Com 191 candidaturas, eleições de 2026 têm recorde de participação indígena
Principais pontos
- 64 povos indígenas estão representados nas candidaturas.
- 84 mulheres indígenas concorrem nas eleições de 2026.
- Macuxi e Guarani Kaiowá lideram entre os povos com mais candidatos.

Com 191 candidaturas registradas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), as eleições de 2026 alcançam o maior número de representantes indígenas desde 2014, ano em que a Corte passou a incluir dados de cor e raça nos registros.
São 75 candidaturas a deputado federal, 99 para as Assembleias Legislativas e três para deputado distrital no Distrito Federal.
A disputa também inclui quatro candidatos ao Senado, três aos governos estaduais -- incluindo Jerônimo Rodrigues (PT), atual governador e candidato à reeleição pela Bahia --, dois a vice-governador e cinco candidatos a suplente de senador.
O número representa um crescimento expressivo em relação às eleições anteriores. Em 2014, foram registradas 85 candidaturas indígenas. Em 2018, 133 e, em 2022, 186.
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A disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados também alcança o maior patamar da série histórica: eram 25 candidaturas indígenas em 2014, 39 em 2018 e 59 em 2022, antes de chegar às 75 registradas neste ano.
Os dados mostram que o crescimento da participação indígena nas eleições não está concentrado em um único povo ou território.
Um levantamento da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) mostra que as candidaturas reúnem 64 povos indígenas:
- Macuxi: 13 candidaturas
- Guarani Kaiowá: 12
- Guaraní: 8
- Munduruku: 7
- Mura: 6
- Terena: 6
- Tupinambá: 5
- Wapichana: 5
O crescimento das candidaturas ocorre em paralelo à consolidação de lideranças indígenas na política institucional, movimento que ganhou força ao longo das últimas eleições e ampliou a presença dos povos originários em diferentes níveis do poder público.
A série histórica iniciada em 2014 mostra uma ampliação constante dessa participação nas disputas eleitorais, tanto para cargos proporcionais, como deputados federais e estaduais, quanto para cargos majoritários, como Senado e governos estaduais.
Mulheres indígenas
As mulheres também representam uma parcela significativa das candidaturas. Segundo o levantamento da APIB, foram 84 mulheres indígenas entre os registros analisados, cerca de 44% do total.
Em 2014, elas eram 29 das 85 candidaturas. O número chegou a 49 em 2018 e a 85 em 2022, mostrando que a presença feminina se consolidou entre as candidaturas indígenas nas eleições gerais.
O crescimento ocorre depois de uma trajetória de maior participação dos povos indígenas na política institucional. Em 1982, Mário Juruna, do povo Xavante, tornou-se o primeiro indígena eleito deputado federal no Brasil.
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Em 2018, Joenia Wapichana foi eleita a primeira mulher indígena para a Câmara dos Deputados. Nas eleições de 2022, Sonia Guajajara e Célia Xakriabá foram eleitas deputadas federais, ampliando a representação indígena no Congresso Nacional.
- 2014: 29 mulheres indígenas entre 85 candidaturas — 34,1%
- 2018: 49 mulheres entre 133 candidaturas — 36,8%
- 2022: 85 mulheres entre 186 candidaturas — 45,7%
- 2026: 84 mulheres entre 191 candidaturas — 44%
Para a APIB, o aumento das candidaturas representa mais do que uma marca numérica e está relacionado à trajetória de mobilização política construída pelos povos indígenas nos territórios.
“Chegar a 191 candidaturas indígenas representa um dado eleitoral e a prova concreta de uma caminhada histórica de resistência e de cobrança dos nossos povos por espaço e respeito no poder”, afirma Marcos Sabaru, um dos coordenadores políticos da Campanha Indígena.
Segundo ele, a presença indígena ainda revela a falta de representação nas estruturas de decisão do país. “Essa realidade evidencia a ausência que ainda persiste nas estruturas de decisão do país”, diz.
A entidade também destaca a presença de candidatos de diferentes povos e regiões como parte desse processo de ampliação da participação política.
“Essa presença nasce dos territórios e amplia, com força política, nossa exigência de participação efetiva nos rumos do Brasil”, afirma Sabaru.
No dia 19 de agosto, a APIB e suas organizações regionais de base devem apresentar a Bancada Indígena 2026, formada por candidaturas indicadas pelas organizações de base.
Segundo Dinamam Tuxá, coordenador executivo da APIB, a iniciativa pretende levar para a disputa eleitoral propostas construídas pelo movimento indígena.
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“A Bancada Indígena que apresentaremos no dia 19 nasce das organizações de base e leva para as eleições um projeto construído pelo movimento indígena”, afirma.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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