Ataques e poucas propostas em confronto na Band são destaque no exterior
Principais pontos
- BBC ouviu analistas que avaliaram o desempenho dos candidatos e alertaram para o risco de aumento da abstenção no segundo turno.
- Jornais europeus destacaram as provocações de Flávio, as dificuldades de comunicação de Lula e a ausência de respostas sobre políticas públicas.
- Na Argentina, jornais repercutiram as menções às políticas econômicas de Javier Milei.

Confronto caótico, deslocamentos invasivos, provocações calculadas para as redes sociais e dificuldades para conquistar o eleitor indeciso. Essas foram algumas das avaliações da imprensa internacional sobre o debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela Band no domingo, 18, a uma semana do segundo turno da eleição presidencial brasileira.
A repercussão foi além das críticas ao tom agressivo. Jornais espanhóis analisaram as estratégias de comunicação dos candidatos e apontaram diferenças entre o desempenho televisivo e a capacidade de responder às perguntas. A BBC ouviu especialistas que alertaram para o possível impacto do confronto sobre a abstenção eleitoral, enquanto a imprensa argentina deu atenção às referências ao governo de Javier Milei.
Veja o que alguns veículos internacionais noticiaram:
BBC: debate pode afastar eleitores das urnas
O risco de aumento da abstenção eleitoral foi um dos aspectos abordados pela BBC News, em reportagem de Vanessa Buschschlüter e Mariana Schreiber. A emissora ouviu três analistas que apresentaram interpretações diferentes sobre o desempenho dos candidatos.
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Yuri Sanches, da AtlasIntel, avaliou que o debate não apresentou discussão de políticas públicas nem argumentos racionais. Para ele, os eleitores independentes, que ora rejeitam Bolsonaro, ora o PT, terminaram o encontro com uma impressão muito negativa.
Lucas Aragão, da Arko Advice, considerou que Flávio se mostrou mais tranquilo e conseguiu irritar Lula. Já Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, avaliou que o presidente marcou um ponto ao propor que ambos abrissem seus registros financeiros e telefônicos, assim como os de seus familiares, para análise da Justiça.
O formato do programa também recebeu críticas. Houve momentos caóticos, com os candidatos circulando pelo estúdio enquanto o adversário falava.
El País: Flávio provocou, mas Lula complicou suas respostas
Mensagens simples e diretas deram vantagem a Flávio Bolsonaro na disputa pela atenção do público, segundo a análise do espanhol El País, assinada por Joan Royo Gual e María Martín.
O jornal descreveu Lula como tecnocrático e Flávio como provocador. O senador tomou a iniciativa desde o início, procurando desestabilizar o presidente, que demorou a reagir. Posteriormente, Lula conseguiu direcionar parte da discussão para a economia e para as relações da família Bolsonaro com Donald Trump.
Na avaliação do El País, o presidente desperdiçou oportunidades ao recorrer a explicações complexas, enquanto o adversário apostou em frases de efeito. A reportagem também apontou que Flávio deixou sem resposta perguntas sobre corrupção, direitos trabalhistas e suas relações com os Estados Unidos.
Alemanha: espetáculo televisivo substituiu discussão de propostas
A preocupação dos candidatos em produzir cenas para as redes sociais chamou atenção do alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ). Na análise do jornal alemão, alguns momentos do debate se assemelharam a espetáculos de luta encenada.
Na avaliação do diário, as provocações e os gestos destinados a circular em vídeos curtos ganharam espaço em detrimento das respostas sobre como os candidatos pretendem governar o Brasil. O FAZ também observou que Flávio evitou responder diretamente a diversas perguntas feitas por Lula.
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Le Monde: polarização e acusações dominaram confronto
Insegurança, custo de vida e gastos sociais foram os principais temas explorados por Flávio Bolsonaro em seus ataques ao governo, observou o francês Le Monde.
Na cobertura, o jornal também abordou a estratégia de Lula de associar o adversário às políticas de austeridade do presidente argentino Javier Milei. O Le Monde destacou que Flávio não respondeu diretamente se adotaria medidas semelhantes no Brasil.
La Nación: Milei entrou no centro da disputa brasileira
O presidente argentino acabou se tornando um dos personagens do confronto brasileiro. Essa foi uma das principais observações do La Nación.
Lula questionou se Flávio pretendia reproduzir no Brasil o modelo econômico argentino, marcado por cortes de gastos públicos. O senador evitou responder diretamente e afirmou que promoveria cortes na corrupção.
A reportagem também examinou o embate sobre a saúde pública. Segundo o jornal, Lula conseguiu equilibrar a disputa no segundo bloco, ao questionar Flávio sobre a condução da pandemia de covid no governo de Jair Bolsonaro. O senador reconheceu que a saúde não havia sido a área de melhor desempenho da gestão do pai.
Na avaliação do La Nación, o debate produziu material para as redes sociais dos dois candidatos, mas não houve erro decisivo capaz de alterar significativamente a disputa eleitoral.
Clarín: perguntas evitadas e embate sobre relações com os EUA
As relações da família Bolsonaro com os Estados Unidos estiveram entre os assuntos acompanhados pelo argentino Clarín, que fez a cobertura do debate em tempo real.
Lula acusou a família Bolsonaro de estar subordinada aos interesses norte-americanos e de ter contribuído para pressionar o Brasil por meio das tarifas comerciais impostas por Washington. Flávio negou a acusação.
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O jornal também registrou perguntas que o senador não respondeu, entre elas as relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ao irmão Eduardo Bolsonaro e ao voto contrário à ampliação da licença-maternidade das funcionárias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em 2009, quando ele era 2009.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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