Número de mortos após enchentes no Nepal e Tibete ultrapassa 1.200 pessoas

Principais pontos

  • Uma semana após a tragédia, mais de 4 mil pessoas continuam desaparecidas.
  • As operações de busca avançam em regiões antes isoladas, com helicópteros, cães farejadores, equipamentos para localizar sobreviventes e máquinas pesadas.
  • Autoridades chinesas conseguiram reabrir a rodovia nacional G216, principal acesso terrestre à região de Gyirong, uma das áreas mais atingidas.
Tragédia no Nepal e Tibete ultrapassa 1.200 mortes
Tragédia no Nepal e Tibete ultrapassa 1.200 mortes
Source: Reprodução/ X/ Nepal Police

Uma semana após a tragédia que devastou regiões montanhosas na fronteira entre Nepal e Tibete, foi anunciado um novo balanço que aponta ao menos 1.204 mortos nos dois países e mais 4 mil desaparecidos. 

As informações foram divulgadas pela NDRRMA (Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do país), nesta quarta-feira (2/9). 

De acordo com boletim publicado pelo Ministério das Relações Exteriores do Nepal, 11.993 pessoas foram resgatadas até o momento, incluindo mais de 300 cidadãos estrangeiros. Aproximadamente 590 cidadãos estrangeiros de 34 países permanecem desaparecidos.

Uma força conjunta composta pelo Exército do Nepal, pela Polícia do Nepal e pela Força Policial Armada continua as operações de busca, resgate, evacuação e assistência nas áreas afetadas e em seu entorno. 

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Equipes de resgate em túneis da Índia, da China e da República da Coreia também estão mobilizadas em coordenação com o Exército do Nepal.

No Tibete, as autoridades chinesas conseguiram reabrir a rodovia nacional G216, principal acesso terrestre à região de Gyirong, uma das áreas mais atingidas.

A liberação da estrada permite a entrada de máquinas pesadas e de equipes que contam com cães farejadores e aparelhos capazes de detectar sinais de vida sob os escombros.

As buscas, porém, ainda enfrentam dificuldades provocadas pelas chuvas, pelo risco de novos deslizamentos e pela instabilidade do terreno.

O que provocou a tragédia

A catástrofe ocorreu na última quarta-feira, 26 de agosto, quando uma grande massa de gelo se desprendeu de uma geleira na região do Himalaia.

Análises de imagens de satélite indicam que esse movimento ocorreu nas proximidades do Langtang Lirung, a mais de 5 mil metros de altitude.

A massa de gelo despencou aproximadamente 1.200 metros até o fundo do vale. Durante a descida, a avalanche incorporou grandes quantidades de rochas e sedimentos, antes de atingir o sistema de rios da região.

A enorme massa de água, gelo, lama e detritos avançou pelos vales, atravessando áreas do Tibete e do Nepal. 

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Segundo informações reunidas pela Reuters, o fluxo chegou a atingir cerca de 180 km/h. Em um dos pontos monitorados, o nível do rio subiu até nove metros em apenas meia hora.

Ainda não se sabe o que desestabilizou a geleira. Cientistas ouvidos pela Reuters afirmam que temperaturas mais altas e o derretimento do gelo podem aumentar a instabilidade em regiões de alta montanha, mas neste momento não é possível atribuir diretamente este episódio às mudanças climáticas.

O desastre destruiu vilarejos, casas, instalações de geração de energia, pontes e dezenas de quilômetros de estradas, deixando comunidades inteiras isoladas.

Os detritos também bloquearam cursos de água e formaram lagos temporários, aumentando inicialmente o temor de novas enxurradas caso essas barragens naturais se rompessem.

Reconstrução pode custar até US$ 5 bilhões

No último dia 29, o ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, relatou para a agência Reuters que a estimativa é de que o país precisará de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões (cerca de R$ 20,8 bilhões a R$ 26 bilhões) para reconstruir as áreas destruídas. O cálculo é inicial.

Wagle disse que os custos não devem chegar ao montante empregado para a recuperação do país devido ao terremoto de magnitude 7,8 de 2015. Na ocasião, os custos da reconstrução chegaram a US$ 9 bilhões. Mais de oito mil pessoas morreram na tragédia.

Enquanto as buscas continuam, o governo nepalês já começa a calcular o tamanho do esforço necessário para reconstruir as áreas devastadas.

A prioridade, por enquanto, continua sendo localizar os milhares de desaparecidos e restabelecer o acesso às comunidades atingidas, enquanto Nepal e China tentam reconstruir a infraestrutura destruída e ampliar os sistemas de monitoramento para reduzir o impacto de novos desastres na região.

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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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