Entenda os protestos do movimento estudantil contra o governo da Índia

Principais pontos

  • Estudantes na Índia protestam contra fraudes e vazamentos em exames nacionais que afetaram mais de quatro milhões de candidatos.
  • Liderado pelo grupo Cockroach Janta Party (CJP), o movimento exige a renúncia imediata do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan.
  • As manifestações ganharam o apoio de partidos da oposição no parlamento e se tornaram um dos maiores desafios políticos ao governo de Narendra Modi em 2026.
Manifestantes seguram cartazes durante ato no Freedom Park, em Bengaluru, nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026. A mobilização ocorre em solidariedade aos protestos em Jantar Mantar, em Nova Délhi, que pedem a renúncia do ministro da Educação da Índia, Dharmendra Pradhan, após denúncias de irregularidades no exame nacional de admissão médica (NEET).
Lideradas pelo movimento estudantil Cockroach Janta Party (CJP), articulado em redes sociais, as manifestações tornaram-se um dos principais desafios políticos enfrentados pelo governo do primeiro-ministro Narendra Modi desde sua reeleição em 2024.
Manifestantes seguram cartazes durante ato no Freedom Park, em Bengaluru, nesta quarta-feira, 22
Source: AFP/ IDREES MOHAMMED

O movimento estudantil Cockroach Janta Party (CJP) intensificou as manifestações nesta quarta-feira, 22, em Jantar Mantar, no centro de Nova Délhi, na Índia, exigindo a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan.

Os protestos ganharam adesão de partidos de oposição no parlamento após escândalos de vazamento de provas e falhas na correção de exames nacionais que afetaram mais de quatro milhões de estudantes. A mobilização se tornou um dos maiores desafios políticos para o governo do primeiro-ministro Narendra Modi desde sua reeleição em 2024.

"Não deixaremos Jantar Mantar até que Dharmendra Pradhan renuncie", disse o porta-voz do CJP, Ashutosh Ranka, sendo aplaudido por apoiadores. "No país onde as pessoas haviam esquecido como fazer perguntas, no país onde criticar o governo era considerado traição — nós agora despertamos esse país."

Como surgiu o Cockroach Janta Party

O grupo Cockroach Janta Party (CJP), que soma milhões de seguidores em redes sociais, surgiu em maio. A mobilização começou como uma resposta satírica a declarações atribuídas ao juiz-presidente da Suprema Corte, Surya Kant, que comparou jovens a "baratas" e "parasitas" durante uma audiência judicial.

Desde então, o movimento ampliou suas reivindicações para abordar temas como o desemprego, a escassez de oportunidades de trabalho para jovens e críticas ao modelo de governança do primeiro-ministro Narendra Modi.

A crise se aprofundou após irregularidades em exames nacionais:

  • Exame de admissão médica: O vazamento de gabaritos forçou mais de dois milhões de candidatos a refazerem o teste.
  • Avaliação do ensino médio: Divergências no sistema de correção online afetaram o resultado de quase dois milhões de estudantes.

Como começaram os protestos?

Na segunda-feira, 20, no início da sessão legislativa de monção do parlamento, manifestantes tentaram marchar em direção ao prédio do legislativo. A polícia de Délhi utilizou gás lacrimogêneo e cassetetes para conter a marcha. Manifestantes reagiram arremessando pedras, registrando o maior confronto de rua na capital em cinco anos.

A atuação policial foi criticada por organizações internacionais. Em nota, a Anistia Internacional afirmou que o uso da força pela polícia de Délhi levanta questionamentos sobre os critérios de legalidade, necessidade e proporcionalidade previstos pelo direito internacional.

Na quarta-feira, a Suprema Corte da Índia recusou-se a analisar uma petição que alegava truculência policial contra os estudantes.

No local de Jantar Mantar, onde um grupo de ativistas está acampado há quase um mês, uma manifestante disse que esta era a primeira vez que a juventude do país tinha a oportunidade de erguer sua voz.

"Estou com medo porque na segunda-feira vi a polícia bater nas pessoas e usar a força, mas não temos escolha a não ser manter nosso movimento em frente", disse à AFP Kavya, uma estudante de 20 anos que forneceu apenas o primeiro nome.

Articulação política no parlamento

Os estudantes ganharam respaldo da oposição parlamentar. Lideranças políticas realizaram um ato em frente à residência do primeiro-ministro.

Rahul Gandhi, integrante do partido do Congresso, compareceu ao parlamento vestido de preto para exigir pedidos de desculpas formais do governo pela repressão aos protestos. Paralelamente, o líder do Samajwadi Party, Akhilesh Yadav, criticou o posicionamento de Narendra Modi no parlamento, apontando que o chefe de governo permanece em silêncio sobre um tema que impacta a juventude do país.

O que diz o Ministério da Educação

Em suas primeiras declarações públicas após os confrontos, o ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, afirmou em publicação nas redes sociais que o governo está disposto a debater o assunto no parlamento e manter o compromisso com reformas institucionais.

Pradhan declarou que o governo deve respostas, transparência e soluções para os estudantes, defendendo a estabilidade do sistema educacional.

O apoio ao CJP cresceu além de Délhi, com protestos menores também sendo realizados em Mumbai, Bengaluru e Goa.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.