Nepal e Tibete enfrentam risco de novas enxurradas após tragédia
Principais pontos
- Detritos carregados pelas enxurradas bloquearam rios e formaram lagos que podem romper, mantendo comunidades dos dois lados da fronteira em alerta.
- Os balanços, ainda em atualização, apontam cerca de 390 mortos e quase 1.400 desaparecidos ou sem contato; mais de 500 estrangeiros estão entre eles.
- Um terremoto de magnitude 5.0 atingiu nesta quinta-feira, 27, o norte do Tibete, mas o epicentro ficou a centenas de quilômetros da área da tragédia e não há indicação de relação entre os eventos.

O risco de novas enxurradas mantém em alerta nesta quinta-feira, 27, áreas do Nepal e do Tibete atingidas no dia anterior por uma avalanche de gelo e rochas que desencadeou uma violenta corrente de água, lama e detritos. O material acumulado bloqueou cursos de água e formou lagos temporários que podem romper.
No Nepal, a Autoridade Nacional de Redução e Gestão do Risco de Desastres alertou para um lago formado pelo represamento do rio Bhote Koshi, na região atingida. No Tibete, outro lago se formou próximo ao posto fronteiriço de Gyirong, onde o acúmulo de gelo, rochas e sedimentos criou uma barragem natural. Autoridades chinesas informaram que o reservatório já começava a transbordar e consideram elevado o risco de uma descarga repentina. Moradores e equipes de resgate foram orientados a se manter afastados das margens dos rios nas áreas ameaçadas.
As enxurradas atingiram na quarta-feira, 26, a região montanhosa da fronteira entre o Nepal e o Tibete, território autônomo da China. Entre as áreas mais afetadas estão o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, e Gyirong, no lado tibetano, em uma importante rota terrestre entre Katmandu e Lhasa.
Os números de vítimas continuam sendo atualizados. Os balanços mais recentes apontam cerca de 390 mortos e quase 1.400 pessoas desaparecidas ou sem contato. Mais de 500 estrangeiros estão entre elas.
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Enquanto autoridades trabalham no resgate e no atendimento às vítimas, um terremoto de magnitude 5.0 atingiu nesta quinta-feira outra parte do Tibete. O tremor ocorreu centenas de quilômetros ao norte da área devastada pelas enxurradas e não há indicação de relação entre os dois acontecimentos.
A destruição dificulta as operações de busca. Vilarejos foram arrasados, dezenas de pontes e cerca de 40 quilômetros de estradas foram destruídos ou ficaram intransitáveis. Casas, veículos e instalações de geração de energia também foram atingidos, deixando localidades isoladas e sem eletricidade. Helicópteros estão sendo usados para procurar sobreviventes, retirar feridos e levar alimentos, barracas e outros suprimentos.
O que provocou a tragédia
Novas análises ajudaram a reconstruir o início da catástrofe. Imagens de satélite indicam que uma grande massa de gelo se desprendeu da parte frontal de uma geleira próxima ao Langtang Lirung, a cerca de 5.200 metros de altitude, e despencou aproximadamente 1.200 metros até o fundo do vale. Já se falava nessa queda no dia da tragédia.
A avalanche incorporou rochas e sedimentos e atingiu o sistema de rios da região. A massa de água, lama e detritos avançou pelos vales, atingiu o posto fronteiriço de Gyirong e seguiu em direção ao Nepal. Segundo informações reunidas pela Reuters, o fluxo chegou a avançar a cerca de 180 km/h. Em um ponto de medição, o nível do rio subiu até nove metros em meia hora.
Um sinal sísmico produzido pelo desastre chegou a ser identificado como um terremoto de magnitude 4,4 na própria quarta-feira. Mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) esclareceu que ele havia sido gerado pelo próprio colapso do gelo e pelo fluxo de detritos.
Ainda não se sabe o que desestabilizou a geleira. Cientistas ouvidos pela Reuters afirmam que temperaturas mais altas e o derretimento do gelo podem aumentar a instabilidade em regiões de alta montanha, mas neste momento não é possível atribuir diretamente este episódio às mudanças climáticas.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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