Mais de 100 pessoas morrem após desabamento em garimpo na República Centro-Africana
Principais pontos
- Deslizamento atingiu área de mineração artesanal em Zamboye, perto da fronteira com Camarões; buscas por vítimas continuam.
- Mais de 100 corpos já foram retirados, segundo voluntário da Cruz Vermelha; número exato de pessoas que estavam no local ainda é desconhecido.
- Acidente teria ocorrido após o colapso de túneis subterrâneos usados pelos garimpeiros; autoridades abriram investigação.
Mais de 100 pessoas morreram após um deslizamento de terra atingir uma área de mineração artesanal de ouro em Zamboye, no oeste da República Centro-Africana, perto da fronteira com Camarões. As equipes de resgate ainda trabalham na retirada das vítimas e o número de mortos pode aumentar.
O acidente ocorreu na tarde de terça-feira, 18, a cerca de 50 km da cidade de Baboua, na região de Nana-Mambéré. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram parte do terreno cedendo e uma grande quantidade de terra avançando sobre pessoas que estavam na área de mineração.
As autoridades ainda não divulgaram um balanço oficial. O número de pessoas que estavam no local no momento do desabamento também é desconhecido.
Segundo a Promotoria de Baboua, a principal hipótese é que o acidente tenha sido provocado pelo "desabamento de vários túneis subterrâneos nos quais os garimpeiros trabalhavam". Uma investigação judicial foi aberta para apurar as circunstâncias da tragédia.
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Sobreviventes foram levados a um hospital de Baboua. Entre os mortos também há cidadãos de Camarões. Autoridades camaronesas informaram que estão trabalhando em conjunto com as da República Centro-Africana no atendimento às vítimas e nas ações após o desastre.
Buscas enfrentam dificuldades
Os trabalhos de resgate são dificultados pela grande quantidade de terra que cobriu a área. Máquinas pesadas, incluindo tratores, estão sendo utilizadas para remover o material, informou o site centro-africano Corbeau News.
Mas o uso desses equipamentos pode colocar em risco eventuais sobreviventes ainda soterrados, acrescentou o veículo. Famílias permanecem no local à espera de informações sobre parentes que trabalhavam na mina.
Zamboye é uma região de exploração de ouro. Um relatório do Grupo de Especialistas das Nações Unidas sobre a República Centro-Africana já havia documentado atividades de mineração na área e rotas de comercialização em direção a Camarões.
Garimpo e falta de segurança
O garimpo é uma importante fonte de renda para parte da população da República Centro-Africana. Em Zamboye, jovens e adultos trabalham em poços e galerias escavados para alcançar as camadas de minério.
De acordo com o Corbeau News, a falta de empregos e de outras oportunidades econômicas leva inclusive jovens a abandonar a escola ou atividades agrícolas para trabalhar na extração de ouro. Os poços são frequentemente escavados de forma manual e podem atingir vários metros de profundidade.
As condições precárias de segurança tornam os desabamentos recorrentes. Em 8 de junho, outro acidente em uma área de garimpo em Kinyémé, também na região de Nana-Mambéré, deixou pelo menos oito mortos e mais de dez desaparecidos.
Outros acidentes fatais ocorreram neste ano no país. O Le Monde reporta que sete pessoas morreram em março após um deslizamento em uma mina no vilarejo de Ngourroum, no oeste, e outras 20 morreram em fevereiro em Gordi, no nordeste.
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A República Centro-Africana possui grandes reservas minerais, entre elas ouro e diamantes, mas parte da exploração ocorre artesanalmente e fora do controle do Estado. O desabamento em Zamboye reacendeu críticas às condições de trabalho nesses locais e à falta de medidas de segurança para os garimpeiros.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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