada pelo governo Trump em março para articular governos de direita da região em ações de combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional. O encontro, organizado pelo Departamento de Estado, liderado pelo secretário Marco Rubio, ocorreu em Nova York, à margem da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
A declaração conjunta foi assinada por: Estados Unidos (Trump), Argentina (que teve a presença do presidente Javier Milei), Bolívia (Rodrigo Paz), Chile (José Antonio Kast), Colômbia, Costa Rica, Equador (Daniel Noboa), El Salvador, Guiana (Irfaan Ali), Honduras (Nasry Asfura), Panamá, Paraguai (Santiago Peña), Peru (Keiko Fujimori), República Dominicana (Luis Abinader) e Trinidad e Tobago. Os nomes entre parênteses indicam os presidentes que participaram do encontro.
O Escudo das Américas é composto por 19 países. Bahamas, Belize, Guatemala e Jamaica também integram a coalizão, mas não tiveram representantes para assinar a declaração do encontro de terça-feira.
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Ao falar aos líderes presentes, Trump destacou a afinidade política do grupo e comemorou o que chamou de uma “grande mudança para a direita” na região.
A estratégia já envolve atuação direta das forças norte-americanas em parte da América Latina e do Caribe, com autorização de governos locais. Equador, Colômbia, Honduras, Jamaica e Guatemala autorizaram operações militares conjuntas contra grupos armados em seus territórios. A Colômbia também concordou em receber, em Medellín, uma sede regional da Americas Counter Cartel Coalition (AC3), braço operacional da iniciativa.
O que os 14 países decidiram
Os 24 grupos da lista já tinham sido classificados pelo governo dos Estados Unidos como terroristas estrangeiros. Na reunião de terça-feira, 22, Trump pediu aos integrantes do Escudo das Américas que os reconhecessem formalmente como ameaças comuns à estabilidade da região e aplicassem sanções às organizações.
Nesse ponto, surge uma diferença jurídica importante. Nos Estados Unidos, esses grupos estão formalmente classificados como terroristas. O comunicado conjunto, porém, não determina que os outros 14 países que assinaram a declaração passem a enquadrá-los da mesma maneira em suas legislações.
O documento ressalva que as ações serão adotadas de acordo com as leis nacionais e internacionais de cada país. As 24 organizações serão alvo das medidas independentemente de como sejam denominadas por cada governo.
Na prática, os 14 países aceitam ações coordenadas contra o que os Estados Unidos chamam de narcoterrorismo.
Congelamento de bens e restrições de vistos
Entre as medidas previstas estão congelamento de bens e ativos; restrições de imigração e vistos para integrantes, associados e apoiadores; responsabilização criminal de quem conscientemente fornecer apoio material, inclusive logístico; e outras sanções permitidas pelas legislações nacionais.
Os países também pretendem ampliar o compartilhamento de informações de inteligência, facilitar o acesso a tecnologias e capacidades de segurança e promover treinamento conjunto.
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O Escudo das Américas estabelece três frentes de atuação: economia, segurança e coordenação multilateral. Na área econômica, os governos pretendem aumentar a cooperação, proteger cadeias de minerais críticos e avaliar mecanismos de controle de investimentos, entre outras ações.
Os signatários também decidiram solicitar uma reunião de consulta na Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir a criação de um órgão baseado no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), de 1947. A intenção é avaliar medidas coletivas contra as organizações da lista.
Coalizão e discurso na ONU
Trump lançou o Escudo das Américas em março, nos Estados Unidos. Desde então, a coalizão foi ampliada. Chile, Colômbia e Peru estão entre as adesões mais recentes. Na reunião de Nova York, Rubio apresentou Keiko Fujimori como a integrante mais recente da iniciativa.
A lista das organizações ganhou dois integrantes brasileiros em maio. O governo de Trump decidiu pela classificação do PCC e do Comando Vermelho como terroristas globais e pela inclusão das duas facções brasileiras entre as organizações terroristas estrangeiras.
A decisão foi unilateral. O governo brasileiro rejeitou a classificação de PCC e CV como grupos terroristas, sustentando que elas devem ser enfrentadas como organizações criminosas. O Itamaraty alertou que o enquadramento adotado por Washington poderia ser usado para justificar ações extraterritoriais e afirmou haver risco até de uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro.
