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Feminicídios aumentam e batem recorde em São Paulo
Principais pontos
- O estado de São Paulo registrou 188 vítimas de feminicídio entre janeiro e setembro de 2026, ante 185 no mesmo período de 2025. Em oito anos, o número de mortes praticamente dobrou.
- Na capital paulista, os feminicídios caíram 19,1%. Na Grande São Paulo, excluindo a capital, a redução foi de 27%, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública.
- No restante do estado, os registros aumentaram 21,8%, passando de 101 para 123 vítimas. Entre os casos de setembro está o assassinato de uma mulher que possuía medida protetiva contra o ex-companheiro.

Entre janeiro e setembro, foram registrados 188 casos, o maior número para o período desde 2018; no interior paulista, crescimento chegou a 21,8%, enquanto capital e Grande São Paulo tiveram queda.
O estado de São Paulo registrou 188 vítimas de feminicídio entre janeiro e setembro de 2026, o maior número para os nove primeiros meses do ano desde 2018. Os dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostram que, enquanto as mortes diminuíram na capital e na Grande São Paulo, o restante do estado apresentou crescimento de 21,8% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo do ano passado, foram registradas 185 vítimas em todo o estado.
Embora o aumento tenha sido de 1,6%, a comparação histórica revela um avanço expressivo da violência letal contra mulheres: em 2018, foram contabilizados 95 feminicídios no mesmo intervalo. O crescimento acumulado chegou a 97,9%.
A série histórica da SSP, considerando sempre o período de janeiro a setembro, apresenta a seguinte evolução de registros (número de vítimas):
- 2018: 95
- 2019: 122
- 2020: 126
- 2021: 108
- 2022: 132
- 2023: 166
- 2024: 176
- 2025: 185
- 2026: 188
Desde 2021, quando foram registrados 108 feminicídios, o estado acumula cinco aumentos anuais consecutivos.
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Interior concentra crescimento dos feminicídios
A distribuição regional revela diferenças importantes. Na cidade de São Paulo, os feminicídios passaram de 47 para 38, queda de 19,1%. Na Grande São Paulo, formada pelos 38 municípios do entorno da capital, os registros diminuíram de 37 para 27, redução de 27%.
No restante do estado, os registros aumentaram de 101 para 123 vítimas, o que representa 22 mortes a mais do que no mesmo período de 2025.
Somadas, a capital e a Grande São Paulo tiveram 65 feminicídios, contra 84 no ano anterior.
A diferença mostra que a evolução dos feminicídios não foi uniforme no território estadual. Os dados, isoladamente, não permitem identificar as razões para o aumento dos crimes no interior.
Mulher com medida protetiva foi assassinada no interior
Entre os casos de setembro está o assassinato de Talita Ramos Andrade, atendente de caixa de 35 anos, encontrada morta com marcas de tiros e sinais de violência no rosto, em 5 de setembro, em uma estrada rural de Artur Nogueira, na região de Campinas.
Mãe de três filhos, Talita havia encerrado um relacionamento de aproximadamente 20 anos e se mudado para Campinas após receber ameaças do ex-companheiro. Ela registrou boletim de ocorrência e obteve uma medida protetiva contra ele.
Talita havia retornado a Artur Nogueira para devolver um carro ao ex-companheiro, mas não voltou para casa. Seu corpo foi encontrado por um morador.
O ex-companheiro, Anderson Sousa Andrade Ramos, de 42 anos, foi apontado como principal suspeito. A Justiça decretou sua prisão preventiva, mas ele morreu em 7 de setembro, após ser baleado durante uma troca de tiros com guardas municipais.
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O caso de Talita ilustra uma das situações mais graves da violência contra as mulheres: o assassinato de vítimas que já tinham denunciado ameaças e procurado proteção.
Prisões por violência doméstica aumentaram
O crescimento dos feminicídios no interior ocorreu em um período de aumento das prisões e apreensões relacionadas à violência doméstica. Entre janeiro e agosto de 2026, foram contabilizadas 10.286 prisões e apreensões desse tipo no interior paulista, ante 8.240 no mesmo intervalo de 2025, alta de 24,8%.
Na capital, as prisões e apreensões passaram de 1.865 para 2.487. Na Grande São Paulo, aumentaram de 1.580 para 2.070, embora os feminicídios tenham diminuído nas duas regiões.
Os indicadores medem situações diferentes. O aumento das prisões pode refletir tanto a quantidade de ocorrências que chegam à polícia quanto a intensificação das ações de segurança, sem permitir uma conclusão direta sobre as causas da violência.
Segundo o governo paulista, o estado dispõe de 144 Delegacias de Defesa da Mulher, das quais 39 funcionam 24 horas por dia. Na Grande São Paulo, são 21 unidades especializadas, cinco delas com atendimento ininterrupto.
Como fazer denúncias
Desde 2024, o feminicídio é considerado crime autônomo no Código Penal brasileiro. A legislação caracteriza o crime como o assassinato de uma mulher por razões da condição do sexo feminino, incluindo situações de violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Mulheres ameaçadas ou vítimas de violência podem procurar qualquer delegacia para registrar a ocorrência e solicitar uma medida protetiva de urgência. A Lei Maria da Penha prevê mecanismos como o afastamento do agressor da residência e a proibição de aproximação ou contato com a vítima.
Em situações de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190. O Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, funciona gratuitamente, 24 horas por dia, para receber denúncias, orientar sobre direitos e indicar serviços de proteção.
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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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