Pobreza na Argentina sobe para 32,3% no primeiro semestre de 2026

Principais pontos

  • Taxa de pobreza aumentou 4,1 pontos percentuais em relação ao segundo semestre de 2025, segundo o Indec.
  • Pobreza extrema passou de 6,3% para 7,5% da população no período.
  • Crianças são as mais afetadas pela situação, agravada pela precarização do mercado de trabalho e que coloca o presidente Javier Milei sob pressão.
Mural exibe ilustração do ídolo argentino Diego Armando Maradona na Villa Fiorito, em Buenos Aires, região onde o ex-futebolista cresceu.
Mural exibe ilustração do ídolo argentino Diego Armando Maradona na Villa Fiorito, em Buenos Aires, região onde o ex-futebolista cresceu.
Source: AFP

A taxa de pobreza na Argentina alcançou 32,3% no primeiro semestre de 2026, revertendo parte dos avanços registrados durante o governo do presidente Javier Milei na medida em que a renda das famílias não acompanhou o aumento dos preços, segundo dados oficiais divulgados na quinta-feira, 24.

A taxa cresceu 4,1 pontos percentuais em relação ao segundo semestre de 2025, informou o Instituto Nacional de Estatística e Censos, órgão responsável pelo mapeamento no país. A pobreza extrema também aumentou de forma significativa, passando de 6,3% para 7,5% da população.

As crianças foram as mais afetadas. Entre os argentinos de até 14 anos, 44,5% foram classificados como pobres e 10,8% como extremamente pobres.

O Indec considera pobres os adultos que não conseguem comprar uma cesta básica de bens e serviços avaliada em cerca de US$ 340. Já a classificação de pobreza extrema é aplicada às pessoas que não conseguem adquirir uma cesta alimentar básica, estimada em aproximadamente US$ 150.

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Alta representa revés para Milei

Os números representam um revés para Milei, presidente de orientação econômica ultraliberal, que havia reduzido quase pela metade a taxa de pobreza durante os dois primeiros anos de seu mandato, principalmente em razão da desaceleração de uma inflação historicamente elevada.

A taxa de pobreza apresentou forte oscilação desde que Milei chegou ao poder, prometendo recuperar a economia argentina por meio de medidas de austeridade fiscal e desregulamentação.

A pobreza havia chegado a 52,9% no primeiro semestre de 2024, após a desvalorização do peso argentino em mais de 50%. Depois, recuou para 28,2% no segundo semestre de 2025.

O aumento registrado neste ano coincidiu com uma aceleração da inflação no início de 2026. Posteriormente, a alta dos preços voltou a desacelerar, chegando a 1,7% em agosto, o menor índice em 14 meses.

Informalidade e perda de empregos

Eduardo Donza, pesquisador do Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina, atribuiu os elevados índices de pobreza à precarização do mercado de trabalho na segunda maior economia da América do Sul.

Os setores industrial e varejista perderam muitos postos de trabalho em meio à queda do poder de compra e à decisão do governo Milei de ampliar a abertura da economia argentina à concorrência estrangeira, o que provocou aumento das importações.

Cerca de 30 mil empresas fecharam desde que Milei assumiu a Presidência. A taxa de desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre deste ano, o maior nível desde 2021.

Economistas afirmam, porém, que mais do que o desemprego, a pobreza é impulsionada pela elevada proporção de trabalhadores informais.

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“O maior problema é a precarização do trabalho, não o desemprego, porque, quando as famílias ficam sem recursos, elas precisam inventar um trabalho, que pode ser coletar lixo, vender produtos na rua ou comercializar alimentos em uma estação de trem”, afirmou Donza.

Milei afirma que seu governo retirou 14 milhões de pessoas da pobreza. A estimativa é baseada na redução do índice de pobreza em relação ao pico registrado após sua chegada à Presidência.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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