A reunião do Escudo das Américas ocorreu no mesmo dia em que Trump mencionou os cartéis em seu discurso na sessão inaugural da 81ª Assembleia Geral da ONU. O presidente comparou essas organizações ao Estado Islâmico e defendeu o uso do poder militar do país contra o que Washington considera ameaças aos Estados Unidos.
Confira as 24 organizações listadas
A relação adotada como alvo da primeira ação conjunta do Escudo das Américas reúne cartéis do narcotráfico, facções criminosas, gangues e grupos armados.
- Mara Salvatrucha (MS-13) — gangue nascida em Los Angeles (EUA) com raízes salvadorenhas. Tem forte atuação na América Central.
- Tren de Aragua — organização criminosa surgida na Venezuela que expandiu sua atuação para outros países das Américas.
- Carteles Unidos — aliança de grupos criminosos mexicanos concentrada principalmente em Michoacán e envolvida no narcotráfico e em disputas territoriais.
- Cartel del Golfo (Cartel do Golfo) — uma das organizações de narcotráfico mais antigas do México, historicamente concentrada no nordeste do país.
- La Nueva Familia Michoacana — organização criminosa mexicana envolvida no tráfico de drogas, extorsões e outras atividades criminosas.
- Cartel del Noreste — organização mexicana surgida a partir dos Los Zetas e concentrada principalmente no nordeste do país.
- Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG) — um dos maiores cartéis mexicanos, com uma extensa rede internacional de produção e tráfico de drogas.
- Cartel de Sinaloa — uma das maiores organizações de narcotráfico do México, com atuação internacional e diferentes facções internas.
- Gran Grif — gangue armada haitiana com forte presença no departamento de Artibonite.
- Viv Ansanm — coalizão de gangues haitianas que controla áreas de Porto Príncipe e reúne grupos anteriormente rivais.
- Los Lobos — uma das principais organizações criminosas do Equador, envolvida no narcotráfico e na violência dentro e fora do sistema prisional.
- Los Choneros — organização criminosa equatoriana ligada ao narcotráfico e a disputas pelo controle de rotas e territórios.
- Barrio 18 — gangue originária de Los Angeles (EUA) que depois se expandiu pela América Central, especialmente por El Salvador, Guatemala e Honduras.
- Cartel de los Soles — denominação usada pelos Estados Unidos para uma suposta rede de narcotráfico que Washington associa a integrantes do Estado venezuelano. O governo de Nicolás Maduro – antes de ele ser levado do país para Nova York por forças norte-americanas – negava sua existência.
- Clan del Golfo — organização colombiana de narcotráfico também conhecida como Autodefensas Gaitanistas de Colombia (AGC).
- Primeiro Comando da Capital (PCC) — facção criminosa brasileira surgida no sistema prisional paulista que expandiu suas redes de tráfico de drogas e outras atividades criminosas para outros estados e países.
- Comando Vermelho (CV) — facção surgida no sistema prisional do Rio de Janeiro, envolvida no tráfico de drogas e no controle armado de territórios, com presença também em outros estados.
- Chone Killers — organização criminosa equatoriana que foi braço dos Los Choneros e posteriormente virou um grupo independente.
- Los Viagras — organização criminosa mexicana com base principalmente em Michoacán, envolvida no narcotráfico, extorsões e disputas territoriais.
- Cartel de Juárez (La Línea) — organização mexicana historicamente ligada ao narcotráfico na região de Ciudad Juárez, na fronteira com os Estados Unidos.
- Dissidências das Farc — grupos formados por ex-integrantes das Farc que rejeitaram ou abandonaram o acordo de paz colombiano de 2016. A lista inclui Estado Mayor Central, Segunda Marquetalia, afiliados e grupos sucessores.
- Exército de Libertação Nacional (ELN) — guerrilha colombiana criada em 1964 e ainda ativa. Está na lista americana de organizações terroristas desde 1997.
- Sendero Luminoso — organização guerrilheira maoísta que iniciou uma campanha armada no Peru em 1980. Foi fortemente enfraquecida após a captura de seu líder, Abimael Guzmán, em 1992, mas ainda há grupos remanescentes.
- Los Tiguerones — organização criminosa equatoriana envolvida no narcotráfico, extorsões e assassinatos e uma das inclusões mais recentes na lista americana.
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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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