Nos EUA, opositores de Trump usam Flávio Bolsonaro para desgastar presidente

Principais pontos

  • Senador fugiu para os EUA após perder eleição para presidente Lula e recebeu autorização da Casa Branca para ficar no país.
  • Parlamentares do partido Democrata questionam coerência da política migratória do republicano e afirmam que derrota eleitoral não é motivo para 'asilo'.
  • Tema é explorado às vésperas para eleições de meio de mandato, com Trump pressionado e sob risco de ver oposição conquistar maioria parlamentar.
Boneco de Donald Trump é exibido em manifestação bolsonarista na avenida Paulista, em São Paulo: opositores do americano exploram sua relação com Flávio Bolsonaro (PL) para desgastá-lo nos EUA
Boneco de Donald Trump é exibido em manifestação bolsonarista na avenida Paulista, em São Paulo: opositores do americano exploram sua relação com Flávio Bolsonaro (PL) para desgastá-lo nos EUA
Source: AFP

Parlamentares do Partido Democrata têm utilizado a acolhida do senador Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos para criticar o presidente Donald Trump às vésperas das eleições de meio de mandato americanas, marcadas para novembro. 

As manifestações questionam a coerência da política migratória republicana e retomam acusações de interferência do governo americano no processo eleitoral brasileiro.

A repercussão ganhou força depois que a Casa Branca confirmou a concessão de vistos a Flávio e familiares. O senador deixou o Brasil após perder o segundo turno da eleição para o presidente Lula (PT), no domingo, 25, quando teve a apreensão de seu passaporte determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Em publicação nas redes sociais, o perfil oficial dos democratas da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes questionou a decisão do secretário de Estado, Marco Rubio. O grupo comparou o tratamento concedido ao brasileiro à situação de pessoas que fogem de conflitos no Sudão e no Haiti.

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O deputado Joaquin Castro, do Texas, também criticou a decisão. "Perder uma eleição não é motivo para asilo", declarou. Outros parlamentares, como Shri Thanedar, de Michigan, também questionaram a iniciativa do republicano.

Democratas retomam críticas a atuação de Trump no Brasil

A ofensiva não começou com a chegada de Flávio aos EUA. Em setembro, 31 parlamentares democratas — 30 deputados e o senador Bernie Sanders — enviaram uma carta a Marco Rubio acusando o governo Trump de interferir nas eleições brasileiras.

O documento mencionava medidas como a imposição de tarifas comerciais contra o Brasil e sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, ambas tomadas como medidas de reação ao processamento judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 

Para os democratas, as iniciativas representavam uma tentativa de pressionar as instituições brasileiras e favorecer o campo político ligado à família Bolsonaro. A vitória de Lula, portanto, passou a integrar o discurso dos democratas como contraponto à atuação de Trump na América Latina.

A proximidade das eleições de meio de mandato acrescenta uma dimensão eleitoral à disputa. Os democratas utilizam o episódio brasileiro para capitalizar politicamente, questionando a política migratória e a atuação internacional do presidente, enquanto a imigração permanece um dos temas centrais do debate político nos EUA e a economia registra índices preocupantes — sobretudo a inflação.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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