Notícia Boa no Brasil

Uma comunidade para quem acompanha histórias positivas e transformadoras do Brasil — com conversas no WhatsApp.

Desfile reúne participantes em diferentes fases do tratamento contra o câncer

Principais pontos

  • O desfile "A Passarela da Vida" reúne 12 mulheres em tratamento contra o câncer neste sábado (17), em Atibaia (SP).
  • A iniciativa busca resgatar a autoestima das participantes e mostrar que existe vida além do diagnóstico da doença.
  • Com organização voluntária, o evento terá renda parcial revertida em doações de alimentos para a instituição Abrapec.
Evento acontece em Atibaia (SP). Parte da renda será destinada à Abrapec (Assistência a Pessoas com Câncer).
Evento acontece em Atibaia (SP). Parte da renda será destinada à Abrapec (Assistência a Pessoas com Câncer).
Source: Unsplash
Entre na nossa comunidade

Neste sábado (17), o evento A Passarela da Vida será protagonizado por 12 mulheres em diferentes fases de enfrentamento ao câncer, no Espaço T.E.U., em Atibaia (SP). Parte da renda será destinada à Abrapec (Assistência a Pessoas com Câncer).

Algumas já concluíram o tratamento, outras ainda estão no meio dele, e há quem conviva com a metástase. Na Passarela da Vida, porém, a intenção é que o diagnóstico fique de fora e que elas sejam vistas pelo que são, e não pela doença.

"Quero que elas possam entrar naquela passarela não para mostrar uma roupa bonita, mas para mostrar que existe vida além da doença", explica Carla Dias, uma das organizadoras do evento. Ela também passou por um câncer de mama e sabe o que é não se reconhecer mais no próprio corpo.

A ideia veio da terapeuta Ana Paula Milinavicius e começou a tomar forma ainda em sua infância, quando a avó foi diagnosticada com câncer de mama. Na época, os recursos de tratamento eram muito mais limitados do que os de hoje, e ela conviveu com a dor da avó durante todo o tratamento. 

Entre na comunidade

Conte um pouco sobre você e participe

1Qual o seu gênero?

RECOMMENDED FOR YOU

mulher se destaca a multidão.

Em 20 anos, Brasil reduz desigualdade de gênero, mas fica atrás em renda

Anos depois, atuando com terapias integrativas e holísticas, surgiu a vontade de organizar um desfile de moda em que as modelos "tivessem um momento de alegria", como ela descreve.

O projeto foi adiado até 2026, quando Ana percebeu que muitas das clientes atendidas no T.E.U., espaço de terapias e bem-estar que trabalha em Atibaia, estavam com câncer.

Carla, uma das pacientes que Ana acompanhou desde o primeiro exame até a remissão, foi a quem ela propôs levar o desfile adiante. Logo, fisioterapeutas, psicólogos, professores de yoga e outros profissionais do espaço também se juntaram à iniciativa.

"Convocação" nas redes sociais

Para encontrar as modelos, elas publicaram um convite nas redes sociais, e receberam respostas de mais de 40 mulheres da região.

"Foi uma escolha difícil. Por mim, eu teria colocado todas no evento", diz Carla. Na seleção, a equipe considerou a trajetória de cada candidata e se ela contava com uma rede de apoio.

O objetivo era que o grupo refletisse realidades distintas de quem enfrenta o câncer. As participantes têm entre 36 e 55 anos, e apenas três já conheciam o espaço de Ana.

A maioria perdeu os cabelos durante o tratamento, e algumas passaram pela retirada das mamas. Muitas são atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e continuam trabalhando para sustentar ou ajudar a família.

Com consultas médicas, sessões de quimioterapia e cirurgias na agenda, a reunião de todas para um ensaio com antecedência se mostrou impossível.

RECOMMENDED FOR YOU

Mulher olha com desconfiança para o lugar onde se encontra.

Violência leva 98% das brasileiras a mudar hábitos e até a abrir mão de trabalhos

A preparação tem sido feita em reuniões online e por um grupo de WhatsApp. No dia do evento, as participantes chegarão mais cedo para conhecer o espaço e entender a dinâmica do desfile.

Por trás da organização

Carla tinha 39 anos, às vésperas dos 40, quando sentiu um nódulo durante o banho. Até então, nunca havia se imaginado como paciente oncológica.

Nos meses seguintes, passou por quimioterapia, mastectomia bilateral, radioterapia e imunoterapia, além de complicações que a obrigaram a retirar uma das próteses.

Por coincidência, o dia do desfile marca exatamente um ano desde a sua última sessão de quimioterapia.

Ela admite que organizar o evento foi difícil. As histórias que recebeu são reais e estão acontecendo agora, inclusive as de mulheres que viram o câncer voltar e ainda vão continuar em tratamento. "Penso assim: já que veio, vou ajudar outras mulheres", diz.

Segundo Carla, a doença afeta profundamente a relação com o corpo. A aparência muda, a autoestima diminui, e quem passa pelo tratamento sai dele diferente, por fora e por dentro.

É por isso que ela espera que o desfile mostre às participantes que elas continuam bonitas e vivas. E que não estão sozinhas, mesmo com as marcas, as dores e as sequelas que o pós-câncer costuma deixar.

A própria experiência também fez dela uma defensora de campanhas de divulgação, para além do Outubro Rosa. Carla lembra que só uma pequena parcela dos casos é hereditária, e que o simples fato de ser mulher já é um fator de risco.

RECOMMENDED FOR YOU

Criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o programa prevê integrar os sistemas da Justiça e das polícias para agilizar medidas protetivas de urgência.

Aliança Lilás: programa nacional quer acelerar proteção de mulheres vítimas de violência

Se a pessoa for diagnosticada precocemente, as chances de cura podem chegar a 95%, de acordo com a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA). 

Uma rede de voluntários

As organizadoras esperavam ter dificuldade para conseguir apoio, já que o evento depende quase inteiramente de parcerias.

Em vez disso, a ajuda apareceu rapidamente, e todo o trabalho foi voluntário. Uma loja vai emprestar as roupas e outra vai ceder os acessórios.

As parcerias também incluem  fotógrafo, DJ, decoração e coquetel.

Além disso, houve contribuições de pessoas sem vínculo com o projeto. Um senhor viu a publicação nas redes sociais e perguntou se poderia doar seis refrigerantes.

Vizinhos da clínica também se ofereceram para levar pães, bolos, biscoitos e salgadinhos. "Não imaginávamos que ia tomar essa proporção e tocar o coração de tantas pessoas", conta Ana.

A programação vai das 15h às 17h30 e inclui apresentações de dança e canto, uma fala de Carla às participantes, o desfile e um coquetel de encerramento para as modelos, as famílias e o público.

Mesmo com um tema delicado, Carla garante que o momento não será triste: "Será uma tarde para sorrirmos, abraçarmos e celebrarmos a vida".

RECOMMENDED FOR YOU

Mulheres se exercitam.

Setembro Lilás: é possível prevenir o Alzheimer e outros tipos de demência?

A organização espera receber entre 120 e 150 pessoas no Espaço T.E.U., na Rua Atibaia, 721, no Jardim Paulista. Os ingressos custam R$ 26, e podem ser comprados diretamente pelo WhatsApp (11) 99683-4797. 

Parte da arrecadação será convertida em alimentos para a Abrapec, instituição que atende pessoas com câncer em Atibaia, e que o espaço já costuma apoiar com doações de alimentos e produtos de limpeza.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

Se está acontecendo no Sul Global, está no nosso canal do WhatsApp.

Nós contamos as notícias que você precisa saber.

Inscreva-se agora
Ícone do banner do WhatsApp