Fronteira agrícola do país, Matopiba ameaça o Cerrado
Principais pontos
- Formada por quatro estados (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a região já produz mais de 35 milhões de toneladas de grãos por ano e deve chegar a 48 milhões até 2033.
- Ela respondeu por 40% de toda a área desmatada do Brasil em 2025.
- O desafio é produzir e preservar: especialistas defendem incentivos à conservação para garantir o clima e a sustentabilidade do agronegócio.

Uma região que reúne porções fronteiriças de quatro estados está entrando cada vez mais no radar do brasileiro. É Matopiba, considerada hoje a principal fronteira agrícola em expansão no país. O nome da área é a junção das siglas desses quatro estados: Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Oficializada por decreto federal em 2015, a região compreende 337 municípios que somam cerca de 73 milhões de hectares. Nos últimos anos, produtores rurais foram atraídos para a região por uma combinação estratégica: topografia plana, que favorece a mecanização do plantio, e o baixo custo da terra em comparação a polos consolidados do Centro-Sul.
Com terras mais baratas e o desenvolvimento de pacotes tecnológicos adaptados às condições locais, o Matopiba viu sua produção de grãos, especialmente soja, milho e algodão, aumentar exponencialmente. Hoje, a região responde por mais de 35 milhões de toneladas anuais. De acordo com o Ministério da Agricultura, a projeção é de que os quatro estados atinjam uma produção de quase 48 milhões de toneladas em 2033.

O impacto ambiental no Cerrado
A expansão acelerada do agronegócio, contudo, preocupa os ambientalistas. Em 2025, o Cerrado – o segundo maior bioma do Brasil e a maior savana tropical da América do Sul – concentrou 55% dos 984.794 hectares de área desmatada do país.
Segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, divulgado pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) no final de maio, o Matopiba respondeu por 392 mil hectares desmatados, centralizando 40% de todo o desmatamento do país e 70% da perda de vegetação nativa no Cerrado.
O levantamento aponta que todos os 10 municípios mais desmatados do bioma estão localizados na região.
"O mundo não tolera mais o desmatamento porque compromete, junto às mudanças climáticas, a produção de alimentos", alertou André Guimarães, diretor executivo do IPAM.
Para Guimarães, a lógica de ocupação precisa ser invertida para garantir a sustentabilidade do próprio negócio. “O Matopiba deveria ser visto como um repositório estratégico de vegetação nativa para estabilizar o clima e garantir chuva para a agricultura, e não como uma fronteira de expansão do desmatamento. Ao mesmo tempo, é preciso criar mecanismos de incentivo e compensação para as pessoas que ajudam a conservar a vegetação nativa da região”, analisou.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.