Entenda o que o futuro de Trump enfrenta nas urnas nesta terça-feira

Principais pontos

  • As eleições de meio de mandato nos EUA vão definir a maioria da Câmara e do Senado, impactando a governabilidade de Trump.
  • A alta do custo de vida e o conflito no Irã impulsionaram a desaprovação do presidente e o favoritismo dos democratas nas pesquisas.
  • Uma vitória da oposição pode destravar investigações sobre a gestão americana e suas supostas interferências em assuntos do Brasil.
Donald Trump em discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU.
Donald Trump em discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU.
Source: Divulgação/ ONU / Loey Felipe

Os cerca de 210 milhões de eleitores dos Estados Unidos vão às urnas na próxima terça-feira (3) para escolher todos os 435 deputados da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado. Além disso, a população vai definir os governadores em 36 dos 50 estados americanos.

O resultado dessa votação impacta diretamente o futuro do presidente Donald Trump na Casa Branca, já que a oposição democrata tem chances de conquistar a maioria no Congresso. O desfecho também carrega repercussões políticas para o Brasil, considerando que os democratas vêm cobrando a Casa Branca sobre supostas interferências da gestão Trump em assuntos brasileiros — como o financiamento de campanhas americanas contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

Neste momento, os republicanos mantêm uma maioria apertada na Câmara e no Senado, o que dá a Trump mais liberdade para avançar com suas pautas.

No entanto, as pesquisas de opinião apontam favoritismo dos democratas, impulsionado, entre outros fatores, pela alta no custo de vida. A guerra iniciada por Trump contra o Irã é apontada como um dos estopins da inflação, ao provocar a alta nos preços dos combustíveis após as restrições à navegação no Estreito de Ormuz.

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Nos últimos meses, a taxa de desaprovação do presidente subiu para 61%, contra 36% de aprovação, segundo média de pesquisas calculada pelo jornal The New York Times.

Diante desse cenário adverso, Trump chegou a prometer o pagamento de US$ 5 mil para cada adulto no país caso o Partido Republicano vença as eleições na Câmara e no Senado, além de intensificar viagens pelo país em campanha com seus aliados.

De acordo com Paulo Abraão, diretor-executivo da Brazil Office Alliance (organização que conecta pesquisadores brasileiros nos EUA), a eleição vai ditar o nível de controle do Legislativo sobre o presidente:

“Se a oposição conquistar uma das Casas, poderá ampliar investigações, exigir explicações do governo e dificultar sua agenda legislativa. O controle da Câmara é particularmente relevante para a fiscalização”, explicou em entrevista à Agência Brasil.

Ele destaca ainda que o domínio do Senado garante o poder de confirmar ou barrar a nomeação de autoridades e juízes:

“Se os republicanos mantiverem as duas Casas, Trump terá condições políticas mais favoráveis para avançar sua agenda, embora isso não elimine divergências dentro do próprio partido”, completou.

Em relação à segurança do processo eleitoral, Trump voltou a colocar dúvidas sobre o sistema norte-americano. Em 2020, ao perder para Joe Biden, ele alegou fraudes sem apresentar provas. Questionado recentemente por jornalistas, afirmou que respeitará o resultado “se forem eleições honestas”.

Política externa

Uma vitória dos democratas pode trazer mudanças para a política externa dos EUA, principalmente quanto ao conflito no Irã. Ainda assim, Abraão ressalta que a Presidência possui ampla liberdade de ação internacional, mesmo com o Congresso em oposição:

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“Um Congresso mais independente pode aumentar os custos políticos, fiscalizar decisões e disputar recursos, sem comandar a diplomacia”, observou.

Repercussão para o Brasil

Caso perca a maioria em uma ou nas duas casas legislativas, o enfraquecimento político de Trump deve ser sentido nas relações com o Brasil, marcadas recentemente por tarifas comerciais e atritos com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Abraão, um Congresso sob controle democrata pode aprofundar investigações sobre a atuação da família Bolsonaro nos EUA e suas conexões com a gestão Trump:“Parlamentares democratas já vêm cobrando explicações. O ponto central seria esclarecer se instrumentos do Estado americano foram utilizados para favorecer um grupo político estrangeiro, por quais razões e sob quais fundamentos”, apontou.

O especialista ressalta que uma comissão parlamentar poderia apurar inclusive as denúncias contra a Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp) por suposto favorecimento a Flávio Bolsonaro durante o pleito brasileiro. Na época, a queda de alcance de contas ligadas a Lula foi atribuída pela empresa a “problemas técnicos”.

"Uma mudança no controle do Congresso pode transformar cobranças, hoje expressas em cartas, em investigações com maior capacidade de produzir provas e exigir respostas. Isso não é automático, depende das prioridades da nova maioria e pode enfrentar resistência e disputas judiciais", concluiu o professor de direito.

Nas últimas semanas, a pressão democrata sobre a Casa Branca se intensificou via cartas cobrando esclarecimentos sobre a atuação da Meta no Brasil e a revogação do visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Na última quinta-feira (30), os parlamentares também exigiram explicações sobre um eventual envolvimento americano na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, ocorrida a despeito da proibição imposta pela Justiça brasileira — Flávio responde a processos por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.

Com informações da Agência Brasil

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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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