Acordo dá aos EUA controle sobre 21% das reservas de petróleo da Venezuela

Principais pontos

  • A negociação costurada por Donald Trump envolve 17 campos com 65 bilhões de barris de reservas comprovadas, cerca de um quinto do total do país.
  • Segundo o Washington Post, os Estados Unidos serão sócios majoritários de uma nova empresa petrolífera que terá contratos de 100 anos para atuar nos campos venezuelanos.
  • O projeto prevê mais de US$ 100 bilhões em investimentos privados; o governo de Delcy Rodríguez estima que o desenvolvimento dos campos renderá mais de US$ 209 bilhões em tributos à Venezuela.
Instalações da Petroindependencia, no Orinoco.
Instalações da empresa Petroindependencia, na área de Carabobo, na faixa petrolífera do Orinoco.
Source: Reprodução/ Facebook/ PDVSA

Um acordo entre Estados Unidos e Venezuela dará aos norte-americanos controle majoritário sobre 17 campos que concentram 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo — cerca de 21% de todo o volume conhecido no subsolo venezuelano.

O acerto foi anunciado nesta sexta-feira, 28, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Pouco depois, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou o acordo em comunicado publicado em seu perfil no Instagram.

Trump afirmou na rede Truth Social que os Estados Unidos garantiram o “controle majoritário” de mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas venezuelanas, em uma parceria com o setor privado e “sem qualquer custo para o contribuinte norte-americano”.

A Venezuela possui cerca de 303 bilhões de barris de reservas comprovadas, uma das maiores do mundo. O país, no entanto, produz atualmente cerca de 1,25 milhão de barris por dia.

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17 campos e US$ 100 bilhões em investimentos

No comunicado veiculado no Instagram, Delcy declarou que o acordo permitirá “aumentar consideravelmente a produção de petróleo com a participação de operadores privados”.

Conforme o comunicado, estão previstos o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com potencial comprovado de 65 bilhões de barris, mais de US$ 100 bilhões em investimentos e mais de US$ 209 bilhões em tributos para o Estado venezuelano.

Delcy afirmou que os recursos contribuirão para “a recuperação e modernização de nossa indústria” e para o crescimento econômico do país. De acordo com ela, o objetivo é colocar as reservas venezuelanas “a serviço do desenvolvimento nacional”, com geração de empregos e aumento da renda dos trabalhadores.

O país ainda enfrenta os efeitos dos terremotos de 24 de junho, que deixaram mais de 6,3 mil mortos. O Banco Mundial estima que a reconstrução da Venezuela poderá custar até US$ 50 bilhões.

Nota no Instagram de Delcy Rodriguez

Como será o controle dos EUA

Os 65 bilhões de barris não serão transferidos para os Estados Unidos. O número representa o petróleo que se estima existir no subsolo dos campos incluídos no acordo.

O Washington Post reportou ter ouvido de autoridades do governo que os Estados Unidos serão sócios majoritários de uma nova empresa petrolífera que terá contratos de 100 anos para atuar nos campos venezuelanos. O arranjo dará aos norte-americanos controle sobre uma parcela significativa das reservas do país.

Os termos jurídicos e financeiros do acordo não foram tornados públicos. O anúncio de Trump não identificou os 17 campos nem detalhou todas as empresas privadas que participarão do projeto.

A dimensão do negócio também aparece no comunicado venezuelano. Enquanto Trump enfatiza o controle norte-americano sobre as reservas, Delcy apresenta o acordo como uma forma de atrair capital para recuperar a indústria petrolífera do país. Ela defendeu que a iniciativa facilitará “um importante fluxo de investimentos” para reconstruir a infraestrutura estratégica do setor.

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O acordo ocorre em meio à crise no mercado de energia provocada pela guerra contra o Irã, iniciada há seis meses por Estados Unidos e Israel. O conflito reduziu drasticamente o tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás, e mantém os preços dos combustíveis pressionados.

O barril do Brent permanece em torno de US$ 90, cerca de 25% acima do nível anterior à guerra. O impacto é maior sobre os combustíveis: nos Estados Unidos, o preço da gasolina subiu aproximadamente 30% em um ano.

O acerto entre Venezuela e Estados Unidos acontece também em mais um cenário de pressão sobre Trump, a poucos meses das eleições legislativas de novembro. O presidente enfrenta desgaste na opinião pública.

Trump declarou que o negócio “mais que duplica” as reservas petrolíferas norte-americanas. Os 65 bilhões de barris, porém, não devem ser confundidos com a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos.

A reserva estratégica é formada por petróleo já extraído e armazenado pelo governo para situações de emergência.

Desde a operação militar norte-americana que capturou Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, e o levou para os Estados Unidos, Washington vem ampliando sua influência sobre o setor petrolífero venezuelano. O petróleo ocupa papel central na relação estabelecida entre o governo Trump e a administração interina de Delcy.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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