O futuro da saúde pública no Brasil

Uma comunidade para mães, famílias e cuidadores que acompanham a saúde no Brasil — com histórias para compartilhar e conversar no WhatsApp.

Pesquisa de polipílula para prevenir o AVC busca voluntários

Principais pontos

  • Estudo coordenado pelo Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde, testa uma polipílula, que reúne em um único comprimido um remédio para reduzir o colesterol e dois para controlar a pressão arterial, fatores de risco importantes para o AVC.
  • O projeto pretende acompanhar 8,5 mil pessoas de 50 a 75 anos, sem histórico de AVC ou infarto e que não usem medicamentos para hipertensão, colesterol ou diabetes.
  • Os participantes serão divididos entre os que receberão a polipílula e placebo; a pesquisa avaliará se a estratégia reduz o risco de AVC, demência, perda de memória e outros problemas cardiovasculares.
A polipílula reúne remédios para hipertensão e colesterol, dois dos principais fatores de risco para o AVC.
A polipílula reúne remédios para hipertensão e colesterol, dois dos principais fatores de risco para o AVC.
Source: Depositphotos
Entre na nossa comunidade

Uma polipílula, medicamento que reúne três substâncias em uma única formulação, está no centro de uma pesquisa com foco na prevenção do Acidente Vascular Cerebral (AVC). O comprimido reúne remédios para hipertensão e colesterol, dois dos principais fatores de risco para a doença. Desde 2025, o Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, em parceria com o Ministério da Saúde, conduz um estudo com voluntários para avaliar a eficácia da abordagem. Mas ele precisa de mais participantes.

O objetivo é reunir 8,5 mil pessoas, que serão acompanhadas por médicos entre três e quatro anos. Os pesquisadores procuram por homens e mulheres com idades entre 50 e 75 anos que nunca tiveram AVC ou infarto e que não façam uso de medicamentos para colesterol, hipertensão ou diabetes.

Coordenado pela neurologista Sheila Martins, chefe do serviço de neurologia e neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento, o estudo Promote testa a combinação de rosuvastatina 10 mg, indicada para reduzir o colesterol, e valsartana 80 mg e amlodipina 5 mg, usados contra a pressão alta.

A proposta da polipílula é tornar o tratamento mais simples e prático, facilitando a adesão dos pacientes, além de antecipar os cuidados com a saúde cerebral e cardiovascular.

RECOMMENDED FOR YOU

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PT) em agendas no Rio. 22/08/2026

Lula e Flávio travam disputa de discursos sobre segurança em atos simultâneos no Rio

A pesquisa também avalia estratégias para mudança de hábitos que são fatores de risco para o AVC, caso de fumo, obesidade, sedentarismo e alimentação não saudável.

Já foi realizada uma primeira fase de testes em humanos, considerada bem-sucedida. Ela envolveu 370 pessoas em Porto Alegre, entre 2020 e 2023. O projeto, que tem a parceria do ministério via Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), conta com outros centros para ampliar o atendimento.

O recrutamento de participantes e o acompanhamento ocorrem em 14 centros de AVC distribuídos por São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco e Acre, além do Rio Grande do Sul. Outros centros em todo o país serão incluídos.

"Quanto maior o número de participantes, mais robustas serão as evidências geradas e maior o potencial de orientar futuras políticas públicas de prevenção", afirmou a coordenadora para a Agência Brasil.

Como é o estudo

Os voluntários selecionados serão sorteados e divididos em dois grupos. Um irá usar a polipílula e o outro vai receber placebo, que é uma polipílula sem a medicação ativa. 

Ao longo de três anos, em média, será avaliado se esse tratamento reduz o risco de AVC, demência ou piora da memória. E, como desfecho secundário, a pesquisa vai comparar se foi reduzido também o risco de infarto, insuficiência cardíaca e morte por doença circulatória.

As informações sobre o processo de participação na pesquisa podem ser obtidas pelo telefone ou WhatsApp (51) 99935-6911. 

Aplicativo para medir riscos

O projeto tem um aplicativo, o Riscômetro, que permite ao paciente calcular o risco de ter um AVC, um infarto ou uma doença circulatória e aprender a monitorar a redução dos fatores que predispõe ao problema. O app foi criado na Universidade da Nova Zelândia e traduzido em 30 línguas, inclusive português.

RECOMMENDED FOR YOU

Mosquitos Aedes aegypti

El Niño pode elevar casos de dengue e chikungunya

“Uma coisa importante na fase inicial do estudo foi que as pessoas, usando o aplicativo, puderam mudar seu estilo de vida. Aumentaram a atividade física, por exemplo. Isso é maravilhoso. Elas recebiam mensagens lembrando de fazer atividade física. Quem fumava, parou de fumar. Então, isso motiva as pessoas a mudar para também reduzir o risco”, contou Sheila.

Alerta no Brasil e no mundo

O AVC é a principal causa de morte no Brasil. De acordo com dados do Portal da Transparência do Registro Civil, 89.490 pessoas morreram em decorrência da doença no ano passado. 

Em termos globais, a Organização Mundial do AVC estima que o número de mortes pode crescer até 50% nas próximas décadas, passando de 6,6 milhões de óbitos, em 2020, para cerca de 9,7 milhões, em 2050. 

Para a Agência Brasil, a neurologista destacou que 90% dos casos podem ser prevenidos se houver controle dos principais fatores de risco. E o mais importante deles é a hipertensão. 

A pressão alta começa a aumentar o risco de AVC a partir de 115 milímetros de mercúrio (mmHg) de sistólica, que é a pressão máxima, e 75 mmHg de diastólica (pressão mínima). A partir daí, quanto maior a pressão, maior o risco.

A pressão arterial sistólica (PAS) se refere à pressão do sangue no momento que o coração se contrai para impulsionar o fluído para as artérias. Já a pressão arterial diastólica (PAD) ocorre no início do ciclo cardíaco e se refere à capacidade de adaptação ao volume de sangue que o coração ejetou. A leitura da pressão arterial é medida por milímetros de mercúrio (mmHg).

Sheila explicou que, normalmente, o que se faz é orientar as pessoas que têm a pressão levemente aumentada a mudar o estilo de vida, diminuir sal na alimentação, fazer atividade física e não abusar do álcool. A médica disse que só a partir de 140 x 90 também é prescrita medicação.

Com Agência Brasil

RECOMMENDED FOR YOU

Mulher ameaçada

Marcas do feminicídio no Brasil

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

Se está acontecendo no Sul Global, está no nosso canal do WhatsApp.

Nós contamos as notícias que você precisa saber.

Inscreva-se agora
Ícone do banner do WhatsApp