Entenda a crise migratória que levou milhares de migrantes marroquinos a Ceuta em um dia
Principais pontos
Cerca de 49 mil migrantes entraram em Ceuta em 24 horas, quase metade da população local.
Centros de acolhida estão lotados, há gente dormindo nas ruas e relatos de saques.
O premiê da Espanha, Pedro Sánchez, promete acelerar repatriamentos e enfrenta críticas na Europa e nos EUA.

A cidade espanhola de Ceuta, enclave no norte da África, registrou nas últimas 24 horas uma das maiores entradas de imigrantes na história.
De acordo o balanço mais recente do Ministério do Interior da Espanha, cerca de 49 mil pessoas atravessaram a fronteira com o Marrocos em 24 horas, por mar e por terra.
O número de mortos, a maioria jovens que tentaram nadar até o enclave, é de 24, segundo a EFE, agência de notícias espanhola.
Por que agora
O governo espanhol atribui o afluxo a uma decisão do Tribunal Supremo do início de julho, que determinou que migrantes interceptados no mar ao tentar chegar a Ceuta ou Melilla não podem ser devolvidos de imediato ao país de origem, por causa do regime jurídico especial desses enclaves.
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Marrocos, por sua vez, culpa "organizações criminosas" pela mobilização em massa.
Ceuta tem cerca de 83,6 mil habitantes recenseados. A entrada estimada de 49 mil pessoas em um único dia equivale a quase metade da população local, e supera de longe a crise de maio de 2021, quando cerca de 10 mil migrantes cruzaram a fronteira em dois dias.
Os centros de acolhida (CETI) e os destinados a menores estão completamente saturados, com centenas de pessoas dormindo nas ruas e parques. Houve também relatos de saques em lojas e tensão com a população local.
Diante do cenário, o presidente da cidade, Juan Jesús Vivas, pediu a declaração de emergência nacional e o fechamento da fronteira, e alguns migrantes já começaram a ser transferidos para a península.
O premiê da Espanha, Pedro Sánchez, cancelou compromissos e viajou a Ceuta nesta sexta-feira, onde classificou o episódio como um ataque à integridade territorial espanhola. O governo enviou o Exército para reforçar a Guarda Civil na cidade e prometeu acelerar o repatriamento dos migrantes marroquinos.
O caso gerou reação de outros países. A Itália e a Holanda defenderam a suspensão da Espanha do Espaço Schengen, zona de livre circulação entre 29 países.
A Finlândia fez cobrança semelhante, alegando falha espanhola na proteção da fronteira externa da União Europeia, e a França ativou uma força de intervenção rápida na fronteira com a Espanha, segundo o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez.
Nos Estados Unidos, a Casa Branca atribuiu a crise a "políticas globalistas de extrema esquerda" do governo espanhol.
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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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