Colômbia soma 239 mortos, enquanto Venezuela ainda busca desaparecidos de junho
Principais pontos
- Equipes de resgate buscam sobreviventes, enquanto 287 pessoas continuam desaparecidas e 3.755 estão feridas, segundo balanço oficial.
- Chocó enfrenta dificuldades no socorro às áreas isoladas, enquanto Pereira concentra 103 das 239 mortes registradas no país.
- Tremor ocorreu sete semanas após os terremotos na Venezuela, onde o número de mortos chegou a 6.301.

Equipes de resgate na Colômbia trabalham contra o tempo para encontrar sobreviventes sob os escombros deixados pelo terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país na segunda-feira, 10 de agosto. Em Pereira, moradores e voluntários formam filas humanas passando baldes de entulho enquanto gritam nomes de familiares ainda desaparecidos.
Segundo o último boletim oficial da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD), com corte na manhã desta quarta-feira (12), o terremoto já deixou 239 mortos, 287 desaparecidos e 3.755 feridos.
O número de mortos vinha sendo divulgado de forma inconsistente nos primeiros dois dias após o sismo – chegou a variar entre 111 e 240 dependendo da fonte –, até que a Presidência determinou que os dados oficiais passassem a ser centralizados e divulgados exclusivamente por ela.
O epicentro do terremoto mais forte do país em décadas ficou perto de San José del Palmar, no Chocó, a cerca de 100 quilômetros de profundidade, e o SGC já contabilizou mais de 99 réplicas desde o abalo principal.
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O terremoto expôs disparidades regionais na capacidade de resposta do país. Cali, capital do rico Valle del Cauca, e cidades do Eixo Cafeeiro como Pereira e Manizales concentram a maior parte das vítimas registradas até agora, mas também contam com estrutura hospitalar maior e equipes de resgate reforçadas com apoio de Bogotá.
Em Pereira, o balanço mais recente aponta 103 mortos e 84 estruturas colapsadas. Já no Chocó, estado mais pobre do país e onde a maioria da população é afro-colombiana e indígena, a resposta é mais lenta: 29 dos 31 municípios do departamento registraram algum tipo de dano, com 14 mortos e mais de 43 mil pessoas afetadas até o momento. Em várias comunidades isoladas, famílias ainda esperam a chegada de máquinas pesadas para remover escombros de casas de madeira e taipa.
A região soma décadas de precariedade em infraestrutura de saúde e transporte, o que dificulta tanto a chegada de equipamento pesado quanto a evacuação de feridos.
O primeiro teste do novo governo
O terremoto atingiu o país apenas três dias após a posse de Abelardo de la Espriella na Presidência do país. O mandatário decretou situação de desastre de caráter nacional por 12 meses, prorrogáveis, em 13 departamentos, obrigando o Ministério da Fazenda a garantir recursos do Fundo Nacional de Gestão do Risco de Desastres, administrado pela UNGRD.
Os deslizamentos de terra interromperam rodovias que ligam o Eixo Cafeeiro ao porto de Buenaventura, principal saída do país para o Pacífico, ameaçando o fluxo de exportações agrícolas.
Diante de registros de saques em áreas atingidas, as prefeituras de Cali e Pereira decretaram toque de recolher noturno.
O apoio internacional também começou a chegar: a pedido do governo colombiano, os Estados Unidos ativaram uma equipe de resgate (DART), enquanto o Equador ofereceu 47 socorristas e cães farejadores para reforçar as buscas.
Venezuela, sete semanas depois
O terremoto colombiano ocorre sete semanas depois de outro grande sismo na região, o duplo abalo que atingiu a Venezuela em 24 de junho, de magnitudes 7,2 e 7,5, com epicentro perto de La Guaira, o estado mais afetado. Enquanto a Colômbia já centraliza números oficiais e acelera o socorro com apoio internacional em menos de 72 horas, a Venezuela ainda luta para localizar milhares de desaparecidos quase dois meses após a tragédia.
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O balanço oficial confirmado pelo governo venezuelano em 10 de agosto chegou a 6.301 mortos – alta de 176 em relação à atualização anterior, de 3 de agosto. Mais de 73 mil pessoas foram atendidas em hospitais desde o sismo. Em 47 dias de operações, 6.462 pessoas foram resgatadas com vida.
O governo de Delcy Rodríguez ainda não divulgou um balanço oficial de desaparecidos, mas organizações da sociedade civil estimam que mais de 29 mil pessoas seguem com paradeiro desconhecido desde junho – número que já chegou a superar 55 mil nas primeiras semanas após o desastre, antes de cair com o reestabelecimento gradual de comunicações.
Cerca de 856 edifícios foram atingidos pelos terremotos, a maioria em La Guaira; 190 desabaram por completo. Das 53.314 moradias avaliadas até agora, 9.567 foram classificadas como de alto risco e apenas 287 famílias receberam novas moradias. Equipes já recolheram 483,5 mil toneladas de escombros – 23% do total previsto.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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