Dívida bruta do governo alcança 81,9% do PIB em junho

Principais pontos

  • A dívida bruta do governo geral, que compreende o governo federal, INSS e governos estaduais e municipais, somou R$ 10,809 trilhões em junho, o equivalente a 81,9% do PIB.
  • O setor público consolidado, que inclui o governo geral mais as empresas estatais não financeiras (inclusive estaduais e municipais), exceto a Petrobras e a Eletrobras, registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho.
  • Os juros nominais do setor público consolidado somaram R$ 110,7 bilhões em junho de 2026, ante R$ 61 bilhões em junho de 2025.


Imagem mostra notas de cem reais e de cinquenta reais
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Source: Pixabay

A dívida bruta do governo geral, que compreende o governo federal, INSS e governos estaduais e municipais, somou R$ 10,809 trilhões em junho, o equivalente a 81,9% do (PIB) Produto Interno Bruto do Brasil, e representa um aumento de 0,9 (p.p - ponto percentual)  em relação a maio, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta, 31. É o patamar mais alto desde abril de 2021.

O Banco Central informa que o aumento de 0,9 ponto percentual em junho contra maio foi decorrente, principalmente dos juros nominais apropriados (0,8 p.p), das emissões líquidas de dívidas (0,6 p.p.) e do efeito da variação do PIB nominal (-0,5 p.p.). No recorte anual, a dívida bruta do governo geral acelerou 3,3 ponto percentual do PIB, resultado da incorporação de juros nominais (4,9 p.p.), das emissões líquidas de dívida (1,3 p.p.), do crescimento do PIB nominal (-2,7 p.p.) e do efeito da valorização cambial (-0,2 p.p.).

Dívida líquida

Já a dívida líquida do setor público, que é o total das dívidas de todo o setor público menos os diversos créditos do governo (com destaque para as reservas internacionais), alcançou 68,5% do PIB, o equivalente a R$ 9,0 trilhões em junho, uma elevação de 0,6 ponto percentual do PIB no mês.

O resultado decorre dos impactos dos juros nominais apropriados (0,8 p.p.), do déficit primário (0,4 p.p.), dos demais ajustes da dívida externa líquida (0,1 p.p.), da desvalorização cambial de 2,4% no mês (-0,2 p.p.) e do efeito da variação do PIB nominal (-0,4 p.p.).

Déficit primário

O setor público consolidado, que inclui o governo geral mais as empresas estatais não financeiras (inclusive estaduais e municipais), exceto a Petrobras e a Eletrobras, registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho, aumento de R$ 8,2 bilhões em relação ao déficit de R$ 47,1 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado. 

Em 12 meses encerrados em junho, o déficit do setor público consolidado foi de R$ 157,2 bilhões, o que é equivalente a 1,19% do PIB, e representa aumento de 0,06 p.p. do PIB em relação ao período acumulado até maio.

No governo central, composto pelo Poder Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário, o déficit foi de R$ 47,2 bilhões em junho de 2026.

Juros

Os juros nominais do setor público consolidado somaram R$ 110,7 bilhões em junho de 2026, ante R$ 61 bilhões em junho de 2025. O crescimento da conta de juros nominais deve-se à evolução das operações de swap cambial no período - ganho de R$ 20,9 bilhões em junho de 2025 e perda de R$ 9,3 bilhões em junho de 2026. No acumulado de 12 meses até junho, os juros nominais alcançaram R$ 1.160 bilhões (8,80% do PIB), comparativamente a R$ 912,3 bilhões (7,41% do PIB) nos 12 meses até junho de 2025.

As operações de swap cambial são usadas pelo Banco Central para acalmar o mercado de dólar e evitar usar moeda estrangeira alocada nas reservas internacionais do país. Esses contratos financeiros têm foco em proteção cambial, regulação da liquidez interna e influencia as taxas. 

Nominal

O resultado nominal do setor público consolidado, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$ 166,0 bilhões em junho. No acumulado em doze meses, o déficit nominal alcançou R$ 1.317,8 bilhões (9,99% do PIB), elevando-se 0,38 p.p. do PIB em relação ao mês anterior.​

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.