Enxurrada de pesquisas eleitorais alimenta reta final da campanha para presidente
Principais pontos
- Pesquisas eleitorais são usadas por Lula e Flávio Bolsonaro para reforçar narrativas e atrair indecisos.
- Estudo do efeito bandwagon indica que liderança nesse tipo de levantamento atrai votos e pode definir a disputa de 2º turno.
- Equipe de Lula investe nas redes da Meta para conversar com quem ainda não se decidiu e ganha empurrão positivo de pesquisa divulgada nesta quarta-feira (21), pela Quaest.

Pesquisa eleitoral nem sempre acerta, mas tem poder de influenciar voto. E aí pode estar um trunfo da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) na reta final das eleições deste ano.
Nesta semana que antecede o segundo turno de votação no Brasil (no domingo, 25), há cerca de 28 pesquisas nacionais de intenção de voto registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Entre elas, estão levantamentos de institutos mais renomados, como Quaest e Datafolha, e também de empresas pouco conhecidas (e reconhecidas). Sábado (24) é o prazo final para a divulgação desse tipo de levantamento.
Garimpar esse alto volume de pesquisas, divulgadas em tão poucos dias, seria uma das estratégias dos candidatos para explorar dados que favoreçam seus respectivos discursos – principalmente Lula, que busca dialogar com os indecisos.
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Nesse caso, vale recorrer a institutos menos conceituados e tirar proveito da grande quantidade de pesquisas espremidas nos poucos dias que antecedem a votação.
Isso porque essa profusão de dados permite suprir as narrativas de ambos os lados, ajudando-os a encontrar números capazes de atenuar cenários desfavoráveis e reforçar a tese de vitória.
Por um lado, o campo de Flávio Bolsonaro aposta na vantagem do senador, que vem se mantendo na dianteira das pesquisas desde o resultado do primeiro turno.
Por outro, a equipe de Lula concentra forças no “vira-voto”, enfocando a redução da diferença entre os candidatos na preferência dos eleitores. Ou seja, o crescimento de Lula.
Efeito bandwagon pode definir 2º turno?
Esse recurso de explorar números favoráveis em pesquisas está ligado a estudos acadêmicos sobre o efeito bandwagon — a inclinação de parcela dos eleitores em alinhar seu voto ao candidato apontado como favorito.
Em experimento publicado em 2021 no International Journal of Public Opinion Research, o pesquisador Mike Farjam demonstrou que a liderança nas pesquisas conferiu aos candidatos tidos como favoritos um ganho médio de sete pontos percentuais.
O fenômeno se traduz na atração exercida pela perspectiva de vitória, resumida na máxima popular de não desperdiçar o voto.
Trata-se de um caminho particularmente atraente para Lula, que corre atrás dos votos dos indecisos.
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Conforme análise de Cila Schulman, CEO do Instituto Ideia, para o Relatório Reservado, o eleitorado indeciso situa-se entre 3% e 4% do total, sendo composto majoritariamente por mulheres da classe C na região Sudeste, afetadas pelo desgaste da polarização política.
Esse percentual é considerado decisivo para definir a margem de vitória na apuração final.
Diante desse cenário, há indicações de que a equipe de campanha do atual presidente tenha intensificado a contratação de mídia paga nas redes sociais da Meta, durante esta semana. O objetivo seria justamente atingir os eleitores mais influenciáveis pelas pesquisas eleitorais.
A projeção aponta um investimento de aproximadamente R$ 3 milhões em publicidade no Facebook e no Instagram, em apenas dois dias.
Nesse cenário, o foco estratégico exige alta precisão no direcionamento digital para alcançar com exatidão o eleitorado que permanece indeciso.
Empurrão positivo para Lula
Um fato ocorrido hoje fortalece a estratégia da equipe de Lula e pode elevar a régua dos dados explorados pelo candidato nos próximos dias.
A pesquisa Quaest apresentada nesta quarta-feira (21), que está entre as de maior credibilidade do país, mostrou queda de 1% na intenção de votos para Flávio Bolsonaro, diminuindo a distância entre ele e Lula – mesmo que o empate técnico, já apresentado na pesquisa anterior, se mantenha.
O levantamento mostra Flávio com 45% das intenções de voto (ele tinha 46% na pesquisa do dia 14/10) e Lula com 44% (mesmo percentual da semana passada).
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Foram entrevistadas 2.154 pessoas com 16 anos ou mais, de sábado (17) a terça-feira (20). A pesquisa foi contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo e está registrada no TSE sob o número BR-08535/2026.
Mais expressivos do que esses números, no entanto, são os percentuais referentes à rejeição aos candidatos.
Segundo a Quaest, a rejeição a Lula caiu de 53% para 47%, enquanto o percentual dos que poderiam votar nele oscilou para cima, de 47% para 49%.
Além disso, há mais mais eleitores com medo do retorno da família Bolsonaro ao poder (a partir de uma possível vitória de Flávio Bolsonaro).
A Quaest desta quarta-feira (21) revelou que 44% temem a eleição de Flávio, enquanto 42% receiam a continuação de Lula como presidente. Na pesquisa divulgada pela Quaest na semana anterior (no dia 14), ambos apareciam empatados, com 43%.
Também acena positivamente para o time de Lula o resultado da pesquisa espontânea, quando não se apresenta aos entrevistados os nomes dos candidatos. Nesse caso, segundo a Quaest, Lula e Flávio aparecem empatados, com 40% das intenções de votos, cada.
Essa mesma categoria da pesquisa revela que dobrou o número de indecisos – alvo principal da campanha de Lula no momento – passando de 7% para 14%. Em outras palavras, quanto mais pesquisas com dados que ajudem a construir narrativas para conquistar esse público, melhor.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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