El Niño ‘muito forte’, inclusive no Brasil, amplia alerta climático da ONU

Principais pontos

  • Organização Meteorológica Mundial alerta que o El Niño continuará se intensificando e deve provocar impactos climáticos ao longo de 2027.
  • No Brasil, boletim divulgado em 1º de setembro aponta mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro.
  • Alerta ocorre um dia após a ONU advertir que o planeta está prestes a ultrapassar temporariamente o limite de 1,5 °C de aquecimento global.
 El Niño deve provocar impactos climáticos ao longo de 2027.
El Niño deve provocar impactos climáticos ao longo de 2027.
Source: Agência Brasil

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU especializada em clima, tempo e recursos hídricos, fez nesta quinta-feira, 3, um novo alerta sobre a intensidade do El Niño. O fenômeno deve continuar se fortalecendo nos próximos meses, atingir um nível muito forte e ampliar os riscos de eventos extremos em diferentes partes do mundo ao longo de 2027.

No Brasil, um boletim divulgado na terça-feira, 1, pelo Painel El Niño 2026-2027 aponta probabilidade superior a 90% de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro.

A avaliação divulgada pela OMM reforça o cenário de alerta. A organização considera excepcionalmente alta a probabilidade de o El Niño persistir até fevereiro de 2027 e prevê que ele atinja o pico de intensidade no fim deste ano.

Pacífico registra forte aquecimento

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O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico na porção equatorial. Essas alterações interferem na circulação atmosférica e, consequentemente, nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.

As medições ajudam a explicar a preocupação atual. Segundo a OMM, as temperaturas da superfície do Pacífico ficaram 1,5 °C acima da média entre maio e junho e 2 °C acima em julho. Em agosto, as anomalias semanais variaram entre 2,2 °C e 2,6 °C.

Abaixo da superfície, o aquecimento é ainda maior. Em determinadas áreas, as temperaturas chegaram a mais de 8 °C acima da média.

A intensidade do El Niño, porém, não determina sozinha o tamanho de seus efeitos em cada país. Outros fatores climáticos regionais podem reforçar, reduzir ou modificar os impactos. A OMM destaca, por exemplo, que tanto o Atlântico Tropical Norte quanto o Sul devem permanecer com temperaturas acima da média.

Para os últimos três meses de 2026, a organização prevê temperaturas elevadas em todos os continentes, acompanhadas por alterações nos padrões de chuva.

Diante do cenário, a OMM iniciou a maior mobilização de sua história com serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais para reforçar a preparação, as previsões e os sistemas de alerta precoce.

Outro alerta: estamos prestes a ultrapassar o limite de aquecimento

O aviso sobre o El Niño veio um dia depois de outro alerta climático das Nações Unidas. Na quarta-feira, 2, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgou um relatório que aponta que a humanidade está prestes a ultrapassar temporariamente o limite de 1,5 °C de aquecimento em relação ao período pré-industrial.

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Mesmo no cenário mais favorável analisado pelo Pnuma, o aquecimento chegaria a um pico de aproximadamente 1,8 °C antes de começar a recuar. Em outros cenários, ultrapassaria 2 °C.

Isso não significa abandonar a meta de limitar o aquecimento a 1,5 °C, estabelecida pelo Acordo de Paris. Segundo a ONU, quanto menor for a elevação da temperatura e o período em que o planeta permanecer acima desse patamar, menores serão os riscos para a população e os ecossistemas.

O Pnuma defende, entre outras medidas, a redução acelerada da dependência de combustíveis fósseis, a expansão das fontes renováveis de energia, cortes nas emissões de metano e a recuperação de ecossistemas, como florestas e oceanos.

Os dois alertas tratam de fenômenos diferentes. O El Niño é um fenômeno natural e não é provocado pelo aquecimento global. A preocupação está nos efeitos de um episódio muito forte em um planeta que já registra temperaturas mais elevadas.

O que pode acontecer no Brasil

Por aqui, o alerta vem do Painel El Niño 2026-2027, iniciativa que reúne sete órgãos federais ligados ao monitoramento do clima, das águas e dos riscos de desastres.

Participam dele o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), responsável pelo monitoramento meteorológico do país; o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que realiza pesquisas e previsões sobre tempo e clima; e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que acompanha ameaças como secas, enchentes e deslizamentos.

Segundo o Painel, a probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro supera 90%. O documento também cita projeção da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), agência científica norte-americana responsável pelo monitoramento dos oceanos e da atmosfera, que calcula em 69% a possibilidade de o episódio de 2026/2027 ser o mais forte registrado desde 1950.

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Os impactos previstos variam bastante pelo país. Para setembro, outubro e novembro, há maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e em partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

A maior preocupação é com a região Sul, especialmente o Rio Grande do Sul. O boletim alerta para a possibilidade de chuvas intensas, grandes inundações e movimentos de massa, como deslizamentos.

O cenário é diferente no Norte e no Nordeste, onde são previstas chuvas abaixo da média. A mesma tendência aparece em partes de Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo. As temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte do território nacional.

Na Amazônia Legal, área que engloba nove estados, a combinação de menos chuva e temperaturas elevadas pode prolongar a estação seca, diminuir a disponibilidade de água e aumentar o risco de incêndios florestais. O Pantanal também exige atenção diante do risco de fogo.

O El Niño se intensifica em um momento em que parte do país já enfrenta falta de chuva. Em julho, 157 municípios brasileiros estavam em situação de seca severa. No Sudeste, algum grau de seca atingia 89% da região, quadro que pode se agravar caso a estação chuvosa comece mais tarde ou tenha volumes insuficientes.

No Nordeste, a seca também estava mais intensa e abrangente em julho de 2026 do que no mesmo mês de 2023. Dados da ANA indicavam seca moderada em 45% da região, ante 12% três anos antes.

Diante das projeções, o Painel recomenda que estados e municípios atualizem seus planos de contingência e reforcem o monitoramento e os sistemas de alerta. Para a população, a orientação é acompanhar as previsões meteorológicas e os avisos das Defesas Civis diante da possibilidade de eventos extremos nos próximos meses.

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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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