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Lições de seis mulheres líderes no mercado de comunicação
Principais pontos
- Lideranças da Nestlé, Unilever, iFood, e das agências de publicidade VML, Galeria e Artplan são homenageadas na 14ª edição do Women To Watch, evento que reconhece mulheres que conduzem negócios e inspiram outras profissionais a alçar postos de comando.
- As seis homenageadas destacaram que nenhuma carreira de sucesso é construída sozinha e falam da importância do papel de outras mulheres em suas trajetórias, das redes de apoio e da colaboração ao longo da carreira.
- Elas defendem que ser líder significa abrir caminhos e espaços para mais mulheres. E que é possível transformar desigualdades em ações concretas.

Propósito, empatia, diversidade, autenticidade, legado, redes de apoio e disposição para abrir caminho para outras mulheres foram conceitos abordados na 14ª edição do Women To Watch, evento organizado pelo Meio & Mensagem, que todos os anos reconhece lideranças femininas do mercado de comunicação. Seis mulheres foram homenageadas nesta quarta-feira, 5, em São Paulo.
As mulheres celebradas neste ano são Ana Coutinho, vice-presidente de negócios e sócia da Galeria, holding brasileira na área de comunicação; Glaucia Montanha, CEO da agência de publicidade Artplan; Ionah Kochen, vice-presidente de marketing e comunicação da Nestlé Brasil; Karina Ribeiro, CEO da multinacional VML, também do segmento de publicidade; Luana Ozemela, CSO e vice-presidente de impacto e sustentabilidade do iFood; e Thais Hagge, presidente de beleza e bem-estar da Unilever na América Latina.
Desde sua criação, em 2013, a premiação já reconheceu 92 mulheres que contribuíram para tornar o mercado mais diverso e inclusivo.
A abertura do evento ficou a cargo da atriz Débora Falabella, que conversou com a apresentadora Laura Vicente sobre o tema "Liderar o agora". Estrela do premiado monólogo "Prima Facie" – que acompanha a trajetória de uma advogada que defende acusados de agressão sexual e que se vê obrigada a confrontar as desigualdades de gênero e as falhas do sistema de Justiça após sofrer violência sexual –, Débora fez reflexões sobre presença e escuta.
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A atriz defendeu a importância da desconexão do ambiente digital e da presença plena, usando o teatro como exemplo. Segundo ela, assistir ou atuar em uma peça exige concentração e escuta atenta, em um ritmo oposto ao da vida cotidiana, marcada por excesso de estímulos e respostas imediatas.
Debora contou que chega ao teatro duas horas antes das apresentações para se preparar e se desligar do celular. Para ela, a capacidade de desacelerar pode ser levada para outras áreas da vida e do trabalho, onde a produtividade não deveria ser medida apenas pela rapidez, mas também pela reflexão e pelo pensamento crítico.

Depois desse momento, cada homenageada subiu ao palco e, nos discursos de agradecimento, deixaram mensagens que inspiram outras mulheres. Confira:
Ninguém constrói uma carreira sozinho
Essa é a principal mensagem das homenageadas. Ana, Ionah, Thais e Glaucia afirmaram que suas trajetórias só foram possíveis graças ao apoio de familiares, colegas, líderes e amigos.
Ana agradeceu às mulheres que passaram por sua vida e que a ajudaram a se tornar a líder que é atualmente. E agradeceu também às empresas onde atuou, à família, à equipe e aos clientes que a acompanharam nessa trajetória. Ionah afirmou que uma trajetória profissional nunca é construída de forma isolada. "Subo nesse palco, mas não subo sozinha", disse.
Glaucia atribuiu parte de sua carreira às mulheres que a acolheram e orientaram desde o início da profissão. Também mencionou os homens que a incentivaram em sua trajetória dentro do mercado. Thais destacou que existe uma "rede não dita e não vista" formada por familiares, líderes, equipes, parceiros e clientes que sustentam cada conquista.
Quem chega ao topo pode abrir espaço para outras mulheres
Karina e Thais defenderam que ocupar um cargo de comando vai além do reconhecimento individual. A CEO da VML afirmou que a liderança deve abrir caminho e espaço para outras mulheres, com cores, histórias e origens diferentes.
Thais reforçou que ampliar a presença feminina nos espaços de decisão também faz parte dessa responsabilidade. Segundo ela, decisões melhores acontecem quando mais mulheres ocupam as mesas de liderança.
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Glaucia fez referência a mulheres que a orientaram em seu início com conselhos sobre trabalho, linguagem e até estilo. E falou do apoio recebido pela família.
Ionah também ressaltou que liderar é compartilhar aprendizados e desenvolver talentos. Ela pontuou que ainda há muito por vir. “Que muito mais mulheres possam ser vistas, ouvidas e celebradas”.
É possível liderar com empatia e sem abrir mão da personalidade
Thais ressaltou que hoje consegue exercer uma liderança fiel à própria personalidade, usando a empatia para tomar decisões. Essa postura a ajuda a trazer mais mulheres para cadeiras importantes, favorecendo ambientes inclusivos. “Decisões e movimentos acontecem quando há outras pessoas sentadas à mesa”. E ela emendou: “Temos de continuar ocupando espaços”.
O desconforto diante de desigualdades pode ser um motor de transformação
Luana fez uma reflexão sobre desigualdade inspirada em uma frase do filósofo Jiddu Krishnamurti: "Não é sinal de saúde estar bem ajustado a uma sociedade profundamente doente". Ela salientou que saúde também envolve a mente. E disse que viver em uma sociedade marcada por tantas desigualdades deveria nos causar desconforto.
Para ela, o reconhecimento recebido no palco não se trata apenas de celebrar trajetórias bem sucedidas. E sim de valorizar “mulheres que transformam o incômodo em ação. Mulheres que escolhem não se acomodar diante das barreiras que ainda impedem milhões de pessoas de desenvolver todo o seu potencial”.
A executiva do iFood deixou uma mensagem para todas as mulheres que sentem esse mesmo desconforto: “é normal sentir que ainda há muito a ser transformado. O que não pode ser normal é não fazer nada a respeito”.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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