Lula e Trump conversam sobre tarifaço e acertam retomada de negociações

Principais pontos

  • Em telefonema nesta sexta-feira, 21, o presidente brasileiro contestou as justificativas dos EUA para as novas tarifas e defendeu a manutenção do diálogo comercial.
  • Trump concordou com a necessidade de preservar os vínculos comerciais e propôs que as equipes dos dois países voltem a se reunir o mais breve possível.
  • Os presidentes também discutiram cooperação contra o crime organizado e as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.
Lula conversou por telefone com Donald Trump. Em maio, os presidentes se encontraram em Washington.
Lula conversou por telefone com Donald Trump. Em maio, os presidentes se encontraram em Washington.
Source: Ricardo Stuckert/ PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou na manhã desta sexta-feira, 21, para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Um dos temas da conversa, que durou uma hora e 20 minutos, foi o tarifaço. Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, a ligação “transcorreu em tom amistoso e cordial”.

No fim de julho foram impostas novas tarifas ao Brasil após investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). Lula enfatizou, na conversa ao telefone, que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas.

Lula comentou que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil quanto os Estados Unidos. Ele afirmou, de acordo com a nota do Planalto, que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. O presidente reiterou também a importância de trabalharem juntos “para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil”.

A nota diz que Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível.

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O USTR anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros nos termos da investigação aberta pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O tarifaço passou a valer no dia 22 de julho. Depois, impôs outra de 12,5%, que entrou em vigor no dia 24. Quando as duas incidem sobre o mesmo produto, a alíquota chega a 37,5%.

Entre os produtos taxados nesta nova onda de tarifas estão calçados, máquinas e equipamentos, móveis, açúcar e etanol.

Combate ao crime organizado

O presidente brasileiro manifestou o interesse na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. Lula afirmou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas. Ressaltou que o país tem instrumentos para enfrentar as facções sem precisar de classificação especial para designá-las.

Na conversa, Lula disse que há planos de transformar 138 presídios em prisões de segurança máxima. Também mencionou a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne oficiais dos países amazônicos.

Por sua vez, Trump teria se disposto a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar andamento aos entendimentos na área.

Além disso, de acordo com a nota, os dois presidentes – que se encontraram pessoalmente na Casa Branca em maio – trocaram impressões sobre conflitos como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Ambos teriam concordado sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para as questões entre Rússia e Ucrânia.

Trump comentou sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã – que completará seis meses na próxima sexta-feira, 28. E Lula lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU. Ele propôs a convocação de uma reunião extraordinária da entidade para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais. Conforme a nota do Palácio do Planalto, o presidente brasileiro declarou que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos.

Reciprocidade

No dia 13 de agosto, o governo federal anunciou a abertura formal do processo para avaliar se a imposição unilateral de tarifas por parte dos Estados Unidos contra exportações brasileiras será respondida com base na Lei da Reciprocidade. Ela foi sancionada no ano passado, após Trump impor o primeiro tarifaço ao país.

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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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