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Para diretor-geral da OMS, SUS é exemplo para o mundo
Principais pontos
- Durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio, Tedros Adhanom Ghebreyesus afirmou que o SUS é "um dos raríssimos sistemas de saúde no mundo" capazes de atender toda a população.
- O diretor-geral da OMS declarou que saúde é "uma escolha política". O sistema nacional é oferecido para 213,4 milhões de habitantes. No país, cerca de 75% dos brasileiros não possuem plano privado de saúde.
- Criado pela Constituição de 1988, o SUS conta com atendimento básico à saúde, consultas, cirurgias, vacinação, transplantes, medicamentos, atendimento odontológico e serviços de alta complexidade.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta terça-feira, 28, que o Sistema Único de Saúde (SUS) é um exemplo para o mundo por oferecer atendimento universal a toda a população brasileira. A declaração foi feita durante uma visita ao Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
“O SUS é um dos raríssimos sistemas de saúde no mundo que cobre toda a população. Com isso, garante acesso às pessoas que não têm condições de pagar pelos serviços de saúde”, declarou. Segundo ele, o Brasil demonstra que a saúde “deve ser para todos, não apenas para alguns”.
No mundo, poucas nações contam com um sistema de saúde com atendimento universal e gratuito e que inclua oferta de medicamentos e também tratamento odontológico, como ocorre no SUS. Cuba possui o Sistema Nacional de Salud (SNS), que segue nesse molde. Sri Lanka e Brunei também têm modelos semelhantes.
O National Health Service (NHS), do Reino Unido, que costuma ser destacado pelas autoridades sanitárias, oferece atendimento gratuito e universal, porém a cobertura de medicamentos e da assistência odontológica não é integral.
Microbiologista e pesquisador da malária, Tedros também ressaltou que a existência de um sistema universal não depende apenas do reconhecimento da saúde como um direito. “Saúde é escolha política e exige compromisso político”, disse.
Entre as principais queixas dos usuários do SUS estão a demora para marcar consultas, exames e cirurgias, a dificuldade de acesso a médicos especialistas e as longas filas de espera, problemas apontados repetidamente por pesquisas de opinião sobre o sistema. Também são recorrentes as reclamações sobre falta de medicamentos e as diferenças na qualidade do atendimento e da infraestrutura em diversas partes do país.
Quantas pessoas são atendidas pelo SUS?
Criado pela Constituição Federal de 1988 e regulamentado pelas leis nº 8.080 e nº 8.142, ambas de 1990, o SUS garante acesso gratuito aos serviços de saúde a toda a população brasileira, estimada pelo IBGE em 213,4 milhões de pessoas. O atendimento inclui consultas, exames, cirurgias, vacinação, transplantes, distribuição de medicamentos e ações de vigilância sanitária e epidemiológica.
No país, cerca de 75% dos brasileiros não possuem plano de saúde privado, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) atualizados em maio de 2026. Mas mesmo o restante da população que paga por planos costuma acessar o SUS, seja para buscar vacinação, fazer transplante ou recorrer a tratamentos de alto custo.
A principal porta de entrada da rede pública é a Atenção Primária à Saúde (APS). De acordo com dados de dezembro de 2025, esse serviço alcançou 70,6% da população, o equivalente a 150,1 milhões de pessoas. Elas foram cadastradas e acompanhadas por equipes de Saúde da Família e de Atenção Primária. O trabalho da APS concentra ações como consultas, vacinação, acompanhamento de gestantes, controle de doenças crônicas como diabetes e prevenção.
Por que o diretor-geral da OMS veio ao Brasil?
Tedros veio ao Rio de Janeiro para participar da 26ª Conferência Internacional de Aids, que acontece na cidade desde o dia 26 e se estende até a sexta-feira, 31. O encontro, promovido pela Sociedade Internacional de Aids (IAS), ocorre pela primeira vez na América do Sul e reúne pesquisadores, profissionais de saúde, gestores e representantes da sociedade civil.
Na segunda-feira, 27, Tedros recebeu o título de doutor honoris causa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A homenagem reconhece sua atuação na defesa da saúde universal, da equidade no acesso aos serviços e da cooperação internacional no enfrentamento de emergências sanitárias.
Por dentro do SUS
Criação: Constituição de 1988 (saúde como direito universal) + Lei 8.080/1990, que regulamentou o sistema. Substituiu o modelo anterior, vinculado à Previdência Social.
Serviços oferecidos:
- Atenção básica: UBS, Estratégia Saúde da Família, vacinação, pré-natal, puericultura
- Atenção especializada e hospitalar: consultas, exames, cirurgias, internações, UTIs, transplantes
- Urgência/emergência: SAMU, prontos-socorros, UPAs
- Medicamentos: Farmácia Básica, Farmácia Popular, medicamentos de alto custo
- Odontologia: programa Brasil Sorridente — atenção básica (limpeza, restauração, extração) e CEOs (canal, cirurgias, próteses)
- Outros: oncologia, HIV/AIDS, saúde mental (CAPS), vigilância sanitária, banco de sangue e de leite humano
Cobertura: 100% da população, conforme a legislação; cerca de 75% dos brasileiros não possuem planos de saúde privados.
Financiamento: impostos e contribuições sociais (federal, estadual e municipal).
Sistemas públicos de saúde universais e gratuitos
- Cuba — Sistema Nacional de Salud (SNS)
- Sri Lanka — Sri Lanka National Health Service (também chamado oficialmente de State Health Service)
- Brunei — Sistema público nacional ligado ao Ministério da Saúde
Sistemas públicos universais com atendimento médico gratuito, mas sem gratuidade integral de medicamentos e/ou odontologia
- Reino Unido — National Health Service (NHS)
- Canadá — Medicare (nome dado ao sistema público universal administrado pelas províncias e territórios)
- Dinamarca — Det Danske Sundhedsvæsen, ou Danish Health Care System
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.