Orçamento de 2027 prevê inflação de 3,6%; veja o que pode mudar no seu bolso
Principais pontos
- Governo federal apresenta ao Congresso proposta orçamentária de R$ 7,45 trilhões para o ano que vem e confirma previsão de salário mínimo de R$ 1.741. A projeção de inflação está abaixo dos 4,28% esperados pelo mercado financeiro.
- Estimativa é terminar 2027 com R$ 18,6 bilhões a mais em receitas do que em despesas, sem contar os juros da dívida.
- Orçamento será executado no primeiro ano do próximo mandato presidencial.

O governo federal enviou ao Congresso nesta segunda-feira, 31, sua proposta de Orçamento para 2027. É o documento que reúne as previsões para a economia e estabelece quanto a União espera arrecadar e gastar no próximo ano.
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa), apresentado à imprensa pelos ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento), confirma a previsão, já divulgada pelo GSW Brasil, de que o salário mínimo passe dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 em janeiro, aumento de R$ 120, ou 7,4%. O valor ainda não é definitivo porque depende da inflação acumulada até novembro. Pela regra atual, o reajuste repõe a inflação e acrescenta um ganho acima dela, calculado a partir do crescimento da economia e limitado pelas regras fiscais.
O mínimo não determina apenas o pagamento de quem recebe esse salário. Também é referência para aposentadorias e pensões do INSS, Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguro-desemprego e abono salarial. Por isso, seu reajuste alcança milhões de pessoas e também aumenta despesas do governo.
Preços devem continuar subindo, mas em ritmo menor
Para montar o Orçamento, o governo considerou inflação de 3,60% em 2027. Isso não significa queda de preços. Se a previsão se confirmar, produtos e serviços continuarão ficando mais caros, em média, mas em ritmo menor.
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A projeção está abaixo dos 4,28% esperados pelo mercado financeiro, segundo o Relatório Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira, 31. O Focus reúne previsões de instituições e profissionais do mercado.
Também há uma diferença importante em relação ao crescimento da economia. O governo trabalha com avanço de 2,46% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a mediana das projeções reunidas pelo Focus está em 1,50%. A apresentação do Orçamento confirma os 2,46% usados pela equipe econômica.
Essa diferença importa porque uma economia que cresce mais tende a favorecer emprego e renda e também a aumentar a arrecadação de impostos. Se a atividade avançar menos do que o governo prevê, as receitas podem ficar abaixo do esperado.
Os juros, por sua vez, devem continuar pesando. O governo elevou de 10,55% para 12,53% sua estimativa para a Selic acumulada em 2027. Juros altos tornam mais caros empréstimos, financiamentos e compras a prazo e aumentam os custos das empresas que recorrem ao crédito.
Bolsa Família não tem reajuste previsto
O projeto destina R$ 157,1 bilhões ao Bolsa Família e não prevê reajuste do benefício em 2027. Para o BPC, pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda que atendam aos critérios do programa, são R$ 145,1 bilhões. Os benefícios da Previdência somam R$ 1,169 trilhão.
Na Saúde, estão previstos R$ 272,2 bilhões, exatamente o mínimo exigido pelas regras atuais. A Educação terá R$ 141,2 bilhões, pouco acima do piso de R$ 138,8 bilhões. Para investimentos, a proposta reserva R$ 133,8 bilhões, ante um mínimo de R$ 88,7 bilhões.
Ao mesmo tempo, diminuiu o espaço previsto para despesas sobre as quais o Executivo tem maior poder de decisão. Esse montante, que inclui recursos para manter ministérios e políticas públicas funcionando e realizar investimentos, ficou em R$ 266,8 bilhões, R$ 7,9 bilhões abaixo do previsto anteriormente para 2027.
Isso não significa, por si só, corte de R$ 7,9 bilhões em Saúde ou Educação. A redução atinge o conjunto desses gastos mais flexíveis e mostra que o governo terá menos espaço para acomodar novas despesas e prioridades.
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Governo prevê terminar o ano no azul
A proposta estima que o governo federal termine 2027 com R$ 18,6 bilhões a mais em receitas do que em despesas, sem contar os juros da dívida pública. É o chamado superávit primário.
A previsão considera R$ 2,849 trilhões em receitas, depois das transferências para estados e municípios, e R$ 2,830 trilhões em gastos com Previdência, salários, benefícios, serviços e políticas públicas.
Mas quem acompanhar as notícias sobre o Orçamento também encontrará outro número: R$ 83,4 bilhões. A diferença ocorre porque a legislação permite retirar determinadas despesas da conta usada para verificar se o governo cumpriu sua meta. Entre elas estão parte dos precatórios, dívidas que a União foi condenada definitivamente pela Justiça a pagar.
Feitas essas exclusões, o saldo considerado para a meta chega a R$ 83,4 bilhões. O objetivo estabelecido para 2027 é de R$ 73,2 bilhões, o que deixa uma margem de R$ 10,1 bilhões pelas contas apresentadas pelo governo.
Há pouco espaço para aumentar alguns gastos
O Orçamento também carrega consequências de resultados fiscais dos anos anteriores. Como o governo registrou déficit em 2025, uma regra limita a 0,6% acima da inflação o crescimento das despesas com pessoal do Executivo em 2027, com exceção de pagamentos determinados pela Justiça. Na prática, isso restringe o espaço para aumentos reais de gastos com servidores.
Outra regra limita o crescimento de despesas que têm receitas específicas destinadas por lei. O Ministério do Planejamento calcula que esse mecanismo conterá cerca de R$ 8,9 bilhões em gastos em 2027.
Essas restrições ajudam o governo a tentar fechar as contas no azul, mas também diminuem sua liberdade para ampliar despesas.
Um Orçamento preparado antes da eleição
Há ainda uma particularidade importante: o Orçamento 2027 será executado no primeiro ano do mandato presidencial que começa em janeiro.
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Quem assumir não poderá simplesmente descartar o Orçamento nem decidir livremente o destino de todo o dinheiro. Boa parte das despesas é obrigatória, determinada pela Constituição ou por leis. Na proposta para 2027, elas representam 91,7% das despesas primárias.
Também precisam ser respeitados os pisos de Saúde e Educação e as regras fiscais em vigor. O salário mínimo segue uma fórmula definida em lei. Para mudar essas regras, não basta uma decisão do presidente: é necessária alteração na legislação.
Há, porém, uma parcela do Orçamento em que o Executivo tem maior poder de escolha. É justamente o dinheiro usado para custear parte do funcionamento do governo, programas e investimentos. O presidente que tomar posse poderá mudar prioridades nessa parcela e também propor ao Congresso alterações no Orçamento e nas próprias políticas públicas.
Antes disso, o projeto ainda será analisado pelos deputados e senadores, que poderão modificar a distribuição dos recursos. O Orçamento apresentado agora, portanto, estabelece o ponto de partida para 2027, mas nem todas as escolhas feitas pelo atual governo necessariamente permanecerão iguais depois da eleição.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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