Crise se agrava: migrantes em Ceuta relatam violência e fome

Principais pontos

  • Agressões e roubos geram preocupação crescente com a segurança.
  • Grupo também sofre com exposição a intempéries e abrigos inadequados.
  • Autoridades espanholas estão expandindo acomodações temporárias e apoio humanitário.


Migrantes que permanece em Ceuta sofrem com agressões, falta de comida e de abrigo
Migrantes que permanece em Ceuta sofrem com agressões, falta de comida e de abrigo
Source: Reprodução

Migrantes que vivem em acampamentos improvisados no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, afirmam enfrentar violência, fome e uma incerteza crescente, enquanto aguardam a decisão das autoridades sobre seu futuro.

Nesta semana, equipes médicas atenderam migrantes feridos e distribuíram suprimentos na área de Samu Naves, onde diversas pessoas se aglomeraram ao redor de uma ambulância em busca de ajuda.

Um jovem migrante afirmou que moradores de áreas próximas têm ido ao local para agredi-los e roubar seus alimentos e pertences.

"Eles nos tratam com profundo desprezo. Dormimos na rua, e há pessoas que levam nossa comida. Eles nos batem, nos agridem e tentam levar nossos pertences à força", declarou. "Estamos indefesos porque somos estrangeiros aqui. Então, somos forçados a ficar calados. Isso é mais do que conseguimos suportar."

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Outro migrante descreveu a situação como "horrível", alegando que mulheres e crianças enfrentam graves perigos na região, incluindo drogas, ataques armados e exploração sexual.

"Mulheres estão sendo despidas e forçadas à prostituição em público", alegou. "Vivemos  aterrorizados. Às vezes, estamos apenas reunidos e algumas pessoas nos atacam com armas de fogo e outros objetos, assustando as crianças."

Um terceiro migrante relatou as dificuldades com a fome e a exposição ao clima, afirmando que os alimentos fornecidos são insuficientes.

"Sofremos com o frio à noite e com o calor escaldante de dia. O inverno está chegando e não temos cobertores. O frio aqui vai nos matar", disse. "O segundo problema é a fome, porque as autoridades só nos dão comida uma vez ao dia, o que não é suficiente".

Relatos de violência contra migrantes surgiram em outras partes de Ceuta. No início de agosto, o jornal El País documentou a ação de patrulhas de bairro, incluindo grupos armados que se organizavam para expulsar migrantes de áreas residenciais.

As autoridades espanholas não se pronunciaram publicamente sobre as acusações específicas de violência contra os migrantes em Ceuta. O governo reforçou a segurança no enclave e anunciou acomodações adicionais e ampliação do apoio humanitário.

Paralelamente, autoridades espanholas investigam denúncias de violência sexual contra mulheres e meninas migrantes em Ceuta. Pelo menos quatro jovens receberam atendimento hospitalar após alegados abusos sexuais.

A UNICEF alertou que centenas de crianças migrantes permanecem em condições inseguras e insalubres, com algumas dormindo nas ruas há semanas e necessitando urgentemente de alimentos e cuidados médicos.

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O Ministério da Inclusão da Espanha informou que quatro locais temporários estão sendo preparados em Ceuta, adicionando 1.500 vagas. O ministério acrescentou que a Cruz Vermelha tem distribuído cerca de 4.000 kits de alimentação por dia desde 3 de agosto.

As medidas ocorrem após um grande fluxo migratório vindo do Marrocos nos dias 30 e 31 de julho, quando dezenas de milhares de pessoas entraram em Ceuta por terra e mar. Acredita-se que milhares ainda permaneçam na região, embora as estimativas das autoridades locais e espanholas variem.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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