Papa vota a distância nas eleições que definirão a força de Trump no Congresso

Principais pontos

  • Com seu gesto, Leão XIV é o primeiro papa a votar em uma eleição democrática secular
  • Eleições renovam as 435 cadeiras da Câmara e cerca de um terço do Senado.
  • Resultado pode facilitar a agenda de Trump ou ampliar os obstáculos ao governo.
Pope Leo XIV
Papa Leão XIV. Foto de Alberto PIZZOLI / AFP
Source: AFP

Leão XIV já entregou sua cédula para as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, que renovarão a Câmara e parte do Senado em novembro

O papa Leão XIV já fez sua escolha na eleição que ajudará a definir a margem de ação de Donald Trump nos dois últimos anos de seu mandato. O Vaticano confirmou nesta sexta-feira (30), em comunicado divulgado pela CNN, que o pontífice entregou sua cédula de voto a distância para as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conhecidas como midterms.

Primeiro americano a comandar a Igreja Católica, Leão XIV tornou-se também, segundo a emissora, o primeiro papa a votar em uma eleição americana. No comunicado, o Vaticano associou sua participação ao direito e ao dever dos cidadãos de participar dos processos democráticos.

O pontífice mantém a cidadania americana e seu registro eleitoral em New Lenox, na região de Chicago, no estado de Illinois, onde vive seu irmão John. Está inscrito com o nome de batismo, Robert Francis Prevost.

Voto a distância

A modalidade utilizada, chamada mail-in ballot, permite preencher e devolver uma cédula sem comparecer à seção eleitoral. A CNN ressalva, porém, que não está claro se o documento foi despachado pelo correio a partir do Vaticano.

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O ineditismo coloca o pontífice entre os personagens de uma eleição na qual a Presidência não está em disputa, mas a capacidade de governar de seu ocupante está em jogo.

Marcadas para 3 de novembro, as midterms recebem esse nome porque ocorrem na metade do mandato presidencial de quatro anos. Os eleitores renovarão as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, equivalente à Câmara dos Deputados brasileira, e aproximadamente um terço das 100 vagas do Senado. Também haverá disputas para governos estaduais e outros cargos.

Diferentemente do Brasil, onde os deputados federais são eleitos para mandatos de quatro anos, os integrantes da Câmara americana passam pelas urnas a cada dois anos. Os senadores têm mandatos de seis anos, com renovação escalonada. Esse calendário permite mudar o equilíbrio de forças em Washington mesmo sem uma nova eleição presidencial.

Possíveis riscos para Trump

Para o presidente Trump, o resultado poderá significar mais espaço para aprovar propostas ou uma segunda metade de mandato marcada por negociações difíceis e maior fiscalização parlamentar.

Uma maioria alinhada à Casa Branca nas duas Casas facilita o avanço da agenda presidencial, embora não assegure a aprovação de todas as medidas. Divergências dentro do próprio partido e regras de votação do Congresso também podem limitar as iniciativas do governo.

Se os democratas conquistarem a Câmara, poderão dificultar a aprovação de projetos, disputar prioridades de gastos e assumir o comando de comissões com poderes para investigar a administração. O controle de uma das Casas já seria suficiente para ampliar os obstáculos a propostas que precisam da aprovação de ambas.

O orçamento é um dos principais pontos dessa relação. O Congresso aprova o financiamento das atividades federais, e impasses com o Executivo podem levar à paralisação parcial de serviços públicos quando faltam recursos legalmente autorizados para mantê-los.

No Senado, a disputa envolve ainda o poder de confirmar indicações presidenciais para cargos importantes do governo e do Judiciário, incluindo a Suprema Corte. Uma maioria de oposição pode bloquear ou retardar a aprovação dos nomes escolhidos pelo presidente.

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Perder apoio no Congresso não encerra o mandato de Trump. O presidente conserva suas atribuições e instrumentos de atuação pelo Executivo, sujeitos à legislação e ao controle judicial. Mas mudanças que dependem de novas leis passam a exigir maior negociação com os adversários.

As eleições de meio de mandato também funcionam como um termômetro da avaliação do governo e da capacidade de mobilização dos partidos. A composição do Congresso eleita agora exercerá seus mandatos a partir de janeiro de 2027 e influenciará o ambiente político da sucessão presidencial de 2028.

A participação eleitoral do papa ocorre meses depois de um embate público com Donald Trump. Leão XIV criticou a guerra contra o Irã e a política de repressão à imigração do governo americano, tornando-se alvo de ataques do presidente. Trump reduziu o tom das críticas mais recentemente e passou a destacar que Louis, um dos dois irmãos do pontífice, é seu apoiador.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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